Enquanto participam de negociações de paz com o governo colombiano, as Forças Armadas Revolucionári...
QUITO, Equador ― Governo do Equador decidiu esperar pela reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para anunciar seu plano de reestruturação para os cerca de US$ 3,21 bilhões da dívida externa que deixou de pagar no ano passado. A reunião será realizada em Medellin, na Colômbia, de 27 a 31 de março.
De acordo com o jornal El Comercio, o presidente equatoriano Rafael Correa quer manter a proposta em segredo, apesar de a ministra das Finanças, Maria Elsa Viteri, já ter anunciado que o plano está pronto.
A agência de notícias EFE informa que Correa se disse desconfiado do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial ao anunciar que pretendia abordar fontes sul-americanas de financiamento, tais como a Corporação Andina de Fomento (CAF), a fim de executar sua nova estratégia.
El Comercio afirmou ainda que o governo tentou diminuir o fardo na economia equatoriana em novembro de 2008 ao parar de pagar a taxa de juros da dívida do país, que classificou de ilegal e ilegítima porque o dinheiro tomado como empréstimo nunca entrou no país.
O Equador anuncia agora que será inadimplente no pagamento dos US$ 135 milhões referentes aos juros sobre os títulos globais de 2030, que têm um valor original de US$ 2,7 bilhões. A dívida externa total do país é de US$ 10 bilhões.
Sempre fazemos o que dizemos, Correa afirmou em entrevista ao El Mercurio. É por isso que não pagamos os juros.
Os títulos globais de 2012 e 2030 foram emitidos em 2000 para substituir os títulos Brady, que por sua vez haviam sido emitidos para diminuir a dívida externa anterior do país.
Juntos, os títulos possuem um valor original de US$ 3,21 bilhões, mas a decisão de parar de pagar os juros fez com que o preço de mercado desses títulos caísse para menos de 30% do valor original.
Talvez prevendo o fato de que os obrigacionistas insatisfeitos poderiam processar o governo, consultores foram recrutados para assistir na reestruturação da dívida.
Desde que declarou a inadimplência do país, o presidente Correa disse que o Equador poderá comprar a dívida de volta e não desistiu da idéia de reestruturá-la em períodos diferentes, com outra taxa de juros. A hipótese mais extrema prevista até agora seria a de o governo comprar sua dívida de volta com um desconto de 70%.
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