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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Internet revela nova geração de músicos

De Norte ao Sul do Brasil, artistas usam rede para divulgar trabalho.

Por Thiago Borges para Infosurhoy.com – 06/04/2012


				Direto do Pará, Gaby Amarantos difunde sua produção tecnobrega pela internet. Na foto, ela canta em um show em Belo Horizonte, Minas Gerais. (Cortesia de Gaby Amarantos)

Direto do Pará, Gaby Amarantos difunde sua produção tecnobrega pela internet. Na foto, ela canta em um show em Belo Horizonte, Minas Gerais. (Cortesia de Gaby Amarantos)

SÃO PAULO, Brasil – Seja qual for o ritmo, a nova música brasileira compartilha suas batidas massivamente na internet.

Sem contratos com grandes gravadoras, novos artistas usam a rede mundial de computadores para divulgar sua produção.

“O upload criou uma relação direta entre público e artista”, diz João Marcello Bôscoli, produtor e presidente da gravadora Trama. “Em um laptop, há mais tecnologia do que os Beatles jamais conheceram.”

Criada em 2002, a Trama lançou mais de 3.000 discos e revelou milhares de artistas, como Otto e Max de Castro.

Na rede social da gravadora, mais de 75.000 cantores e bandas liberaram o acesso a suas músicas. Caso se tornem conhecidos, poderão faturar fazendo shows pelo país e no exterior.

Essa escalada virtual começou entre 2002 e 2003, segundo Bôscoli. Mas, a partir de 2008, com o barateamento do acesso à banda larga, o compartilhamento gratuito da produção musical brasileira pela internet se acentuou radicalmente.

Morador da periferia de São Paulo, Emicida se tornou conhecido a partir de 2006 por seus improvisos em vídeos gravados pelo público durante batalhas de rappers e postados na internet.


				“Antes da internet, o artista precisava se associar a alguma grande gravadora para divulgar sua obra”, diz João Marcello Bôscoli, da gravadora Trama, que compartilha na internet conteúdos de mais de 75.000 cantores e bandas liberado. (Cortesia da Rogério Alonso)

“Antes da internet, o artista precisava se associar a alguma grande gravadora para divulgar sua obra”, diz João Marcello Bôscoli, da gravadora Trama, que compartilha na internet conteúdos de mais de 75.000 cantores e bandas liberado. (Cortesia da Rogério Alonso)

Em 2011, Emicida gravou novos raps e videoclipes, foi entrevistado pela mídia, venceu as categorias Artista do Ano e Clipe do Ano do prêmio Video Music Brasil da MTV, ganhou um programa na emissora, cantou nos festivais Rock in Rio e SWU, no Brasil, e no Coachella, nos Estados Unidos.

Em 2011, Emicida gravou novos raps e videoclipes, foi entrevistado pela mídia, venceu as categorias Artista do Ano e Clipe do Ano do prêmio Video Music Brasil da MTV, ganhou um programa na emissora, cantou nos festivais Rock in Rio e SWU, no Brasil, e no Coachella, nos Estados Unidos.

Os quatro clipes oficiais de Emicida somam mais de 5 milhões de acessos no YouTube, mas o artista estima que mais 50 milhões de pessoas assistiram a algum vídeo com ele.

O rapper paulistano Terra Preta segue os passos do colega e tem seis videoclipes, 40 músicas na rede e mais de 4.000 downloads registrados.

Apesar de ser conhecido no hip hop, Terra Preta quer conquistar quem não é do meio e passa o dia nas redes sociais conversando com mais de 21.000 fãs.

O esforço já está dando resultados.


				Emicida, que venceu o Video Music Brasil da MTV nas categorias artista e clipe do ano, trouxe o rap de volta à cena musical brasileira e já cantou no festival Coachella, nos Estados Unidos. (Cortesia de Emicida)

Emicida, que venceu o Video Music Brasil da MTV nas categorias artista e clipe do ano, trouxe o rap de volta à cena musical brasileira e já cantou no festival Coachella, nos Estados Unidos. (Cortesia de Emicida)

Durante a entrevista de Terra Preta ao Infosurhoy.com, a música “Transando a noite inteira”, divulgada três horas antes, estava entre os assuntos mais comentados no Twitter.

“Vou trabalhar bastante porque tudo muda rapidamente na internet”, diz Terra Preta, que pretende lançar uma nova música ou clipe a cada três semanas até julho, quando seu primeiro CD fica pronto.

Diversidade sonora

Além do rap, outros ritmos ganham cada vez mais notoriedade via internet: do indie rock de A Banda Mais Bonita da Cidade, de Curitiba (PR), ao funk carioca dos Avassaladores.

E ainda há o capixaba Silva, que, com cinco músicas de estilo alternativo na web, chamou a atenção de gravadoras e já prepara seu primeiro álbum para o segundo semestre.

Som da Amazônia

Há 10 anos, Gaby Amarantos canta tecnobrega, um ritmo de letras melódicas, com influências indígena e caribenha, e batidas eletrônicas.


				“As pessoas deveriam aproveitar essa facilidade do nosso tempo para fazer a música em que acreditam”, opina Silva, que, com cinco músicas lançadas na web, chamou a atenção de gravadoras e já prepara seu primeiro álbum. (Cortesia de Silva)

“As pessoas deveriam aproveitar essa facilidade do nosso tempo para fazer a música em que acreditam”, opina Silva, que, com cinco músicas lançadas na web, chamou a atenção de gravadoras e já prepara seu primeiro álbum. (Cortesia de Silva)

Mas Gaby ganhou mesmo projeção com “Tô solteira”, releitura tropical do hit “Single Ladies”. Com a música, ela ganhou o apelido “Beyoncé do Pará”, seu estado de origem, na Região Norte.

“A internet foi o grande divisor de águas da minha carreira”, ressalta Gaby, que tem 100 músicas para download em seu site. “Quando percebi, comecei a fazer produtos para a internet.”

Lançado há três meses e acessado mais de 300.000 vezes, “Xirley” foi o primeiro clipe profissional de Gaby para a rede.

Recentemente, ela pediu aos seus 37.000 seguidores no Twitter que postassem as piores coisas que já fizeram na vida. As respostas serviram de inspiração para a música “Eu não vou pro céu”.

A popularidade de Gaby está tão em alta que, em fevereiro, a rede de TV britânica BBC esteve em Belém, capital do Pará, para gravar um show de Gaby. A artista também foi notícia nos sites dos jornais The Guardian, de Londres, e Los Angeles Times.

Em abril, Gaby lança o CD “Treme”, cuja faixa principal será tema de abertura da nova novela da TV Globo, “Cheias de Charme”.

“Estou com a agenda frenética”, diz ela, que faz de 10 a 12 apresentações por mês e prepara uma turnê internacional. “Com certeza, é um momento novo para a música no Brasil.”


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