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CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

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FARC têm ligações com grupos terroristas islâmicos

Financiamento de terroristas islâmicos por traficantes de drogas sul-americanos se intensifica

Por Adriano Calle, para Infosurhoy.com - 01/02/2010


				Soldados colombianos entram em laboratório de processamento de cocaína em Tumaco, Colômbia. A missão militar destinava-se a destruir o laboratório que, de acordo com as autoridades, produzia 6 toneladas de cocaína por mês e pertencia às FARC. (Carlos Juan Martínez/AFP/Getty Images)

Soldados colombianos entram em laboratório de processamento de cocaína em Tumaco, Colômbia. A missão militar destinava-se a destruir o laboratório que, de acordo com as autoridades, produzia 6 toneladas de cocaína por mês e pertencia às FARC. (Carlos Juan Martínez/AFP/Getty Images)

BOGOTÁ, Colômbia – Fontes na Colômbia, nos Estados Unidos e em todo o mundo estão cada vez mais preocupadas com conexões entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e grupos terroristas islâmicos.

A captura de três africanos ligados à Al-Qaeda, acusados de tráfico de drogas e extraditados para os EUA, levantou suspeitas sobre esses possíveis vínculos.

Os homens, todos da República do Mali, foram localizados em dezembro último, em uma operação secreta do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e presos por ordem da Procuradoria do Distrito Sul de Nova York. De acordo com o jornal The New York Times, os três foram acusados de conspiração para o tráfico e o terrorismo. Os suspeitos afirmaram pertencer à seção norte-africana da Al-Qaeda, conhecida por Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM).

Para montar a armadilha, agentes à paisana se apresentaram como representantes das FARC e prometeram entregar cocaína na África, em troca da proteção da Al-Qaeda aos embarques.

Porta-vozes do DEA afirmaram que a operação demonstrou a existência de uma “sólida conexão” entre traficantes latino-americanos e organizações terroristas.

Já há anos, traficantes de drogas colombianos usam o oeste da África para exportar cocaína para a Europa, confirmou o chefe da polícia colombiana, o general Oscar Naranjo.

As FARC são financiadas pelo tráfico de drogas há pelo menos duas décadas. Estima-se que 40% do dinheiro nas mãos do grupo rebelde colombiano tenha origem na cobrança de taxas de traficantes, além da venda e exportação de cocaína, revelou uma fonte colombiana que será mantida anônima por razões de segurança.

“Um dos homens, mostram os documentos judiciais, disse para a fonte de cooperação do DEA que ‘a Al-Qaeda protegeria o embarque de cocaína das FARC de Mali para a Espanha, passando pelo norte da África e pelo Marrocos’”, afirma o relatório "DEA Uncovers Drug-Terror Nexus" ("DEA descobre vínculo drogas-terror"), publicado no dia 21 de janeiro pela Rede de Relações Internacionais e Segurança (ISN), com sede na Suíça.

O assunto preocupa cada vez mais os países africanos.

O secretário geral da Comunidade dos Estados Saarianos (CEN-SAD), Mohamed Al-Madani Al-Azhari, conclamou os países-membro do bloco a unir forças “contra a aliança emergente entre elementos ligados à Al-Qaeda e traficantes da região”.

Em discurso na reunião dos ministros das Relações Exteriores do CEN-SAD em Tripoli, Al-Azhari explicou à imprensa que “o tráfico de drogas vem aumentando em nossa região, particularmente o que tem origem na América do Sul, e há íntima colaboração entre traficantes e terroristas”.

Já há mais de um ano, os 28 países-membro do CEN-SAD tentam definir uma estratégia coletiva contra a ameaça territorial da Al-Qaeda, mas discordâncias no interior do bloco estão dificultando um acordo final. Nem todos os países africanos enfrentam da mesma forma o problema do narcoterrorismo, que os afeta de maneiras diversas.

O professor Philippe Hugon, especialista em assuntos africanos do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS, na sigla em francês), de Paris, explicou ao Infosurhoy.com que, “no Níger, o problema é a falta de qualquer controle do Estado sobre a região norte”.

“Isso possibilita a presença de grupos autônomos vinculados à Al-Qaeda nessa área, onde também há presença de drogas”, pontuou. “Além disso, há casos de estados africanos cujos governos estão ligados ao tráfico, como Guiné-Bissau e Guiné, onde o tanto o exército quanto políticos mantêm vínculos com traficantes. Isso já não ocorre, por exemplo, no Senegal ou na Nigéria.”

A prisão dos três africanos acusados de ligações com a Al-Qaeda é a terceira operação secreta em que o DEA usou o nome das FARC como isca.

As FARC são consideradas organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia.

O nome das FARC foi usado pela primeira vez na Espanha, em 2007, na operação de captura do traficante de armas sírio Monzer al-Kassar.

A segunda ocorreu em 2008 e levou à detenção do traficante de armas russo Viktor Bout, que está preso na Tailândia, aguardando extradição para a Rússia ou os EUA.

No mesmo ano, as autoridades colombianas prenderam árabes suspeitos, em uma importante operação antidrogas. Os três homens estavam envolvidos no financiamento ao grupo terrorista Hezbollah com recursos do tráfico de drogas.

Esse exemplo claro do uso do comércio ilegal de entorpecentes na Colômbia para financiar organizações terroristas islâmicas levou as autoridades colombianas a colaborar de modo cada vez mais estreito com governos menos experientes, para oferecer consultoria e compartilhar os conhecimentos especializados que acumulou em seus 20 anos de luta contra o tráfico e seus vínculos com grupos organizados que praticam terrorismo, como as FARC.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, confirmou, no último dia 27, que o país enviará um grupo de apoio para o Afeganistão, para oferecer consultoria na guerra contra as drogas, o terrorismo e o tráfico de armas. Bermúdez destacou os bons resultados de recentes políticas colombianas nessas áreas em conferência sobre o Afeganistão realizada em Londres em 28 de janeiro.

“Há comprovação de ligações das FARC com grupos criminosos do Oriente Médio, para onde seus integrantes já se deslocaram diversas vezes em busca de armas”, afirma uma fonte colombiana cuja identidade não será revelada por motivos de segurança.

Embora os vínculos financeiros entre o tráfico de drogas sul-americano e grupos islamitas tenham vindo à tona, especialistas da inteligência consultados pelo I nfosurhoy.com em Bogotá acreditam que, mesmo depois da operação liderada pela DEA na África em dezembro, ainda não há provas suficientes de conexões diretas entre as FARC e a Al-Qaeda.

Na semana passada, o embaixador dos EUA na Colômbia, William Brownfield, declarou em Washington que não vê, atualmente, “comprovação convincente de ligações diretas entre o Hezbollah e as FARC.”

Brownfield esclareceu, porém, que isso não significa que esses vínculos não existam ou não possam vir a existir. O embaixador acrescentou que autoridades norte-americanas têm identificado interesse de grupos islâmicos extremistas de “penetrar” em determinadas regiões da América Latina.

Desde 2000, as autoridades colombianas estão cientes de que passaportes roubados acabaram nas mãos de “grupos islâmicos fundamentalistas”, confirmou uma fonte colombiana em entrevista ao Infosurhoy.com.


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