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BUENAVISTA TOMATLÁN, México – O Exército mexicano patrulhou as ruas do estado de Michoacán, no oeste do país, em 22 de maio, para melhorar a segurança numa região atormentada pelos cartéis de drogas. Cerca de 4.000 soldados e fuzileiros e 1.000 policiais federais foram enviados ao estado. (Alfredo Estrella/AFP)

BUENAVISTA TOMATLÁN, México – O Exército mexicano patrulhou as ruas do estado de Michoacán, no oeste do país, em 22 de maio, para melhorar a segurança numa região atormentada pelos cartéis de drogas. Cerca de 4.000 soldados e fuzileiros e 1.000 policiais federais foram enviados ao estado. (Alfredo Estrella/AFP)

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Paraguai enfrenta crescente onda de sequestros

Autoridades acreditam que recentes raptos indicam ligações de criminosos com as FARC

Por Marta Escurra para Infosurhoy.com – 16/12/2009


							O promotor do Paraguai Oscar Germán Latorre falou com o Infosurhoy sobre sequestro no país, afirmando que as FARC estão diretamente ligadas ao grupo de guerrilha paraguaia EPP. (foto por Marta Escurra para Infosurhoy.com)

O promotor do Paraguai Oscar Germán Latorre falou com o Infosurhoy sobre sequestro no país, afirmando que as FARC estão diretamente ligadas ao grupo de guerrilha paraguaia EPP. (foto por Marta Escurra para Infosurhoy.com)

ASSUNÇÃO, Paraguai – As notícias sobre o sequestro do fazendeiro Fidel Zavala, que está em cativeiro há dois meses, tem abalado novamente os paraguaios.

O rapto de Zavala no dia 15 de outubro elevou o número de sequestros com resgate no Paraguai para 20 desde 2001, quando o grupo de guerrilheiros, chamado Exército do Povo Paraguaio (EPP) começou o Movimento Pátria Livre. O grupo transformou-se em um partido político, mas alguns dos seus membros reorganizaram-se sob o nome de EPP.

Testemunhas da captura de Zavala disseram à televisão paraguaia que os raptores fizeram duas exigências: um resgate de US$ 5 milhões de dólares americanos e que não deveriam alertar a Policia Nacional.

Zavala, de 45 anos, foi raptado do seu rancho, Doña Mabel, em Hugua Nandú, no bairro de San Pedro, a 570 quilômetros ao norte de Assunção. Ele foi levado diante de seus empregados e conduzido no seu próprio veículo, que foi encontrado abandonado numa área remota.

Dois policiais, Victor Hugo Romero e Victor Manuel Martínez, foram gravemente feridos quando tentavam abrir o veículo. O acidente mostrou um novo lado do EPP – um lado de extrema violência. Nenhum dos agentes morreu na explosão, mas Martinez ainda se encontra na UTI.

“A situação pode se agravar”, disse Oscar Germán Latorre, o promotor geral da união, de 2000 a 2005. Latorre afirmou ainda que cerca de US$ 6 milhões de dólares americanos foram pagos em resgate desde 2001.

Latorre, responsável pela investigação dos primeiros raptos no Paraguai, foi designado para trabalhar nos sequestros de Maria Edith Bordón de Debernardi em 2001 e Cecilia Cubas em 2004.

“O EPP está ligado diretamente às FARC”, afirmou Latorre.

Em 2001, o EPP recebeu ajuda financeira das FARC para “treinamento” com vistas a seus primeiros sequestros, disse Latorre.

Documentos confiscados de um computador alegadamente de propriedade de Raúl Reyes, o segundo no comando das FARC, que foi morto pelas Forças Armadas Colombianas no dia 1 de março do ano passado, revelaram ligação com o EPP paraguaio.

“Eles sabiam sobre os sequestros de Maria Edith de Debernardi e Cecilia Cubas. Também falaram sobre paraguaios treinando nos campos das FARC”, Oswaldo Caceros, jornalista da seção judiciária do jornal paraguaio ABC Color. “As autoridades paraguaias têm esses documentos, que são a base para os mandados de prisão do grupo.

O caso de Cecilia Cubas

Cecilia Cubas, filha de Raúl Cubas – o presidente anterior do Paraguai – foi sequestrada em 2004. Os seus raptores pediram US$ 5 milhões de dólares americanos, mas somente US$ 300 mil foram pagos, porque a propriedade da família fora confiscada após o julgamento político de Cubas, em 1999, de acordo com Latorre. Mas inúmeras publicações da mídia alegam que a família pagou US$ 800 mil.

Cubas foi removido da presidência e fugiu para Curitiba (PR), no Brasil.

“Não nos preocupamos com o confisco", afirmou um dos e-mails enviados pelos sequestrados à família de Cubas.

Meses depois, após fazer um pagamento parcial, o corpo de Cecilia, 32, foi encontrado numa cova escondida em uma casa em Nemby, a cerca de 15 quilômetros de Assunção.

“Passei pelos piores momentos da minha vida em 2004, quando um grupo de criminosos, apoiados pelos terroristas colombianos, cruelmente raptou e matou minha querida filha Cecilia”, Mirtha Gusinki disse em uma mensagem transmitida pela televisão em 2008.

“No caso de Cecilia, o que mais me atingiu foi o desprezo pela vida humana”, disse Latorre. “Eles decidiram matá-la só para enviar a mensagem, um castigo pelas dificuldades durante a negociação.”

As investigações de Latorre resultaram na prisão de 12 envolvidos com o sequestro de Cubas, mas nove ainda não foram capturados, e seis estão em custódia na Argentina.

Zona de influência

O EPP opera nos estados de San Pedro e Concepcíon na zona norte do Paraguai. Em incursões da polícia nessas áreas, foram descobertos manuscritos atribuídos a Alcides Oviedo, um dos cabeças do EPP. As autoridades descobriram um “Manual do Sequestrador”, que descreve exatamente como Zavala foi raptado.

Oviedo continua preso pelo sequestro de Debernardi, mas Latorre acredita que “prisões não vão acabar com os sequestros, uma vez que os criminosos operam de dentro da prisão. A justiça deveria ser mais severa, e esses grupos deveriam ser aniquilados”.

Rafael Filizzola, Ministro do Interior, introduziu uma lei no Parlamento paraguaio autorizando “o uso de 5 bilhões de garantias – mais de US$ 1 milhão – para ser usado como recompensa para informações que possam ajudar nas soluções dos raptos”.

Além dessa lei e ignorando os apelos da família Zavala para não interferir, Filizzola ordenou a operação Triangle na zona norte do país, que cobre as cidades de Hungua Ñandú, Paso Barreto e Puentiesiño no mês passado, como medida para prevenir os sequestros. Até agora, a operação não produziu resultados.

Enquanto isso, Zavala continua no cativeiro, e sequer está claro se ainda está vivo.

Sua esposa, Paulina Zavala, segue otimista, tentando se comunicar com o marido por meio da mídia.

“Fidel, se você está assistindo”, disse em uma conferência de mídia. “Quero te dizer que te amamos muito e que somos fortes”.


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