Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
SANTIAGO, Chile – Alimentos, água, oxigênio e uma linha telefônica foram entregues aos 33 mineiros que estão presos sob cerca de 800 metros de rocha maciça na mina de ouro e cobre de San José.
Os mineiros, via cabo telefônico preso a um microfone, conseguiram falar pela primeira vez com o mundo exterior, enquanto se iniciam os preparativos da escavação para libertá-los, uma operação que pode durar quatro meses.
“Um deles pediu uma cerveja", disse o ministro chileno das minas, Laurence Golborne, à TV Chile. “Estão bem e com saúde. Não tiveram nenhum problema grave, a não ser umas dores de barriga e, obviamente, fome.”
Mas não está claro por quanto tempo os homens conservarão o bom ânimo, pois eles ainda não foram informados que o resgate pode demorar até 4 meses, segundo a BBC.
“Espera-se que a missão de resgate termine pouco antes do Natal", disse o engenheiro encarregado da operação, André Sougarret. "Faremos uma excavação vertical, o modo mais rápido de chegar lá, para podermos puxar os mineiros em uma cesta.”
Espera-se que a escavadeira avance 15 metros por dia, disse Sougarret.
Enquanto isso, foi cavado um terceiro furo para melhorar as condições de vida dos mineiros, informou o engenheiro.
"O primeiro furo será usado para acelerar a entrega de alimentos", explicou Sougarret. "O segundo é para nos comunicarmos com eles, e o terceiro é para melhorar a circulação de ar e a ventilação."
As autoridades chilenas estão buscando ajuda para lidar com a situação.
O ministro chileno da saúde disse que vai consultar a Agência Espacial Americana (NASA) sobre como manter a segurança e a saúde mental de pessoas confinadas em espaço apertado.
O ministério também vai pedir acesso a refeições de astronautas que possam ser facilmente entregues aos mineiros pelo estreito furo.
Os familiares dos mineiros foram instruídos pelas autoridades para não contar aos entes queridos que o resgate pode demorar quatro meses, segundo a BBC.
Os mineiros continuam a enviar cartas e mensagens através de um dispositivo apelidado de "o pombo", que trafega por um furo estreito.
“Dá para imaginar? Depois de 30 anos de casados, meu marido me envia uma carta de amor", diz Lilianett Ramírez, esposa de um dos mineiros presos, que está acampada do lado de fora da mina há dias. “Vou esperar [o tempo] que precisar para ver o meu marido de novo."
Os mineiros tornaram-se símbolo da capacidade de resistência do espírito chileno e motivo de orgulho nacional.
“Quando soube que estavam vivos, caí em prantos", disse Ana María Fuentealba, 30 anos, moradora de Santiago, capital do Chile. "Agradeci a Deus e me senti mais chilena do que nunca, orgulhosa da força e da coragem deles. Depois do terremoto, o meu país pode voltar a ser feliz por causa dos mineiros.”
“Que exemplo nos deram", disse Carolina Cafferena, 32, moradora de Santiago. "Eles sabem o significado das palavras confiança e esperança. Isso é um milagre. Deus está lá."
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