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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Comida estragada na Venezuela causa revolta

Preços dos alimentos subiram 32% nos últimos seis meses, aponta pesquisa de jornal

Por María Fonseca Sevillano para Infosurhoy.com — 09/07/2010


							As quase 130 mil toneladas de comida estragada nos portos venezuelanos estavam para ser distribuídas pela PDVAL, uma rede estatal de mercados que vende produtos a preços pesadamente subsidiados.  (Juan Barreto/AFP/Getty Images)

As quase 130 mil toneladas de comida estragada nos portos venezuelanos estavam para ser distribuídas pela PDVAL, uma rede estatal de mercados que vende produtos a preços pesadamente subsidiados. (Juan Barreto/AFP/Getty Images)

MARACAIBO, Venezuela – A descoberta recente de 129.940 toneladas de alimentos deteriorados ou com prazos vencidos em contêineres em diversos postos do país provocou a ira dos venezuelanos.

Os alimentos eram importados pela rede estatal de suprimento Produção e Distribuição Venezuelana de Alimentos (PDVAL), criada pela administração do presidente, Hugo Chávez, para garantir a segurança alimentar do país, depois da greve nacional de 2002.

O povo tem sofrido nos últimos seis meses com o aumento dos preços dos alimentos em 32%, de acordo com o diário venezuelano Últimas Noticias, que realizou uma pesquisa em seis diferentes estabelecimentos de venda de alimentos em Caracas este ano.

“Como venezuelano, me sinto atingido de forma direta [por esse fato], porque os recursos dilapidados não se recuperam nunca mais”, disse Helder Durán, 35, professor universitário. “A corrupção e a incompetência deste governo são enormes e estão pondo em risco o futuro do nosso país.”

Durán disse não acreditar no sistema institucional venezuelano e que, provavelmente, nenhum funcionário do governo será responsabilizado pela enorme quantidade de comida estragada.

“Tenho certeza que este governo e seus partidários, a Assembleia Nacional, a Promotoria do Ministério Público, a Auditoria Fiscal do Estado e o Supremo Tribunal de Justiça não vão investigar ninguém, e provavelmente prenderão algum bode expiatório”, declarou.

Raúl Segovia, 29, jornalista, disse que não compra nos mercados PDVAL, mas aqueles que o fazem têm sido duramente atingidos “porque a escassez de produtos da cesta básica continua a ser um problema no país. Enquanto os políticos não assumirem suas responsabilidades, não poderemos sair desta crise.”

Segovia acha fundamental impor sanções àqueles que provocaram tanto desperdício de comida a uma nação onde milhares padecem de fome.

“[Deve-se] verificar quem são os responsáveis sem qualquer consideração, seja quem for que esteja envolvido”, declarou Segovia. “Não apenas os funcionários de nível médio devem pagar, mas também os do alto escalão.”

Entre os partidários de Chávez há os que revelam franqueza diante do escândalo.

“Sempre tivemos escassez de óleo, farinha, leite ou frango, e agora descobrimos que esses alimentos estavam em contêineres no porto”, declarou Martha, uma partidária de Chávez e membro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que fez declarações sob a condição de não ter seu sobrenome publicado. “Agora mesmo, não há óleo, e sabe-se que está sendo monopolizado pelas mesmas pessoas lá de dentro [do governo]. Então, o que está sendo feito?”

Martha, 34, revelou que o ministro da Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, também presidente da empresa estatal Petróleo da Venezuela (PDVSA) e supervisor do programa de segurança alimentar da PDVAL, é o responsável pela crise.

“Culpo Ramírez por tudo isso, porque ele está com responsabilidades acima do seu controle”, disse Martha, que se recusou a dar o sobrenome por temer que suas críticas provoquem retaliação. “Acho que os ministros devem ser vigiados.”

É difícil determinar os culpados na Venezuela, porque quem critica o governo é acusado de fazer parte da oposição, revelou Martha.

“Não acho que vai haver punição”, disse. “Acobertamos tudo aqui.”


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