Clubes brasileiros de olho na Libertadores

10/03/2010

Por Patricia Knebel para Infosurhoy.com — 10/03/2010

PORTO ALEGRE, Brasil – A cada ano, a fábrica mundial de craques do futebol revela novos jogadores para o mundo.

Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Diego e Alexandre Pato encabeçam a lista dos atletas que, depois de encantarem as torcidas dos seus clubes de origem, trilharam carreiras internacionais.

Essa é a rotina do mercado da bola. Quanto mais jovens e talentosos, mais eles valem. Talvez seja por isso que as movimentações dos times brasileiros nesse começo de 2010 chamem tanto a atenção.

Clubes de tradição abriram os cofres para contratar atletas de renome, mas com mais de 33 anos – antes considerado um péssimo investimento. O motivo: a Taça Libertadores da América, competição sul-americana que, nos últimos anos, passou a ser a grande vedete dos clubes brasileiros.

“A Libertadores é uma competição difícil e com muita catimba,” disse o capitão do Cruzeiro, Leonardo Silva. “Os jogadores experientes costumam lidar melhor com essas situações. Por isso, as equipes brasileiras estão se reencaixando nesse perfil.”

O time mineiro é o atual vice-campeão da Libertadores. Para tentar levar o título em 2010, apostou na manutenção do elenco, que conta com jogadores experientes como Gilberto Silva, campeão da Copa das Confederações (2005) e da Copa América pela Seleção Brasileira (2007).

Além do Cruzeiro, Internacional, Corinthians, São Paulo e Flamengo são os representantes do Brasil na Libertadores, que traz ainda times como Cerro Porteño, (Paraguai), Independiente Medellín (Colômbia), Estudiantes (Argentina) e Colo-Colo (Chile).

Para conseguir chegar longe nessa competição de veteranos, o Corinthians (São Paulo) foi um dos times que mais contratou jogadores experientes e acostumados a grandes conquistas.

O clube trouxe Iarley, 36 anos, campeão mundial pela Boca Juniors em 2003 e da Libertadores e do mundial de clubes pelo Internacional em 2006.

Mais recentemente, fisgou Roberto Carlos, 37 anos, pentacampeão pela Seleção Brasileira. Os dois craques se juntam ao multicampeão Ronaldo, que já estava no elenco do Corinthians.

Celso Unzelte, um dos principais especialistas em história do futebol do Brasil, explica que a valorização da Libertadores pelos brasileiros é algo recente, principalmente se considerado que se trata de uma competição com 50 anos.

“Antes não existia tanta propagação do futebol em outros países e as conquistas internas eram as mais destacadas”, diz. “Agora, além do interesse comercial, a possibilidade de ser campeão do mundo mexe muito com os times brasileiros.”

A Libertadores é conhecida como uma competição para poucos. A conquista da taça requer mística, catimba e virilidade. Cada jogo é uma guerra. Por isso, além da experiência, atributos como combatividade e espírito de luta são muito valorizados.

Também por essa razão muitos times brasileiros resolveram olhar para os seus vizinhos da América do Sul no momento de fazer novas contratações.

“O jogador brasileiro é auto-suficiente com a bola no pé”, diz Unzelte. “Mas, quando se pensa em qualidades como coragem, ainda enxergamos os argentinos e uruguaios como superiores.”

O Internacional, o último time brasileiro a vencer a Libertadores (2006), investiu pesado nos “hermanos”. O uruguaio Jorge Fossati foi chamado para comandar a equipe nessa temporada.

No ano passado, Fossati foi campeão pela LDU da Copa Sul-Americana e da Recopa Sul-Americana – nesta última derrotou o próprio Internacional na final.

O clube gaúcho também aposta no goleiro Pato Abbondanzieri, 38 anos, que estava no Boca Juniors.

Com a camisa do clube argentino, Pato conquistou 14 títulos, sendo três Libertadores, duas Copa Intercontinental, duas Copa Sul-Americana e uma Recopa.

Pato se junta aos argentinos Guiñazu e D’Alessandro, que já são ídolos da torcida colorada no Rio Grande do Sul.

“Acompanhamos muito de perto os jogadores de outros países da América do Sul, inclusive quando eles jogam contra o Inter”, diz o vice-presidente de futebol do Internacional, Fernando Carvalho. “Essa competição exige virilidade e impõe dificuldades com as quais estes atletas estão mais acostumados a lidar.”