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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Vagas abertas para pedreiro com ou sem experiência

Falta de mão-de-obra atinge 89% das empresas de construção civil e oportunidades para mulheres crescem no setor.

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 10/01/2012





				Atualmente, há 120 alunas nos cursos gratuitos de pedreiro, carpinteiro de fôrma, pintor e eletricista do Projeto Mão na Massa. (Cortesia do Mão na Massa)

Atualmente, há 120 alunas nos cursos gratuitos de pedreiro, carpinteiro de fôrma, pintor e eletricista do Projeto Mão na Massa. (Cortesia do Mão na Massa)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Cansada de se desdobrar em serviços como operadora de caixa e manicure para ganhar um salário mínimo (R$ 622), Danielle de Oliveira de Souza, de 32 anos, resolveu investir numa nova carreira há dois anos.

Danielle se inscreveu num curso do projeto Mão na Massa, que oferece qualificação em construção civil para mulheres desde 2007, no Rio de Janeiro.

Danielle começou como eletricista em uma construtora carioca e, há dois meses, foi promovida para encarregada de obras. Seu rendimento já soma quatro salários mínimos.

“Nunca faltou trabalho”, diz Danielle. “Quando resolvi parar um pouco para construir uma casa de dois andares para minha mãe, sugiram quatro propostas em menos de um mês”, conta ela, que não resistiu a uma oferta e ficou devendo um andar à mãe.

A boa fase econômica, os investimentos públicos em infraestrutura e habitações populares e as obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 aqueceram o mercado de construção civil no Brasil. O setor representa 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 21,2% do PIB da indústria, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

Setor cresceu 4,8% em 2011

A construção civil cresceu 4,8% no país em 2011, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Cerca de 250 mil vagas foram criadas de janeiro a outubro de 2011. Para 2012, a CBIC estima um crescimento ainda maior, de 5,2%.

O projeto Mão na Massa, que é patrocinado pela Petrobras, vem aproveitando este boom para colocar mulheres neste setor dominado por homens.

Dirigido a mulheres de baixa renda, de 18 a 45 anos, e que tenham cursado no mínimo até o 5º ano do ensino fundamental, o programa já qualificou mais de 300 operárias.

Atualmente, há 120 alunas nos cursos gratuitos de pedreiro, carpinteiro de fôrma, pintor e eletricista.

“Quando começamos a idealizar o Mão na Massa, já sabíamos que era um mercado interessante, mas esperávamos o momento em que ele estivesse mais aquecido”, diz a psicóloga Norma Sá, coordenadora do projeto, executado pela Federação de Instituições Beneficentes (FIB) e pelo abrigo Maria Imaculada.

Falta de vestiário feminino é problema

O salário é o mesmo para homens ou mulheres, segundo Norma. Para a coordenadora do Mão da Massa, o único problema enfrentado pelas mulheres é a falta de um vestiário próprio.





				O projeto Mão na Massa aproveitou o boom na construção civil para colocar mulheres no setor, que é tradicionalmente dominado por homens. (Cortesia de Ana Branco/Mão na Massa)

O projeto Mão na Massa aproveitou o boom na construção civil para colocar mulheres no setor, que é tradicionalmente dominado por homens. (Cortesia de Ana Branco/Mão na Massa)

“Só podemos empregá-las em obras que ainda não começaram, porque podem construir um vestiário feminino. Naquelas em andamento, só tem masculino”, explica Norma.

Preconceito elas também tiram de letra.

“No início, os homens brincam, dizendo para a gente arrumar emprego em casa de família. Mas, quando se dão conta de que trabalhamos como eles, passam a nos respeitar”, diz Telma Cristina Viegas Ribeiro, 43, carpinteira de fôrma formada pelo projeto em 2009.

Antes do curso, Telma trabalhava numa cabine de estacionamento, ganhando pouco mais de um salário mínimo. O atual salário dela é de até R$ 1.400.

A falta de trabalhador qualificado é um problema para 89% das empresas da construção civil – 94% delas têm dificuldade em encontrar profissionais como pedreiros e serventes, segundo uma sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC.

José Carlos Martins, vice-presidente do CBIC, diz, no entanto, que o mercado já está se adaptando para driblar as dificuldades com o pessoal.

“Há um investimento maior em tecnologia”, diz Martins. “Em contrapartida, as inovações exigem mais pessoas qualificadas, recebendo melhores salários e usando equipamentos mais caros.”

“A procura pelos cursos aumentou tanto que resolvemos investir em duas novas unidades”, afirma Roberto da Cunha, Supervisor Técnico do Centro de Referência em Construção Civil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/RJ), que oferece 6.000 vagas por ano para cursos – gratuitos ou de baixo custo – na construção civil.

A próxima unidade, chamada de Senai Rodrigues Alves, será inaugurada em fevereiro de 2012 no bairro de Santo Cristo, onde a prefeitura do Rio está realizando o projeto Porto Maravilha, de revitalização da Zona Portuária da cidade. Serão abertas 1.200 vagas.

A outra unidade é o Canteiro Escola da Indústria da Construção Civil, que será inaugurada em maio na Zona Oeste do Rio e terá mais 1.000 vagas.

Vagas de escola técnica são sorteadas

A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), ofereceu 3.461 vagas na área de construção civil em 2011. A procura é grande e o acesso é por meio de sorteio público no site da fundação.

O rendimento dos trabalhadores da construção civil também cresceu.

Em novembro de 2011, a remuneração mensal média no setor foi 3,4% maior do que no mesmo mês de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O menor salário, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), é o de servente e contínuo, R$ 869. Mestre de obra começa ganhando R$ 2.745,80, semelhante a muitas carreiras que exigem curso superior.

Ainda assim, há quem prefira continuar trabalhando como autônomo.

“Já tive carteira assinada como eletricista, mas acho que o rendimento por conta própria é maior”, diz o autônomo Valdemir Gonçalves Pires, 52. “Achei que cobrava um preço razoável pelos serviços, mas outro dia vi uma tabela publicada num jornal com os valores atuais e me dei conta de que ainda estava baixo.”


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