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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Fazendeiros argentinos promovem "Rota do Queijo"

Produtores rurais apostam no turismo para gerar receitas.

Por Ignacio Moras para Infosurhoy.com—20/12/2010


							A Fábrica de Queijos Fermier oferece degustações de queijo e vinho aos que percorrem a "Rota do Queijo". (Cortesia da Rota do Queijo)

A Fábrica de Queijos Fermier oferece degustações de queijo e vinho aos que percorrem a "Rota do Queijo". (Cortesia da Rota do Queijo)

SUIPACHA, Argentina – Bem no interior da província de Buenos Aires, região famosa pela criação de gado leiteiro de primeira, turistas amontoam-se para seguir a "Rota do Queijo".

O projeto, que custa aos interessados cerca de US$ 37 (R$ 62) para fazer um tour de oito horas e meia, durante o qual experimentam os queijos locais e descobrem como são produzidos, é uma ideia genial dos criadores de gado e fazendeiros de Suipacha, cidade de 10.000 habitantes a cerca de 130 quilômetros de Buenos Aires.

O passeio inclui visitas a fábricas onde o queijo é produzido, uma plantação de marmelo, uma fazenda de ovelhas, uma pousada e uma propriedade rural especializada na produção de derivados de carne de javali.

"O projeto começou como uma iniciativa da Sociedade Rural de Suipacha e dos fabricantes de queijo, principalmente para colocar seus produtos no centro das atenções", disse Nicolás Alessandro, coordenador do projeto e guia turístico. "Depois, nós adicionamos outras peças à excursão, como a plantação de marmelo, os produtos de carne de javali, os hotéis e gastronomia."

Alessandro acompanha os visitantes aos pontos de parada, onde responde a perguntas, enquanto os donos das fábricas explicam o processo de manufatura antes de oferecer amostras grátis.

A Rota do Queijo começou em 2008, no auge da crise da agricultura e de criação de gado.

"A iniciativa surgiu em resposta a um momento crítico", disse Alessandro. "Queríamos tornar a atividade comercial de nossa região mais dinâmica, após o conflito entre o governo e os agricultores, que teve efeitos negativos na comunidade e levou a uma crise e à estagnação da economia."

A comunidade lucrou com a "Rota do Queijo"


							Marcelo Lizziero, proprietário da fábrica de queijos Cabaña Piedras Blancas, disse que a “Rota do Queijo” tem grande potencial. (Cortesia da Rota do Queijo)

Marcelo Lizziero, proprietário da fábrica de queijos Cabaña Piedras Blancas, disse que a “Rota do Queijo” tem grande potencial. (Cortesia da Rota do Queijo)

"Esse projeto de 'miniturismo' oferece trabalho legítimo a 35 pessoas, sem falar nos negócios que capta com o afluxo de turistas, o que significa um benefício para todos", disse Marcelo Lizziero, dono da fábrica de queijos Cabaña Piedras Blancas, uma das paradas ao longo da rota. "Conseguimos colocar nossa cidade no mapa do turismo, onde não aparecia antes de 2008."

O passeio atraiu hordas de apreciadores da gastronomia nacional, que ficaram impressionados com sua qualidade.

O circuito, que é gratuito para menores de 12 anos, pode ser percorrido nos veículos dos produtores, mas os clientes também podem ir em seus próprios carros.

Amostras das delícias produzidas na região são uma cortesia durante todo o tour, que também oferece almoço acompanhado de vinho.

O passeio acontece sete dias por semana, começando sempre às 10h da manhã, e existem diversos hotéis na região para quem preferir passar a noite em Suipacha.

"Atraímos um público de classe média que gosta desse tipo de turismo e traz dinheiro para nossa cidade, estimulando a prosperidade econômica de Suipacha", disse Lizziero.

Lizziero disse ainda que a "Rota do Queijo" não gera grandes lucros, uma vez que as receitas são partilhadas entre todos os envolvidos no projeto, mas está satisfeito porque traz uma exposição positiva para a indústria.

"O passeio custa cerca de US$ 37 (R$ 62) e, com isso, tenho de cobrir as despesas com almoço, guia turístico e funcionários que trabalham no projeto", contabilizou Lizziero, que se recusa a revelar o total dos lucros. "Comparado com a totalidade do nosso negócio, o projeto de turismo é apenas uma pequena porcentagem dos ganhos, mas não é isso que nos propusemos a fazer, pelo contrário, a ideia era estimular o crescimento da Suipacha."

"Ainda não vejo um lucro claramente definido", afirmou Daniel Rigabert, dono da fábrica de queijos Fermier, outra parada obrigatória da "Rota do Queijo". "Mas com o tempo, seremos capazes de avaliar como a publicidade gerada pelo projeto reforçou as vendas, o que é muito estimulante."

A "Rota do Queijo" como forma de educar o público


							Os turistas podem testemunhar todas as etapas da produção do queijo, entre as quais a mistura da coalhada na fábrica de queijo Cabaña Piedras Blancas. (Cortesia da Rota do Queijo)

Os turistas podem testemunhar todas as etapas da produção do queijo, entre as quais a mistura da coalhada na fábrica de queijo Cabaña Piedras Blancas. (Cortesia da Rota do Queijo)

Rigabert acredita que a "Rota do Queijo" conseguirá promover os queijos artesanais, levando os consumidores a comprar esses produtos depois de fazerem o tour.

"Na Argentina, as pessoas precisam conhecer melhor os queijos [locais], e acho que essa iniciativa é uma maneira direta de educar o consumidor", afirmou Rigabert.

Os que fazem o passeio são unânimes em destacar a qualidade dos produtos apresentados, a paisagem e o excelente conhecimento dos guias turísticos.

"O passeio é muito agradável, especialmente para os amantes de queijo", atestou Diego Milne, de 31 anos, que veio de Buenos Aires para participar do passeio com a esposa. "A qualidade dos produtos aqui, o ar fresco do campo e ver como eles fazem o queijo torna esse passeio muito interessante."

"A gentileza do guia e a organização são outros pontos altos", acrescentou Milne. "Eles nos tratam com respeito, e isso torna a viagem inesquecível."

A popularidade da "Rota do Queijo" não para de crescer, disse Alessandro.

"Esse foi um ano excelente para nós", comemorou ele. "Começamos recebendo de 20 a 30 pessoas em um ou outro fim de semana, e no mês passado [novembro] já estávamos recepcionando grupos de 180 pessoas."

Em 2011, espera-se que esses números cresçam ainda mais com um grande impulso em abril, quando a Exposição Provincial da Indústria do Leite terá lugar na sede da Sociedade Rural de Suipacha.

“Ano que vem, nosso desafio será aumentar os pontos de parada na rota, para mostrar novos estabelecimentos, aumentar a qualidade do atendimento prestado, o profissionalismo em cada esfera e apresentar aspectos culturais e históricos que até agora não fomos capazes de proporcionar", arrematou Alessandro.


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