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CIDADE DO MÉXICO – A exposição itinerante “Forças Armadas, Paixão em Servir o México” permite aos cidadãos conhecer mais o trabalho, os equipamentos e armamentos utilizados pelas instituições militares do país. Acima, soldados ensinam crianças a fazer uma descida vertical durante a passagem da exibição pela Cidade do México, em março. (Daniel Higa para Infosurhoy.com)

CIDADE DO MÉXICO – A exposição itinerante “Forças Armadas, Paixão em Servir o México” permite aos cidadãos conhecer mais o trabalho, os equipamentos e armamentos utilizados pelas instituições militares do país. Acima, soldados ensinam crianças a fazer uma descida vertical durante a passagem da exibição pela Cidade do México, em março. (Daniel Higa para Infosurhoy.com)

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Nos bastidores da Polícia Militar

Reality show do AfroReggae sobre a rotina policial mostra o trabalho de dois sargentos combatendo o crime no Pará e no Rio de Janeiro.

Por Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com — 12/03/2012


							Sgt. Silvano (à esquerda) e Sgt. Dantas são os protagonistas de “Papo de Polícia 2”, um reality show sobre a rotina policial no Pará e no Rio de Janeiro. (Cortesia do AfroReggae)

Sgt. Silvano (à esquerda) e Sgt. Dantas são os protagonistas de “Papo de Polícia 2”, um reality show sobre a rotina policial no Pará e no Rio de Janeiro. (Cortesia do AfroReggae)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Uma arma na mão e uma bíblia na outra. Assim vive o sargento da Polícia Militar do Pará Silvano Oliveira, de 40 anos.

De manhã, ele carrega um fuzil e entra no Barreiro, uma das comunidades mais violentas da capital do Pará, Belém.

À noite, Silvano volta à mesma favela segurando uma bíblia, abre a Igreja do Evangelho Quadrangular Templo da Vitória e prega para os fiéis.

Mesmo quando o Sgt. Silvano vira o Pastor Silvano, ele não larga a pistola, que esconde sob o paletó, no bolso traseiro da calça.

“Há oito anos, pensei em abandonar a polícia”, diz Silvano, que faz parte da tropa de elite paraense, a Rotam (Ronda Tática Metropolitana). “Não entendia como poderia continuar a segurar uma arma e uma bíblia.”

O sargento decidiu continuar com a jornada dupla, mas trabalhava angustiado.

“Em 2009, fui chamado para fazer parte do grupo PMs de Cristo”, lembra. “Estudei, refleti e entendi que ser policial é também uma função sacerdotal.”

É assim, prendendo bandidos e pregando a palavra de Deus, que o sargento aparece no reality show brasileiro “Papo de Polícia 2”, que estreia em 12 de março, às 21h15m, no canal por assinatura Multishow.

O programa mostra o cotidiano de policiais em oito episódios, sete deles passados no estado do Pará e um na cidade do Rio de Janeiro.

A primeira temporada foi estrelada por um policial civil, Beto Chaves. Nesta segunda, Sgt. Silvano divide a cena com outro protagonista, Sgt. Sérgio Dantas, 44.

Na PM do Rio de Janeiro há 24 anos, Sgt. Dantas faz parte do Batalhão de Operações Policiais (Bope), grupo de elite que ganhou fama no cinema ao ser retratado nos filmes “Tropa de Elite” 1 e 2.


							O diretor estreante, José Júnior, entre os dois policiais protagonistas, Sgt. Silvano (à esquerda) e Sgt. Dantas.  “Não teve roteiro, não teve segredo. Nós saímos filmando tudo o que acontecia”, diz Júnior. (Cortesia do AfroReggae)

O diretor estreante, José Júnior, entre os dois policiais protagonistas, Sgt. Silvano (à esquerda) e Sgt. Dantas. “Não teve roteiro, não teve segredo. Nós saímos filmando tudo o que acontecia”, diz Júnior. (Cortesia do AfroReggae)

Nas horas vagas, ele é triatleta e maratonista.

Assim como Sgt. Silvano, Sgt. Dantas também teve dúvidas sobre a carreira policial.

