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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Cenário de filmes de sucesso nos últimos anos, o Rio de Janeiro tenta se firmar na rota das produções cinematográficas estrangeiras.

Por Daniela Oliveira para Infosurhoy.com – 01/05/2012


				O blockbuster “Amanhecer – Parte 1” (2011) foi filmado em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro. Nesta cena, os protagonistas Robert Pattinson e Kristen Stewart jogam xadrez em Angra dos Reis. (Cortesia da Summit Entertainment)

O blockbuster “Amanhecer – Parte 1” (2011) foi filmado em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro. Nesta cena, os protagonistas Robert Pattinson e Kristen Stewart jogam xadrez em Angra dos Reis. (Cortesia da Summit Entertainment)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Além de capital esportiva – com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 –, o Rio de Janeiro está se tornando a capital latino-americana do cinema.

Mais de 80 produções estrangeiras foram rodadas no Rio em 2011, incluindo filmes para cinema, televisão e publicidade, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Os blockbusters “Amanhecer – Parte 1” e “Velozes e Furiosos 5: operação Rio” estão entre as produções que tiveram a cidade como cenário em 2011, depois de “Rio: o filme” (2010) e “O incrível Hulk” (2008), para citar outros recentes.

As duas megaproduções do ano passado renderam para o Rio US$ 5 milhões em menos de duas semanas de filmagens, em diárias de hotéis, salários de produtores locais e demais prestadores de serviço.

A meta para 2012 é um crescimento de 10% no número de produções estrangeiras, de acordo com a RioFilme, empresa da Prefeitura do Rio de Janeiro que visa desenvolver a indústria audiovisual carioca.

Para alcançar este objetivo, a RioFilme está investindo R$ 2 milhões até o fim do ano para apresentar a cidade em festivais internacionais e encontros das indústrias do cinema e da publicidade.

“A promoção do desenvolvimento da indústria audiovisual carioca é um compromisso de longo prazo”, afirmou o prefeito Eduardo Paes, em coletiva de imprensa da Secretaria de Cultura. “Trata-se de uma das vocações econômicas e culturais do Rio, que pode e deve ser potencializada. A relação do cinema com a cidade é um caso de amor antigo.”


				Mais de 80 produções estrangeiras foram rodadas no Rio de Janeiro em 2011, incluindo filmes para cinema, televisão e publicidade, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine).  A meta da RioFilme é aumentar este número em 10%. (Reprodução)

Mais de 80 produções estrangeiras foram rodadas no Rio de Janeiro em 2011, incluindo filmes para cinema, televisão e publicidade, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine). A meta da RioFilme é aumentar este número em 10%. (Reprodução)

Foi na cidade do Rio, que, no final do século XIX, foram realizadas as primeiras sessões de cinema no Brasil. Desde então, iniciaram-se vários ciclos de produção e das 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro no país, segundo dados da agência Investe Rio, 19 títulos são provenientes da cidade.

Além da RioFilme, o Rio de Janeiro tem outro representante em feiras internacionais: a Rio Film Commission, órgão vinculado aos governos do estado e do município do Rio.

“Apresentamos a Cidade Maravilhosa e outras do interior do estado, como Paraty, Búzios, Angra dos Reis e Barra do Piraí, ao mercado internacional”, diz o presidente da Rio Film Commission, o norte-americano Steve Solot, que mora no Brasil desde os anos 80. “Durante os festivais, temos reuniões com estúdios e produtoras para falar sobre as vantagens de se filmar aqui.”

Na agenda de Solot, estão os festivais de Cannes, Buenos Aires, Toronto, além do American Film Market (EUA) e do Fórum Egeda do Audiovisual Ibero-Americano, no Panamá.

Em março, Solot ciceroneou o premiado diretor franco-britânico Roland Joffé, de “A missão” (1986), e “Gritos do silêncio” (1984). Joffé estuda a possibilidade de filmar no Rio, ainda em 2012, trechos do seu próximo longa “In God we trust”, uma produção que deve envolver Brasil, Itália e Canadá.

“Eu me encontrei com Joffé e executivos da produtora responsável para mostrar possíveis locações”, diz Solot. “Eles têm um orçamento de US$ 30 milhões e estimam gastar US$ 5 milhões na cidade.”

Cartão de descontos

Para atrair mais produções estrangeiras, a Rio Film Commission seguiu o exemplo de Nova York e lançou, em dezembro de 2011, um cartão que proporciona descontos em restaurantes, hotéis, bares e no aluguel de equipamentos.

Quando uma produção internacional chega ao país para filmar, ela precisa estar associada a uma produtora carioca, para facilitar seus trabalhos e fomentar a indústria local.

“É ótimo ser parceiro de uma produção estrangeira, pois isso capacita nossos profissionais e aumenta a visibilidade da cidade no mundo. Mas os incentivos ainda são poucos e a burocracia atrapalha”, diz o produtor Roberto Bakker, da Zohar Cinema, considerado um dos mais experientes em produções estrangeiras.


				Presidente da Rio Film Commission , o norte-americano Steve Solot divulga o Rio de Janeiro em festivais internacionais. (Cortesia de Rio Film Commission/Vânia Laranjeira)

Presidente da Rio Film Commission , o norte-americano Steve Solot divulga o Rio de Janeiro em festivais internacionais. (Cortesia de Rio Film Commission/Vânia Laranjeira)

Bakker diz que o alto custo de vida no Rio de Janeiro tem atrapalhado: “Os preços estão absurdos. E também precisamos ser mais flexíveis e rápidos na agilização de vistos e transporte de equipamentos”.

A competição entre países é muito acirrada, segundo as produtoras cariocas, e os incentivos para a filmagem são cada vez mais atraentes no exterior.

“O Brasil carece de incentivos significativos”, diz Solot. “A taxa de câmbio desfavorável penaliza, fazendo com que os serviços fiquem relativamente caros, comparados à Argentina, Colômbia e México.”

A Rio Film Commission tem se esforçado para mudar essa situação. Em 2012, o órgão está oferecendo R$ 1 milhão para produções estrangeiras.

Esta verba será dividida entre as produções selecionadas pela Rio Film Commission, que leva em conta os potenciais de comercialização do filme e de promoção do Rio.

Já a Ancine está coordenando um grupo de trabalho que busca criar políticas nacionais de incentivo fiscal e financeiro para a realização de produções estrangeiras em locações nacionais.

“A experiência bem-sucedida de países como França, Coreia do Sul, México e Irlanda na atração de produções internacionais demonstra que não existe incompatibilidade entre uma grande produção local e produções internacionais”, explica Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine. “Na verdade, esses dois fatores se complementam e ajudam a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da indústria audiovisual local.”


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