Esperança entre destroços para Piñera
10/03/2010WASHINGTON, D.C., EUA. – Os desafios que o bilionário empresário Sebastián Piñera terá pela frente ao assumir a presidência do Chile, no dia 11 de março, vão muito além de reconstruir o país abalado pelo terremoto de 8,8 graus de magnitude do dia 27 de fevereiro, que ainda provoca abalos secundários.
Suceder Michelle Bachelet não é tarefa fácil.
A presidente deixa o cargo não só como a primeira mulher a ter governado o Chile, mas com o maior índice de aprovação popular que um presidente já atingiu em toda a história do país: 84%, segundo o instituto de pesquisa Adimark GfK.
Mas Piñera, um conservador convicto, não se deixa abater.
Sua experiência de bem-sucedido homem de negócios injeta confiança em uma nação que sofreu um dos maiores terremotos já registrados em todos os tempos.
O último levantamento do Adimark GfK revela que 59% dos chilenos esperam “um bom governo” de Piñera.
A posse não será muito festiva. Diversas atividades programadas para marcá-la, em meio às comemorações de 200 anos da independência do país, foram canceladas depois do trauma que o terremoto e as tsunamis inflingiram nos chilenos.
Piñera assumirá a presidência em uma cerimônia austera em Valparaíso, sede do Congresso chileno. Imediatamente depois de tomar posse, o novo presidente oferecerá um almoço para chefes de estado e de governo e outros dignatários, entre eles o príncipe Felipe, da Espanha, e os presidentes da Argentina e da Bolívia, Cristina Fernández de Kirchner e Evo Morales.
Piñera então tomará um avião rumo a Concepción, a cidade mais atingida pelo terremoto, para avaliar as necessidades de reconstrução em toda a região.
Boa parte da campanha eleitoral de Piñera concentrou-se em atrair camponeses, trabalhadores rurais e eleitores fora de Santiago – e o novo presidente receberá a herança de 20 anos de governo de centro-esquerda.
“Queremos mudança, mudança por um futuro melhor”, afirmou Piñera em sua campanha, numa visita ao sul do Chile. “Especialmente para os que estão nas lavouras, nas fazendas, no campo e foram deixados para trás pela Concertação”, referindo-se à coalização de centro-esquerda que governava o país desde 1990.
O primeiro dia de Piñera na presidência deve terminar com um discurso no palácio presidencial, em Santiago.
Mas nem tudo é pompa e luto.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, liderará uma equipe de representantes de seu governo em uma partida de futebol contra Piñera, parlamentares e ministros chilenos, noticiou o diário La Prensa. O jogo, que acontecerá às 18h do dia 10 de março em um estádio não divulgado, será o primeiro encontro entre os dois presidentes.
Desde 2006, a Bolivia negocia com o Chile seu acesso ao Oceano Pacífico.