Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
BARILOCHE, Argentina ― Os presidentes Evo Morales e Michelle Bachelet se reuniram durante a cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada na cidade argentina de Bariloche. Os governos de Bolívia e Chile reafirmaram o caráter bilateral das suas negociações, que inclui uma solução conjunta para a reivindicação boliviana de ter uma saída para o Oceano Pacífico.
A agência EFE lembra que, dias antes da reunião presidencial da Unasul, o presidente peruano Alan García havia chamado a atenção para um suposto acordo feito por baixo dos panos entre os vizinhos. Segundo García, tais negociações beneficiariam a Bolívia, que ganharia acesso ao Oceano Pacífico por meio do território chileno que no passado pertenceu ao Peru.
O presidente peruano também havia dito à AFP que pediria explicações a Morales e Bachelet a respeito das negociações atuais, que até o momento progrediram mais na área econômica do que territorial.
A reivindicação havia sido apoiada pelo presidente semestral da Unasul, o presidente equatoriano Rafael Correa, que conforme a EFE poderia convocar outra reunião do bloco regional para abordar o assunto entre Bolívia, Chile e Peru.
A Guerra do Pacífico, conflito ocorrido em 1879, deixou a Bolívia sem acesso ao mar depois que o Chile ganhou da aliança feita entre os governos de Lima e La Paz e ocupou uma extensa faixa litorânea em ambos os países, até que a atual fronteira entre Chile e Peru foi colocada ao norte de Arica.
Bolívia e Chile possuem diferenças profundas e não mantêm laços diplomáticos. No entanto, de acordo com o jornal El Deber, sob os governos de Morales e Bachelet foi possível realizar uma pauta de 13 itens, que leva em consideração a reivindicação boliviana para uma saída soberana para o mar. Discutindo primeiro as possibilidades de comércio entre ambos os países, as negociações representam o melhor momento das relações bilaterais em décadas.
Apesar de não terem sido divulgados os detalhes específicos da reunião entre Bachelet e Morales em Bariloche, o ministro peruano das Relações Exteriores, José Antonio García Belaúnde (que chamou o presidente boliviano de inimigo n.º 1 do país), confirmou ao jornal La República que o presidente García não insistiu na aproximação com seus vizinhos.
Nossa postura, que também é a da Bolívia, é de que esse assunto deve ser e continuará sendo trabalhado bilateralmente, a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá, limitou-se a dizer à EFE.
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