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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Rio de Janeiro: traficantes reagem ao sucesso das UPPs

Presença permanente nas favelas reduz espaço do tráfico e provoca queda no número de homicídios e balas perdidas.

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com – 29/11/2010


							Policial saúda bandeira brasileira no topo do Complexo do Alemão, no Rio, depois de a polícia ocupar a área em 28 de novembro. (Sergio Moraes/Reuters)

Policial saúda bandeira brasileira no topo do Complexo do Alemão, no Rio, depois de a polícia ocupar a área em 28 de novembro. (Sergio Moraes/Reuters)

RIO DE JANEIRO, Brasil – O coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante geral da Polícia Militar (PM) do Rio, garante que não é mera coincidência que o número de ocorrências envolvendo balas perdidas esteja em queda no estado do Rio de Janeiro.

“Com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a polícia começou a fazer operações mais articuladas, mas pautadas pela inteligência”, afirma o coronel, que esteve à frente da PM carioca entre 2007 e 2008. “Além de reduzir o número de operações, reduziu também a possibilidade de confronto e balas perdidas.”

Em 2007, foram registradas 279 ocorrências de bala perdida em todo o estado do Rio de Janeiro. Em 2009, foram 193 – uma queda de 30,82% –, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), que contabiliza os casos desde 2007.

No primeiro semestre deste ano, foram registrados 84 casos, contra 103 no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 18,44%.

As UPPs promovem a ocupação permanente das favelas do Rio pelas autoridades de segurança pública. A primeira comunidade a receber o programa foi o Dona Marta, em dezembro de 2008.


							Um policial segura um pacote de maconha durante operação no Complexo do Alemão, no Rio, em 28 de novembro. Forças policiais e militares ocuparam a área e invadiram casas em busca de traficantes no rastro de uma onda de crimes que matou pelo menos 46 desde 22 de novembro. (Bruno Domingos/Reuters)

Um policial segura um pacote de maconha durante operação no Complexo do Alemão, no Rio, em 28 de novembro. Forças policiais e militares ocuparam a área e invadiram casas em busca de traficantes no rastro de uma onda de crimes que matou pelo menos 46 desde 22 de novembro. (Bruno Domingos/Reuters)

Atualmente são 12 UPPs em operação.

A próxima será instalada ainda este ano no Morro dos Macacos, onde em outubro do ano passado um helicóptero da PM foi derrubado por traficantes durante confronto, matando dois policiais. O episódio foi destaque na mídia nacional e internacional.

A redução no número de balas perdidas é consequência de uma tendência ainda maior no Rio de Janeiro: a queda dos casos de homicídios.

“A taxa de homicídios no estado caiu bastante nos últimos quatro anos”, afirma o sociólogo e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Gláucio Soares. “Isso com certeza tem a ver com a atual política de segurança pública que inclui a instalação de UPPs. Certamente a redução dos conflitos entre bandidos e bandidos, bandidos e polícia ajudou a reduzir o número de balas perdidas.”

O número de homicídios dolosos caiu de 7.122, em 2006, para 5.793, em 2009 – uma redução de 18,66%.

O ano de 2008 foi o que registrou a menor quantidade de casos desde 1991: 5.717. No primeiro semestre deste ano, foram 2.552 – 20,20% a menos que no mesmo período do ano passado, que registrou 3.198 casos.


							Policial prende suposto traficante em operação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de novembro. (Bruno Domingos/Reuters)

Policial prende suposto traficante em operação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de novembro. (Bruno Domingos/Reuters)

Redução é resultado de nova política de segurança pública

Mas a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro diz que diversas ações da política de segurança do governo de Sérgio Cabral, iniciado em 2007, contribuíram para a redução no número de homicídios e balas perdidas.

“As UPPs tiraram das mãos de bandidos armas de guerras de letalidade que chega a 2 km de distância”, disse a secretaria por meio de sua assessoria de imprensa. “Foi criada uma divisão de homicídios e um programa de metas para a polícia.”

O programa de metas pressupõe que cada Região Integrada de Segurança Pública (RISP) persiga uma determinada taxa de redução de crimes como homicídio doloso, roubo de veículos e de rua (transeuntes, coletivos e celular). Os números são analisados a cada seis meses.

O estado está divido em sete RISPs: Capital (regiões Sul, Centro e Norte), Capital (Oeste), Baixada, Niterói e Região dos Lagos, Sul Fluminense, Norte Fluminense, e Região Serrana.

Os policiais civis e militares da RISP que alcançarem as metas são contemplados com premiações de R$ 500 cada. Os policiais que integrarem a região com os melhores resultados recebem um prêmio de R$ 1.500.


							A instalação das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio de Janeiro provocou a queda das taxas de homicídio no estado. (Bruno Domingos/Reuters)

A instalação das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio de Janeiro provocou a queda das taxas de homicídio no estado. (Bruno Domingos/Reuters)

O salário dos policiais militares depende da patente, mas o mínimo é de R$ 1.200, segundo a assessoria de imprensa da PM.

