Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
16 de novembro
LA PAZ, Bolívia — Representando 12 países do continente, cerca de 120 mulheres policiais se reuniram na primeira semana de novembro em La Paz para analisar o respeito à igualdade de gênero e aos direitos humanos nas instituições policiais da América.
Oficiais de Argentina, Chile, Peru, Equador, Cuba, Paraguai, Nicarágua, Panamá, Brasil, Estados Unidos, Costa Rica e Bolívia pediram igualdade e as mesmas oportunidades oferecidas aos seus colegas homens no serviço policial prestado às suas comunidades de origem.
Segundo El Diario, a Declaração de La Paz, lida por uma oficial de polícia nicaraguense, promove a revisão do marco normativo das polícias do continente para que a igualdade de gênero aborde desde o uso de "linguagem não sexista", até a "visualização" da presença das mulheres como parte das instituições policiais.
As representantes também pediram sensibilidade para os altos comandos acabarem com a ideia de que ser mulher pode ser um obstáculo para o desenvolvimento da carreira profissional ou "uma causa para a exclusão na distribuição de responsabilidades, funções e direitos".
A tenente-coronel boliviana Rosa Lema, uma das organizadoras do evento, explicou a Los Tiempos que a declaração também solicita que as infraestruturas policiais sejam adequadas às necessidades de ambos os sexos, que seja promovida a proteção, a investigação e o seguimento de casos de violação dos direitos das agentes e que sejam revisados "os conteúdos do material de estudo das instituições policiais" para que "sejam incluídos assuntos de direitos humanos, gênero e violência sexual".
Este último aspecto é considerado vital para as policiais bolivianas. Conforme um relatório publicado por La Prensa em agosto, as oficiais se sentem relegadas a trabalhos de escritório ou de cozinha nos quartéis. A denúncia gerou uma investigação da Câmara de Deputados do país, que no período de um ano recebeu 75 denúncias de mulheres oficiais sobre casos de abuso sexual, violência e discriminação dentro da instituição policial.
Dos 26.000 policiais bolivianos, somente 3.000 são mulheres. As cifras refletem a problemática que percorre a região. Por esse motivo, a reunião do continente americano teve como sede a Bolívia, uma das nações onde são mais visíveis as condições diferentes pelas quais passam as mulheres policiais. O encontro será repetido em 2010 para dar continuidade às propostas da primeira edição.
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