Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....

Víctor Hugo Cárdenas, ex-vice-presidente boliviano, conversa com a Reuters em La Paz no dia 7 de março após uma multidão violenta ter invadido sua casa em Sancajahuira para protestar contra a decisão de enfrentar o presidente Evo Morales. Vice-presidente durante a administração de Gonzalo Sánchez de Lozada de 1993 a 1997, Cárdenas foi a primeira pessoa de origem indígena a ocupar o cargo.
LA PAZ, Bolívia ― A menos de nove meses das eleições presidenciais bolivianas de 6 de dezembro, o número de candidatos indígenas que concorrerão com o presidente Evo Morales aumentou. De acordo com a AFP, Morales tentará conquistar um novo mandato até 2015.
Dois índios da etnia quéchua confirmaram que enfrentarão Morales nas eleições: o líder campesino Alejo Véliz e o advogado René Joaquino, que também é prefeito de Potosí, cidade localizada nas montanhas e com economia voltada à mineração. Victor Hugo Cárdenas, índio da etnia aimara e ex-vice-presidente durante o mandato do liberal Gonzalo Sánchez de Lozada, também expressou interesse em se candidatar.
Com as candidaturas de Morales, Véliz, Joaquino e Cárdenas, pela primeira vez poderá haver quatro candidatos indígenas com chances de conquistar a presidência. Joaquino e Véliz destacaram que as suas candidaturas tinham como objetivo combater a fratura étnica causada por Morales, um aimara que, segundo eles, estava dividindo o país entre indígenas, mestiços e brancóides.
El Deber noticiou que Véliz, líder campesino da região central de Cochabamba que concorreu à presidência em 1997 pelo antigo partido Esquerda Unida, havia formado o novo partido Povos pela Liberdade e Soberania (Pulso), oficialmente reconhecido pela Corte Nacional Eleitoral (CNE) da Bolívia.
Esse partido nasceu das frustrações dos indígenas que questionam a liderança de Morales, que não representa os bolivianos, e é por isso que eles precisam de um novo movimento que os represente, comentou Véliz.
Joaquino comanda a Aliança Social (AS), que também é um partido reconhecido. As propostas dele, direcionadas a reconciliar os bolivianos em meio a tanta confrontação, renderam-lhe críticas de simpatizantes do governo, conforme explicou El Nuevo Día. Socialista e ex-operário da construção, Joaquino declarou que o povo quer uma mudança verdadeira sem a Bolívia ter de depender da Venezuela.
O partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) considera o ex-vice-presidente Cárdenas a maior ameaça à reeleição de Morales, já que ele possui experiência política comprovada em nível nacional. Embora a sua candidatura ainda não tenha sido confirmada, Cárdenas disse à AFP que havia recebido mensagens de apoio após um incidente ocorrido há duas semanas quando sua casa, às margens do Lago Titicaca nos Andes, fora atacada por indígenas locais que estavam bravos por ele se opor ao presidente Morales.
Antes eu não estava pensando em me candidatar, mas depois destes ataques vou conversar com a minha família e pensar no assunto, disse Cárdenas.
O presidente Morales condenou o ataque da multidão contra Cárdenas e sua família, mas também disse que os bolivianos não toleram nem perdoam traidores. Conforme a AFP, o governo não instruiu a polícia a desalojar os invasores e permitiu que promotores públicos atuassem sem a diligência necessária em um caso tão grave.
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