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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Brasil desenvolve tecnologia de ônibus movido a hidrogênio

Governo também estuda criação de um centro de desenvolvimento de novas tecnologias para carros híbridos e elétricos

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 06/07/2010


							Paulo Emílio de Miranda, coordenador do projeto do ônibus movido a hidrogênio na Coppe/UFRJ, explica que o novo ônibus é silencioso, não emite poluentes e só libera vapor d'água.  (Cortesia de Somafoto)

Paulo Emílio de Miranda, coordenador do projeto do ônibus movido a hidrogênio na Coppe/UFRJ, explica que o novo ônibus é silencioso, não emite poluentes e só libera vapor d'água. (Cortesia de Somafoto)

RIO DE JANEIRO, Brasil – O ônibus movido a hidrogênio pode se tornar o principal transporte público na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016.

O veículo, que é o primeiro projeto do gênero com tecnologia 100% brasileira, foi desenvolvido pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

O ônibus é um veículo híbrido, silencioso, que não emite poluentes e libera apenas vapor d'água. Tem autonomia de viagem de até 300 km sem recarga e é alimentado de forma híbrida, utilizando energia elétrica e energia produzida por meio de bateria alimentada com hidrogênio.

“O hidrogênio desempenhará no século XXI o mesmo papel que o petróleo no século XX”, comentou Paulo Emílio de Miranda, coordenador do projeto na Coppe, durante apresentação do novo ônibus no início deste ano.

Contrapondo-se ao petróleo, o hidrogênio “é menos poluente e fácil de se obter. É o futuro do transporte [público]”, acrescentou.

A partir deste mês, o protótipo percorrerá o campus da UFRJ para transportar professores e estudantes. Até o final do ano, o veículo será utilizado pela empresa Real no trajeto entre os aeroportos Santos Dumont e Antonio Carlos Jobim no Rio de Janeiro.

A companhia que irá fabricar os ônibus ainda não foi definida, mas Miranda adiantou que o modelo movido a hidrogênio custará de três a cinco vezes mais do que os tradicionais.

As autoridades brasileiras também estão engajadas na promoção do uso de carros elétricos.

Segundo a mídia, uma força tarefa, que inclui os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente, Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia, está estudando a redução de impostos para o programa de veículos elétricos que será apresentado ao governo federal. Atualmente, incide sobre os carros elétricos a maior alíquota do setor: 25%.

A força tarefa também recomenda a criação de um centro de desenvolvimento de novas tecnologias para motores e acessórios, incluindo carros híbridos.

As propostas seriam anunciadas pela força tarefa em 25 de maio, durante uma cerimônia oficial, mas o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou mais tempo para estudar e avaliar o plano, segundo a mídia.

Mas a assessoria de imprensa da Presidência informa que o projeto não foi apresentado formalmente ao presidente Lula, e que o grupo ainda está trabalhando na elaboração do plano.

“É carro elétrico aqui, carro elétrico ali, mas ninguém sabe se alguém irá produzi-lo em larga escala”, declarou Lula recentemente ao jornal O Estado de São Paulo.

O Brasil ainda está atrasado em termos de carros elétricos, comenta Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), organização sem fins lucrativos que promove a eficiência energética e fontes alternativas de energia.

“Veículos elétricos são muito discriminados no Brasil”, relata Buarque de Hollanda. “Os impostos são muito altos.”

Buarque de Hollanda ressalta que existe uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar ônibus elétricos, híbridos e trólebus.

“Mas a medida serve apenas para mostrar que existe”, critica Buarque de Hollanda. “São tantas as exigências que ninguém tem acesso ao crédito.”

Desde 1975, com o Proálcool, o Brasil encontrou no etanol uma alternativa para o petróleo. O programa ajudou não somente a reduzir as emissões de CO2 como também diminuiu a urgência de soluções de transporte movidas a eletricidade.

Assim, o governo tem focado em carros flex, que podem utilizar tanto etanol quanto gasolina.

“Hoje quase 100% dos carros vendidos no Brasil são flex”, disse Lula na abertura do Desafio Bibendum, evento organizado pelo fabricante francês de pneus Michelin no Rio de 30 de maio a 2 de junho para promover o uso de veículos com eficiência energética, segundo o jornal O Estado de São Paulo. “E 60% dos proprietários de carros preferem etanol, que se tornou definitivamente parte importante da matriz energética brasileira.”

Segundo Buarque de Hollanda, a prevalência do etanol no Brasil pode retardar, mas não impedir chegada de carros elétricos.

“Todas as inovações começam vagarosamente, mas, em dez anos, a penetração dos carros elétricos no mercado será grande.”

Buarque de Hollanda acredita que a preocupação das autoridades de que surja uma competição entre carros elétricos e o etanol é infundada e que o veículo híbrido é a melhor opção para os brasileiros.

“O híbrido trabalha com um gerador a bordo que fornece a eletricidade necessária para o motor”, diz Buarque de Hollanda. “O gerador pode trabalhar a diesel, hidrogênio ou outro biocombustível.”

A montadora Fiat criou uma frota experimental de 50 carros elétricos, juntamente com a Usina Binacional Itaipu e a empresa suíça KWO.

O modelo Palio Weekend flex da Fiat custa R$ 46 mil, enquanto o elétrico não sai por menos de R$ 150 mil, informou João Veloso Jr. assessor de comunicação da Fiat.

“A médio prazo, não pretendemos vender veículos elétricos no Brasil”, adiantou Veloso Jr. “Hoje os problemas são o custo da bateria (importada) e os altos impostos.”


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