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Nos últimos 12 meses a delinquência no meu país:
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BUENAVISTA TOMATLÁN, México – O Exército mexicano patrulhou as ruas do estado de Michoacán, no oeste do país, em 22 de maio, para melhorar a segurança numa região atormentada pelos cartéis de drogas. Cerca de 4.000 soldados e fuzileiros e 1.000 policiais federais foram enviados ao estado. (Alfredo Estrella/AFP)

BUENAVISTA TOMATLÁN, México – O Exército mexicano patrulhou as ruas do estado de Michoacán, no oeste do país, em 22 de maio, para melhorar a segurança numa região atormentada pelos cartéis de drogas. Cerca de 4.000 soldados e fuzileiros e 1.000 policiais federais foram enviados ao estado. (Alfredo Estrella/AFP)

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Chile: Ano do Bicentenário marcado por provações

Terremotos, mineiros presos e um novo presidente marcaram os 12 meses que mudaram o Chile para sempre.

Por Paulina Andrade para Infosurhoy.com—30/12/2010


				O mineiro preso Luis Urzúa canta o hino nacional com o presidente chileno,
					Sebástian Piñera, após chegar à superfície como o último dos 33 mineiros a ser
					resgatado da mina de San José, em Copiapó, em 13 de outubro. (Hugo
					Infante/Governo do Chile/Divulgação/Reuters)

O mineiro preso Luis Urzúa canta o hino nacional com o presidente chileno, Sebástian Piñera, após chegar à superfície como o último dos 33 mineiros a ser resgatado da mina de San José, em Copiapó, em 13 de outubro. (Hugo Infante/Governo do Chile/Divulgação/Reuters)

SANTIAGO, Chile – Para o jovem casal chileno Ángel Pérez, 21 anos, e Valeria Acevedo, 22, 2010 “foi um ano muito intenso” e, ao menos para eles, saber que esperam um filho foi "a melhor notícia".

“Graças a Deus o bebê nascerá em 2011”, brincou Valeria.

“Terremotos ou tsunamis são coisas que, como país, precisamos aprender a conviver e superar”, disse Pérez.

Valeria disse que em 2010, ano do bicentenário do país, os chilenos encontraram uma forma de se unir ante a adversidade.

“Na minha rua havia muita gente que não se conhecia”, contou Valeria. ”Mas depois do terremoto, começamos a nos preocupar uns com os outros, e isso continua até hoje.”


				O presidente do Chile, Sebastián Piñera, acena para seus simpatizantes após
					desfile durante a cerimônia de posse na cidade de Valparaíso em março de 2011.
					Ele substituiu Michelle Bachelet, que deixou a presidência com uma das taxas de
					aprovação mais altas na história do país. (Marcos Fredes/Reuters)

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, acena para seus simpatizantes após desfile durante a cerimônia de posse na cidade de Valparaíso em março de 2011. Ele substituiu Michelle Bachelet, que deixou a presidência com uma das taxas de aprovação mais altas na história do país. (Marcos Fredes/Reuters)

Um dos terremotos mais devastadores da história, junto com marcos como o presidente Sebastián Piñera sucedendo a popularíssima Michelle Bachelet, o resgate sem precedentes dos 33 mineiros presos e um bom desempenho na Copa do Mundo deram ao Bicentenário do Chile um destaque inesperado.

O terremoto de magnitude 8,8, seguido do tsunami que castigou boa parte da costa chilena, teve seu epicentro próximo da cidade de Concepción, na Região VII.

Rolando Silva, de 51 anos, empregado de um fundo de compensação, atribuiu o terremoto e o tsunami de 27 de fevereiro à “má sorte”.

“Embora eu saiba que o Chile é um país sujeito a desastres naturais, os eventos de 27 de fevereiro de 2010 foram muito impressionantes, especialmente porque os chilenos de outras regiões puderam acompanhar ao vivo tudo que aconteceu no sul", disse Silva.

O ano tem sido uma "prova de fogo" para o Chile sobre “como lidar com situações de diferentes tipos", disse Marcelo Cerda, de 25 anos, um líder escoteiro em Santiago.

“Como nunca antes em nossa história, essa sequência de acontecimentos nos deu a oportunidade de melhorar em vários aspectos", afirmou Cerda. “Também nos deu a chance de nos reorganizar como nação.”


				Torcedores do Chile comemoram a vitória de sua seleção contra a Suíça na
					Copa do Mundo. (Denis Balibouse/Reuters)

Torcedores do Chile comemoram a vitória de sua seleção contra a Suíça na Copa do Mundo. (Denis Balibouse/Reuters)

Os analistas concordam.

“O ano de 2010 pode ser encarado como um fenômeno complexo, impossível de ser analisado de um único ângulo", disse Eduardo Santa Cruz, um analista de comunicação e cultura da Universidade do Chile em Santiago. “As atividades do Bicentenário – algumas planejadas desde 2000 – que representariam um passo definitivo rumo ao progresso do Chile, foram prejudicadas pela tragédia. Esses eventos conferem a 2010 uma sensação épica.”

Para as crianças, entender a série de eventos foi a parte mais difícil, disse Macarena Rivas, uma professora de jardim de infância de 29 anos de Las Condes, um subúrbio de Santiago.

“[Após o terremoto], ficou claro que todas as crianças precisavam respirar", disse Macarena sobre seus alunos. “Eles estavam com um alto nível de ansiedade, mas também preocupados com o bem-estar de seus coleguinhas.”

“No caso dos mineiros, oramos por eles todos os dias”, contou Macarena. “Quando o resgate estava iminente, cada uma das crianças enviou uma carta e um desenho aos mineiros, uma forma de os alunos se conectarem com aquela realidade.”

Santa Cruz disse que a perseverança demonstrada pelos chilenos em 2010 reforça sua identidade nacional.

“Os chilenos acreditam que estão condenados a reconstruir coisas constantemente”, disse o analista.

O ano teve também os seus momentos de glória, incluindo a equipe de resgate libertando os 33 mineiros presos perante uma audiência global de cerca de um bilhão de pessoas e a seleção do país chegando às oitavas-de-final antes de perder para o Brasil.

“O resgate dos mineiros na mina de San José mostrou o ‘jeito chileno’”, disse Claudio Rolle, historiador e professor da Universidade Católica do Chile. “[Quer dizer], um certo orgulho na maneira como fazemos as coisas.”

O resgate dos 33 mineiros presos na mina de ouro e cobre de San José foi uma oportunidade rara para mostrar ao mundo a competência dos profissionais chilenos, disse a bibliotecária Paula Muñoz, de 60 anos.

“[O resgate] foi uma oportunidade para o Chile se abrir para o mundo”, afirmou Paula. “Nós mostramos que temos profissionais de primeiríssimo nível nesse país.”


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