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LA PAZ, Bolívia ― Carlos Villegas, presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolívianos (YPFB), anunciou que o país planeja investir US$ 11 bilhões nos próximos sete anos com o objetivo de desenvolver toda a cadeia de produção dos hidrocarbonetos.
Villegas explicou que YPFB tem uma necessidade de investir US$ 7 bilhões nesse período e que o restante do investimento será fornecido por empresas multinacionais que operam no país. Os investimentos visarão aumentar as exportações e expandir as áreas de exploração, transporte, logística e armazenagem de hidrocarbonetos.
A necessidade a que Villegas se referiu baseia-se na prioridade estabelecida pelo Estado boliviano de atender à demanda interna de gás liquefeito de petróleo, gasolina e diesel. Atualmente, a Bolívia tem de importar da Argentina e da Venezuela esses derivados do petróleo. Além disso, o país ainda não desenvolveu sua rede doméstica de gás natural, o que leva o Estado a subsidiar o GLP e o diesel com fundos do Tesouro.
Apesar de tudo isso, o anúncio foi criticado por especialistas bolivianos. Segundo Álvaro Ríos, ex-ministro da indústria de 2003 a 2005, a YPFB “precisa colocar os pés no chão”, pois já tem uma dívida de US$ 1 bilhão com o Banco Central de Bolívia. “A YPFB não tem os recursos que Villegas menciona e, mesmo que tivesse, ainda não teria capacidade de gestão suficiente para utilizá-los”, afirmou Ríos ao jornal El Deber.
Já Freddy Zaratti, especialista em hidrocarbonetos, ponderou que seria difícil assegurar esses investimentos, uma vez que a Bolívia não oferece garantias às empresas estrangeiras.
A Bolívia também anunciou que pretende revisar os contratos de venda de gás com o Brasil e a Argentina, conforme noticiou o jornal El Deber. No caso do Brasil, a revisão se fundamentará na renegociação do volume que esse país compra, que hoje varia de 21 a 31 milhões de metros cúbicos por dia. Quanto à Argentina, a Bolívia pretende firmar um contrato mais detalhados, concedendo garantias para os investimentos de empresas estrangeiras.
O ministro do planejamento da Bolívia, Noel Aguirre, instou Villegas a discutir bem essas alterações, pois, conforme afirmou ao El Deber, mudanças nas condições contratuais poderiam afetar a estabilidade econômica do país porque a maior parte dos fundos públicos bolivianos tem origem na receita do petróleo.
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