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PORTO ALEGRE, Brasil — A palma da mão é a nova aliada do sistema financeiro para a realização de transações bancárias nos caixas de auto-atendimento.
O Bradesco, maior banco privado do país, com 22,5 milhões de contas correntes, está equipando todo o seu parque de máquinas com a tecnologia biométrica para aumentar a segurança dos correntistas.
Usado há cerca de três anos no Japão, o sistema funciona através de um sensor que capta a movimentação sanguínea das mãos e a reconhece como sendo do usuário cadastrado. Dos 36.657 equipamentos de auto-atendimento do Bradesco, cerca de 40% já possuem o sistema de captura e leitura das mãos.
Os clientes que optam pelo uso da biometria precisam apenas fazer o cadastro das mãos. Assim, ficam dispensados do uso das letras ou de tokens de autenticação para a realização de qualquer operação disponível nos caixa de auto-atendimento. O banco já estuda inclusive a possibilidade de eliminar o uso de senhas numéricas.
“Fomos o primeiro banco no Ocidente a usar a biometria como recurso para autenticação no auto-atendimento”, afirma o vice-presidente executivo responsável pela área de Tecnologia da Informação do Bradesco, Laércio Albino Cezar. “Só em dezembro, registramos 4,5 transações sem nenhuma ocorrência de fraude.”
Cezar explica que o uso da palma da mão é seguro e assertivo. É praticamente impossível alguém não conseguir realizar a operação por ter sido rejeitado pelo sistema. E mais: estudos demonstram que apenas oito em cada dois milhões de mãos podem ser coincidentes.
Outra novidade tecnológica que está sendo usada para aumentar a segurança das transações bancárias é o cartão de crédito e débito com certificação digital. Lançado de forma pioneira pelo Banrisul, no Rio Grande do Sul, o modelo começa a ser adotado também pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
“Este ano, vamos migrar toda a nossa base de três milhões de clientes para o cartão com chip”, adianta o superintendente de segurança em TI do Banrisul, Jorge Krug. “O Brasil é o único país da América Latina a usar um certificado para esse tipo de operação.”
O cartão bancário com chip também possui uma certificação que possibilitará o uso de serviços de governo eletrônico (e-gov), na medida em que forem sendo oferecidos. Entre essas possibilidades, está a marcação de consultas na rede pública de saúde, o registro de empresa na Junta Comercial e a matrícula de crianças nas escolas, tudo pela Internet.
O Brasil é líder em tecnologia bancária graças ao desenvolvimento de soluções criativas para que o sistema financeiro desse conta de uma inflação que chegou a 81% ao mês na década de 90, antes da implementação do Plano Real, em 1994.
Além disso, o sofisticado e crescente volume de crimes e fraudes envolvendo o setor no país também explica por que o nível de segurança dos equipamentos de auto-atendimento e dos softwares de automação bancária estejam à frente dos de outros países.
“Hoje, alguns fraudadores que chegam a montar um equipamento na frente de outro para capturar os dados dos clientes”, aponta o diretor setorial de tecnologia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gustavo Roxo. “Por isso, é fundamental investir em processos de segurança mais rigorosos, como cartão com chip e biometria.”
O canal de auto-atendimento continua a ser o mais importante no país, sendo responsável por um terço de todas as transações bancárias realizadas. Em segundo lugar, está o Internet Banking, que já representa 18% do total.
As transações pela web também têm recebido atenção especial. O consultor em segurança Alexandre Freire revela que muitos bancos já estão adotando soluções de última geração de prevenção de fraude online nesses sistemas a partir de análise de riscos e desvio comportamental.
“Com o conjunto de informações e entendimento do comportamento do usuário, é possível barrar o criminoso mesmo que ele se autentique com suas credenciais verdadeiras para utilizar um sistema computacional”, explica Freire.
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