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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Escassez de combustível na Argentina

Pela primeira vez em três décadas, o país vai ter que importar gasolina

Por Ezequiel Vinacour para Inforsurhoy.com — 16/03/2010


							A Repsol YPF é a primeira empresa na Argentina a importar gasolina em três décadas. (Aizar Raldes / AFP / Getty Images)

A Repsol YPF é a primeira empresa na Argentina a importar gasolina em três décadas. (Aizar Raldes / AFP / Getty Images)

BUENOS AIRES, Argentina – A repentina escassez de combustível na Argentina durante os últimos dias levou a forte acusações entre as companhias petrolíferas e o governo da presidente, Cristina Kirchner.

Através do ministro do Planejamento, Julio de Vido, o governo criticou a Shell e a Petrobras pela escassez de combustível, acusando-os de liderar uma "campanha midiática" para criar "incerteza" entre os consumidores.

“Houve uma decisão tomada por essas empresas para refinar menos petróleo, a fim de causar uma situação de desabastecimento e forçar um aumento nos preços”, disse de Vido num comunicado divulgado pela agência de notíciasTélam.

O ex-secretário de Energia da Argentina, Gustavo Petracchi, no entanto, disse que a crise de combustível se centraliza no governo.

“Na Argentina, os investidores são perseguidos, se não são amigos do governo”, Petracchi comentou. “O coração do problema é que há anos não há uma expansão na capacidade das refinarias. Num clima de crescente demanda e preços controlados, isso acaba por evoluir para situações como a que vivemos atualmente.”

O presidente da empresa de consultoria Mezzadri & Associates, Francisco Mezzadri, concorda com Petracchi, dizendo ser inadequado para o governo suspender as exportações de petróleo bruto porque desincentiva o investimento estrangeiro.

“Desde 2004, o governo da Argentina impôs limites no preço do combustível, o que resultou na retração de investimentos em larga escala por empresas internacionais”, disse Mezzadri.

Mas o problema, explica Mezzadri, não termina aí. A Repsol YPF, que tem um comando de 57% do mercado de combustíveis do país, reforçou sua posição no setor, reduzindo os preços para minar a concorrência.

Mezzadri, no entanto, disse que os preços levaram a um problema ainda maior. O aumento da demanda superou a oferta, fazendo com que a empresa se torne a primeira do país a importar gasolina em 30 anos.

“Os incentivos que existem em outros países para explorar petróleo não existem na Argentina”, disse Mezzadri. “As empresas internacionais não querem investir em países que as controlem. E, com esse governo, há muito pouca previsibilidade.”

A falta de combustível faz com que os motoristas enfrentem racionamento e longas filas nos postos.

“Estou [esperando] há mais de meia hora para encher o tanque e, além disso, agora descobri que há racionamento de combustível”, disse o proprietário de uma empresa de iluminação, Pedro Stella. “Isso é muito ruim para um país que precisa crescer, como o nosso.”

A Rapsol YPF afirma que a falta de combustível é temporária. As refinarias Luján de Cuyo e La Plata não serão capazes de armazenar gasolina porque elas precisam de reparos, por isso a empresa decidiu importar 50 mil metros cúbicos de combustível, que representa cerca de 20% da produção mensal da Rapsol YPF.

“Parece que a importação de combustível da Rapsol YPF é um problema estrutural”, disse Mezzadri. “Mas essa é uma questão complexa. Acho que a tendência é que, à medida que os preços não refletem seus custos reais e o valor de mercado, isso vai criar problemas na Argentina em relação à propensão das empresas em investir na produção e no desenvolvimento.”


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