“Numa operação no Morro do Cantagalo, na década de 90, eu estava na frente, quando um amigo pediu para trocar de lugar comigo. Ele argumentou que era mais velho e experiente, mas acabou sendo baleado. Tomou um tiro no meu lugar!”, lembra Sgt. Dantas. “Parei para pensar no que estava fazendo da minha vida. Mas, depois, vi que essa é a minha missão.”

INo último episódio, o único filmado no Rio, Sgt. Dantas sobe as ladeiras do Morro do Fallet, no bairro de Santa Teresa, região central da cidade, e enaltece as mudanças pelas quais aquela e outras comunidades vêm passando desde 2008, com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Produzido pelo AfroReggae

A favela é um cenário bem familiar para a ONG que produziu o reality show, AfroReggae, que trabalha com jovens de comunidades carentes.

Todos os cinco câmeras que filmaram “Papo de Polícia 2” cresceram em favelas. Dois deles são ex-traficantes do Complexo do Alemão: Diego Santos, conhecido como Mister M., 26, e Juscelino Vitorino, 25.

Vitorino aparece chorando num dos episódios, depois de ouvir um comandante da PM do Pará falar sobre as dificuldades da vida. Na cena, o ex-traficante abraça o policial.

“Na véspera, eu tinha conversado com amigos no hotel sobre como tinha sido minha vida até ali e como ela estava mudando”, diz Vitorino. “Ao ouvir as palavras bonitas de um policial, me emocionei. Ele parecia meu pai falando comigo.”

Durante os 15 dias que passou no Pará, o câmera teve a oportunidade de conviver com o Sgt. Dantas. Os dois lembraram de confrontos do Bope com traficantes no Complexo do Alemão e chegaram a uma conclusão: já estiveram em lados opostos, trocando tiros.


							Alesandro Chechena (à esquerda) e Juscelino Vitorino são dois dos cinco câmeras que filmaram “Papo de Polícia 2”. Todos os cinco cresceram em favelas. (Cortesia do AfroReggae)

Alesandro Chechena (à esquerda) e Juscelino Vitorino são dois dos cinco câmeras que filmaram “Papo de Polícia 2”. Todos os cinco cresceram em favelas. (Cortesia do AfroReggae)

Adrenalina e reflexão

O reality show alterna momentos de reflexão, como estes com Vitorino, com momentos de intensa adrenalina, como os que mostram Dantas e Silvano enfrentando sequestros, assaltos a banco e tráfico de drogas.

Eles participam até mesmo de uma operação com a polícia montada em búfalos, na Ilha de Marajó, no Pará. O batalhão da ilha é o único no Brasil que utiliza esses animais, ganhando assim agilidade nos terrenos alagados da região.

As duplas jornadas são uma curiosidade à parte, como no caso do soldado Ronald, que deixa a farda e pinta o rosto para assumir sua outra profissão, a de palhaço e malabarista.

Uma noite de violência

O coordenador do AfroReggae, José Júnior, estreou como diretor em “Papo de Polícia 2”.

“Não teve roteiro, não teve segredo. Nós saímos filmando tudo o que acontecia”, disse o diretor estreante, depois da exibição do programa para convidados na sede da ONG, na Lapa, no Centro do Rio, em 7 de março.

Ex-comandante geral das UPPs e atual chefe do Estado Maior administrativo da Polícia Militar, o Coronel Robson Rodrigues, 48, foi conferir a pré-estreia do “Papo de Polícia 2”.

“A proposta do programa é interessante porque, ao revelar os bastidores da ação policial, desmistifica uma série de questões envolvendo a polícia”, diz o coronel, que também é antropólogo. “O programa mostra o lado mais humano. E mostra como o trabalho do policial é difícil.”

Na mesma noite, enquanto o AfroReggae lançava o programa com festa na Lapa, a favela de Vigário Geral, onde a ONG tem um dos seus núcleos, foi invadida por traficantes da facção criminosa Comando Vermelho.

Vigário Geral tem sido dominada pela facção Terceiro Comando nos últimos anos, e a invasão foi uma mostra de que a situação continua pesada nas favelas que ainda não foram pacificadas.


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