Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
CONCEPCIÓN, Chile — As buscas por sobreviventes do terremoto continuam intensas, com equipes de resgate munidas de cães farejadores espalhadas pelas cidades chilenas dizimadas, à procura de sinais de vida. Quatro dias depois do tremor de 8,8 graus de magnitude que devastou o país, as forças armadas conseguiram controlar os saques e o surto de violência que emergiu em diversas áreas, horas depois do desastre natural. A presidente Michelle Bachelet pediu a seus compatriotas que se concentrem em colaborar com os esforços de ajuda e não se preocupem com o aparente desabastecimento de alimentos e combustível. “Não há risco de desabastecimento; temos alimentos em quantidade suficiente e precisamos nos manter calmos”, afirmou em entrevista à agência Reuters. “Também há bastante combustível.” Bachelet vem tentando manter a ordem com seu trabalho incessante e utilizando o exército na distribuição de assistência. Segundo a Reuters, o número de mortos, que chega a 799 de acordo com as últimas estatísticas do governo, deve aumentar na medida em que as equipes de resgate removerem os destroços das cidades afetadas pelo terremoto ou a tsunami, na região costeira. “Não tínhamos a mínima ideia do que estava acontecendo e só descobrimos porque algumas pessoas viram o mar crescer e fugimos para as montanhas”, disse à Reuters Isaac Lagos, morador de uma pequena vila de pescadores ao norte de Concepción, 115 km a sudesde do epicentro do terremoto.
Cidades mais afetadas pelo terremoto já têm energia
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou que a energia está voltando às cidades mais devastadas pelo terremoto que assolou o país em 27 de fevereiro, noticiou a agência Bloomberg. O desastre natural, que, segundo o governo chileno, destruiu 500 mil residências, causou grave interrupção no suprimento de eletricidade e paralisou o país. Parece, porém, que o pior já passou, e a energia voltou em Maule e Bio-Bio, as duas regiões que mais sofreram com o tremor, um dos mais fortes já documentados. “Em muitos casos, isso facilita o trabalho emergencial”, pontuou a presidente, em recente entrevista coletiva à imprensa. “Permite a retomada da distribuição de água potável e, o que é mais importante, deixa as pessoas mais confiantes.” Os esforços de resgate chilenos estão se concentrando no restabelecimento dos serviços básicos, como telecomunicações, entre outros, nas regiões atingidas pelo maior terremoto dos últimos 50 anos no Chile, segundo o ministro das Finanças do país, Andrés Velasco. “Nas últimas 24 horas, por meio de um enorme esforço, restabelemos progressivamente o abastecimento de água e energia e melhoramos as condições das telecomunicações nas regiões mais afetadas”, afirmou à Bloomberg.
Terremoto foi duro golpe para pesca e vinicultura do Chile
A tsunami que atingiu a cidade costeira de Talcahuano obrigou barcos de pesca com 50 toneladas de carga a se manter fora d'água, desperdiçando US$ 40 milhões de negócios com anchovas e sardinhas que são vitais para a economia do município. Segundo a Associated Press, o segmento do salmão também sofreu um golpe duro − o terremoto derrubou pontes e destruiu estradas fundamentais para o transporte da produção da indústria pesqueira do país. Além disso, o tremor devastou a indústria vinícola chilena, uma vez que cortes no suprimento de energia impossibilitaram a comunicação entre os diretores dos vinhedos e investidores estrangeiros e não lhes permitiram convocar funcionários para programar a colheita da uva. “É preciso levar as uvas do vinhedo para a vinícola, e não sei como estão as estradas”, disse à AP Mark Osmun, porta-voz da Jackson Family Wines, da Califórnia, proprietária da vinícola Viña Calina, na destruída região de Talca, a aproximadamente 105 quilômetros do epicentro do terremoto. Estima-se que a indústria vinícola chilena tenha sofrido prejuízos de US$ 500 milhões a US$ 600 milhões por causa do tremor, disse à Reuters o presidente do conselho da Câmara da Agricultura do país. De acordo com a AP, a estimativa inicial que a presidente Michelle Bachelet faz das perdas causadas pelo terremoto e pela tsunami é de US$ 30 bilhões.
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