Enquanto participam de negociações de paz com o governo colombiano, as Forças Armadas Revolucionári...
CARACAS, Venezuela – Várias cidades sofrem diariamente com apagões.
O governo ordena que empresas cortem os gastos de energia em 20%, caso contrário serão punidas com multas ou suspensões temporárias de energia.
Consumidores notam aumento nas contas de eletricidade.
Vários membros da equipe do presidente Hugo Chávez renunciam.
O Ministro da Energia Elétrica, Alí Rodríguez Araque, pede que a equipe de gestão da CORPOELEC (Corporação Elétrica Nacional da Venezuela) se demita, porque a empresa necessita de uma "administração melhor.”
Não pára de crescer a lista de problemas causados pela crise energética, que é resultado de uma das piores secas na história do país.
E a situação pode piorar ainda mais. Isso porque o baixo nível da água tem prejudicado a principal fonte de produção de energia do país – a represa Guri – fazendo com que a rede de energia fique propensa às quedas, devido à sua incapacidade de corresponder à crescente demanda de energia no país.
De acordo com Rodríguez, o nível da água que abastece a represa Guri tem caído até 15 centímetros por dia, atingindo o nível crítico de 240 metros acima do nível do mar.
O engenheiro elétrico Alexander Bueno, que também é professor na Universidade Simón Bolívar, adverte que, se a represa continuar a operar nas condições atuais, as turbinas poderão sofrer danos irreversíveis “a quantidade insuficiente de água fará com que as turbinas aspirem pedras, causando perfurações e outros danos.”
Bueno acrescentou: “Quando chegar a época das chuvas nós teremos água, mas não teremos turbinas”.
“Racionamentos e apagões devem continuar mesmo após o início das chuvas, o que, sem dúvida, afetará a economia e o crescimento do país,” escreveu num relatório recente Russ Dallen, do BBO Financial Services, em Caracas.
Bueno não sabe por quanto tempo a crise energética continuará.
“O racionamento de energia não necessariamente se traduz em economia, pois, com o retorno da eletricidade, retorna-se também o consumo de energia,” disse Bueno. “Minha solução é paralisar todas as atividades por um dia, especialmente as atividades industriais, responsáveis pelo consumo de mais de 40% da eletricidade do país, assim haveria uma queda de mais de 20% no [consumo] de energia.”
O vice-presidente do país, Elías Jaua, disse aos líderes sindicais das empresas do setor de utilidade pública do país que fosse implantado um sistema de coleta de sugestões sobre como melhorar o setor. As sugestões serão analisadas durante a reunião técnica do governo no começo de abril, quando se desenvolverá um plano que porá fim à crise.
No entanto, Bueno disse que o governo deveria considerar a possibilidade de importar energia, principalmente a oferta recente da Colômbia, que disse que venderia eletricidade ao seu vizinho.
“Comprar energia de Cuba não seria uma boa ideia, visto que tecnologicamente falando isto significaria dar um passo para trás,” disse ele. “[Nós também não deveremos comprar] energia do Equador, já que a Colômbia, nosso vizinho mais próximo, já se ofereceu em fornecê-la.”
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