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CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

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Peru proporciona educação bilíngue para indígenas

Governo investe mais de US$ 3 milhões por ano na iniciativa.

Por Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com—14/12/2010


							A professora Emma Franco Saldaña disse que é importante para os estudantes aprenderem sua língua nativa porque isso contribui para a preservação de sua identidade. (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

A professora Emma Franco Saldaña disse que é importante para os estudantes aprenderem sua língua nativa porque isso contribui para a preservação de sua identidade. (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

LIMA, Peru – O programa Educação Intercultural Bilíngue do Ministério da Educação do Peru visa assegurar que os estudantes indígenas e descendentes de indígenas, andinos e amazônicos, recebam educação em suas línguas nativas e em espanhol.

Heriberto Bustos Aparicio, diretor geral do Educação Intercultural, Bilíngue e Rural, disse que o programa atende 25% dos três milhões de estudantes que necessitam de educação bilíngue.

O programa, criado com base na Lei de Educação Geral nº 28044, foi implantado em 2003, durante o mandato do ex-presidente Alejandro Toledo Manrique.

Mas a lei deriva dos anos 70, quando o quíchua se tornou a segunda língua oficial do Peru, depois do espanhol.

Bustos Aparicio disse que seu departamento aloca anualmente US$ 2,1 milhões (R$ 3,5 milhões) para o projeto, mas o orçamento total do programa chega a US$ 3,1 milhões (R$ 5,2 milhões) porque recebe fundos adicionais de outros departamentos do Ministério da Educação.

“Existem limitações para o Educação Intercultural Bilíngue porque faltam professores e organizações regionais que possam supervisionar o processo educacional, já que o Ministério da Educação é um órgão regulador, não executivo", argumentou ele.

“Precisamos de mais participação das autoridades para saber se estamos avançando”,

Bustos Aparicio adicionou mais uma dificuldade – que aos poucos vem sendo superada – que é o desinteresse dos pais em incentivar as crianças a serem educadas em suas línguas nativas.

No Peru, existem 43 línguas andinas e amazônicas, das quais apenas 13 foram normatizadas pelo Ministério da Educação, o que quer dizer que contam com um alfabeto e literatura disponível para estudo e pesquisa.

Os estudantes do programa Educação Intercultural Bilíngue precisam receber o mesmo ensino dos estudantes do sistema de educação regular básica do país.


							“É muito legal aprender shipibo”, disse Kelly Lucila Cauper Souza, de 9 anos. “Aprendo em casa com meus pais e meus seis irmãos.” (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

“É muito legal aprender shipibo”, disse Kelly Lucila Cauper Souza, de 9 anos. “Aprendo em casa com meus pais e meus seis irmãos.” (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

Bustos disse que o programa abrange a pré-escola, para crianças de 3 a 5 anos, e o ensino fundamental, dos 6 aos 11 anos, Os professores dão aulas de acordo com um método elaborado para cada idioma nativo ensinado.

“O professor aplica a metodologia apropriada", disse Bustos Aparicio. “Se a comunidade fala quíchua, a primeira língua de instrução será o quíchua, e o espanhol será ensinado como segunda língua."

Educação na língua shipibo

“Foi o próprio povo shipibo que teve a ideia de criar uma escola bilíngue", disse Emma Franco Saldaña, uma das sete professoras da Instituição Educativa Comunidade Shipibo, no distrito de Rímac, província de Lima.

A escola tem 150 alunos de 3 a 9 anos, dos quais 41 fazem parte da comunidade shipibo residente na área.

Emma disse que a criação da escola foi discutida em 2003 mas só foi oficializada em 2007, com as aulas começando um ano depois.


							Heriberto Bustos Aparicio, diretor geral do Educação  Intercultural, Bilingue e Rural, disse que os resultados do programa serão avaliados em março de 2011. (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

Heriberto Bustos Aparicio, diretor geral do Educação Intercultural, Bilingue e Rural, disse que os resultados do programa serão avaliados em março de 2011. (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

A maioria dos 22.500 shipibos no Peru vive nas regiões de Loreto, Ucayali, Madre de Dios e Huánuco, de acordo com o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatística e Ciências da Informação (INEI) em 2007. O censo registrou um total de aproximadamente 333.000 pessoas vivendo nas comunidades indígenas naquele ano em todo o país.

“Só temos ensino até o terceiro ano, e é exatamente nessa série que existem mais crianças que precisam ser educadas em seu próprio idioma e aprender o alfabeto shipibo, que tem 19 letras", disse Emma.

A escola começou com jardim da infância e primeiro ano em 2008 e foi acrescentando uma série a cada ano. O período diário de aulas é de cinco horas para os mais novos e seis para os mais velhos. O currículo prevê uma hora de aula de shipibo por dia para todos os estudantes.

“É difícil aprender a língua shipibo,” disse Roberto Huayta Tamayo, aluno do terceiro ano, com 9 anos de idade. “É mais fácil falar do que escrever.”


							“É difícil aprender a língua shipibo,” disse Roberto Huayta Tamayo, aluno do terceiro ano, com 9 anos de idade. “É mais fácil falar do que escrever.” (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

“É difícil aprender a língua shipibo,” disse Roberto Huayta Tamayo, aluno do terceiro ano, com 9 anos de idade. “É mais fácil falar do que escrever.” (Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com)

Emma disse que um dos principais êxitos do programa é que seus estudantes, que falam, escrevem, recitam poesias e cantam na língua nativa, conseguem se integrar melhor na comunidade shipibo.

Ela acrescentou que é fundamental que o Ministério da Educação avalie os resultados do programa.

“Precisamos de mais participação das autoridades para saber se estamos avançando”, disse Emma. “Assim, podemos fazer as modificações e correções necessárias.”


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