Enquanto participam de negociações de paz com o governo colombiano, as Forças Armadas Revolucionári...
SANTIAGO, Chile – O Chile terá seu primeiro presidente conservador desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990.
O Partido da Renovação Nacional encerrou o reinado de duas décadas da liberal coalizão Concertación, quando Sebastián Piñera ganhou as eleições presidenciais ao derrotar Eduardo Frei numa disputa apertada no início dessa semana.
Sebastián Piñera, um empresário bilionário, inicia seu mandato de quatro anos no dia 11 de março, substituindo Michelle Bachelet, que está deixando o cargo com o mais alto índice de aprovação que qualquer outro presidente na história do país. A Constituição chilena, entretanto, impede que um presidente cumpra dois mandatos consecutivos.
Piñera, de 60 anos, faz parte da direita conservadora chilena e recebu cerca de 51,6% dos votos, contra os 48,3% de Frei, que foi presidente da nação de 1994 a 2000 pelo Partido Democrata Cristão.
“Vamos fazer um governo de unidade nacional, derrubar os muros que nos dividem e construir pontes de contato", disse Piñera, que é o primeiro presidente conservador eleito desde Jorge Alessandri em 1958.
Piñera criou "uma nova direita, que não nega o [papel do] estado ou proteção social", disse o sociólogo Eugenio Tironi, cujas opiniões políticas são de centro-esquerda.
“Com o triunfo de Piñera, a forma magistral em que reformulou a política chilena centro-direita e converteu-a em uma nova maioria política e cultural, é justificada", escreveu o colunista David Gallagher para o jornal El Mercurio.
Mas há também sinais de aviso indicando possíveis áreas de conflito.
O partido político de Piñera, que foi formado pelo Partido Nacional Renovador e pela União Democrática Independente, "tem um problema de governança [quando] enfrenta setores sociais [organizados]" como os sindicatos, alertou o professor de Ciência Política da Universidade de Santiago, Marcelo Mella.
Mas Mella também destacou que Piñera prometeu que "não haverá nenhuma regressão" na ampla política de proteção social estabelecida por Bachelet - um dos principais motivos por que ela tem tanta aprovação.
Mella disse que partidos de esquerda abandonaram as posturas radicais que tinham em 1960 e 1970 e que a direita não é mais associada às atrocidades contra os direitos humanos cometidas durante a ditadura de Pinochet.
Internacionalmente, Mella acredita que um governo de direita possa "prolongar situações de conflito" entre o Chile e países vizinhos, como a disputa com o Peru sobre as fronteiras marítimas ou a interminável procura da Bolívia por acesso ao Oceano Pacífico.
“A política chilena de direita não é latino-americanista", disse Mella.
Mas como o Chile vai lidar com a Venezuela e o presidente Hugo Chávez é uma outra questão.
"[Eu] tenho muitas diferenças com a maneira em que as questões políticas são tratadas na Venezuela", disse Piñera durante uma coletiva de imprensa com correspondentes da imprensa estrangeira. "Quero dizer muito claramente: essas diferenças são profundas e têm a ver com a maneira como a democracia é concebida e praticada [pelo governo do presidente Hugo Chávez].”
Piñera, entretanto, tem um importante aliado na Colômbia.
“[Piñera] é um bom amigo da Colômbia", disse o presidente colombiano Álvaro Uribe aos jornalistas. "Nós o parabenizamos."
Piñera fará seu primeiro teste de política externa como líder chileno quando, no dia 21 de fevereiro, no México, irá participar da Cúpula do Grupo do Rio ao lado de Michelle Bachelet, que o convidou, segundo o jornal La Nación.
Entretanto, a coalizão Concertación está cambaleando. Os partidos estão lidando com uma tensão interna, diante de um período de incertezas com a ameaça de "renovação ou desaparecimento", de acordo com a ex-porta-voz de Michelle Bachelet, Carolina Tohá, que liderou a campanha de Frei.
“[A Concertación] não pode continuar assim", disse Carolina. "Tem que se atualizar com a sociedade de hoje e recuperar algo que estava em suas origens e foi perdido, que é a capacidade de trabalhar na diversidade e no respeito, incluindo e ouvindo [o povo]. É assim que vamos voltar a ser maioria no Chile."
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