A nova divisão de homicídios tem 200 policiais especializados que trabalham oito horas diárias e não mais em regime de turnos. O expediente regular dá maior velocidade e eficiência às investigações, já que o policial não deixa o caso parado até o seu próximo plantão, explica a secretaria.

Mas a nova estratégia de segurança do Rio de Janeiro não foi suficiente para poupar a vida de Fabiana Fernandes Ferreira no início do ano.

A nutricionista, então com 31 anos, foi atingida na cabeça por uma bala perdida na cozinha de seu apartamento no bairro de Santa Teresa.

O filho único de Fabiana, de 11 anos, foi quem encontrou a mãe baleada. Ele está em tratamento psicológico desde então.

O prédio onde Fabiana morava era uma herança de família compartilhada entre três irmãos – cada um morava num andar. O pequeno edifício fica numa área rodeada de favelas, nenhuma com UPP, conta o irmão de Fabiana Flávio Fernandes Ferreira, 38 anos.

“Os conflitos lá são constantes porque cada morro pertence a uma facção rival”, diz Ferreira. “Eles atiram a esmo. O prédio próximo ao nosso está com 60% dos apartamentos vazios.”


							Soldados da Marinha patrulham ruas na Vila Cruzeiro, no Rio, depois de supostos traficantes de drogas atacarem delegacias de polícia e queimarem carros. (Sergio Moraes/Reuters)

Soldados da Marinha patrulham ruas na Vila Cruzeiro, no Rio, depois de supostos traficantes de drogas atacarem delegacias de polícia e queimarem carros. (Sergio Moraes/Reuters)

Guerra ao tráfico de drogas

A progressiva perda de espaço pelos traficantes como resultado da implantação das UPPs é apontada por analistas e pelo próprio governo do Rio de Janeiro como uma das principais causas da recente onda de ataques iniciada no estado.

Em 21 de novembro, seis homens armados incendiaram dois carros na Linha Vermelha, umas das vias expressas mais movimentadas da capital. Desde então até 26 de novembro, 96 veículos foram queimados.

A Secretaria de Segurança Pública reagiu à altura.

Com apoio de seis veículos blindados da Marinha, as forças de segurança invadiram a favela de Vila Cruzeiro, onde teriam se unido os traficantes que fugiram das áreas em que foram instaladas as UPPs.

Polícia tomou conta da Vila Cruzeiro em 25 de novembro


							Policiais patrulham Complexo do Alemão para garantir que moradores estejam a salvo depois de as forças de segurança invadirem a região para dar fim à onda de violência que tomou conta da cidade na semana passada. (Sergio Moraes/Reuters)

Policiais patrulham Complexo do Alemão para garantir que moradores estejam a salvo depois de as forças de segurança invadirem a região para dar fim à onda de violência que tomou conta da cidade na semana passada. (Sergio Moraes/Reuters)

Na tarde de 25 de novembro, os policiais tomaram o controle da Vila Cruzeiro. Nesse mesmo dia ocorreu uma das cenas mais impressionantes desde a nova onda de ataques: câmeras da Rede Globo registraram o momento em que dezenas de bandidos fugiram correndo da Vila Cruzeiro com destino ao Complexo do Alemão, um grupo de 12 favelas conhecido como “Faixa de Gaza Carioca”.

Traficantes presos que teriam comandado a série de ataques de dentro da cadeia foram transferidos para presídios federais em outros estados.

De 22 a 26 de novembro, 82 pessoas foram presas, 124 detidas e 35 mortas nas operações das forças de segurança contra o tráfico no Rio, afirmou a Polícia Militar.

A cruzada do governo estadual contra o tráfico agora tem um novo aliado, diz sociólogo Gláucio Soares.

“A população está cansada e está cooperando com a polícia”, afirma. “Aumentou muito o número de pessoas denunciando e, em função disso, também a quantidade de bandidos presos.”

Na Vila Cruzeiro, os moradores receberam as forças de segurança com tecidos brancos e cartazes pedindo paz.

O Exército, a Força Aérea e a Polícia Federal somaram esforços com as forças de segurança do Rio para tomar o controle do Complexo do Alemão em 28 de novembro. Os 2.600 homens, que invadiram o local ao amanhecer, restabeleceram a ordem em apenas duas horas – e com reduzido confronto – na comunidade de 150.000 habitantes.

O governador, Sérgio Cabral, disse em 29 de novembro que o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro terão sua UPP em até sete meses, de acordo com o website G1.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgaram notas oficiais em 25 de novembro declarando apoio às ações de combate aos atos de violência na cidade, que será sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e palco da final da Copa do Mundo de 2014.

E os resultados obtidos no Rio de Janeiro com o modelo das UPPs inspiraram o governo federal a planejar programa similar para todo o país.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou que pretende instalar 2.883 unidades do gênero no Brasil, segundo o jornal Folha de São Paulo.


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