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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Dilma Rousseff prestes a assumir o comando do Brasil

Primeira presidente do país será empossada em 1º de janeiro em Brasília.

Por Marcos Giesteira e Nelza Oliveira para Infosurhoy.com—29/12/2010


							Dilma Rousseff, a primeira presidente eleita na história do Brasil, será empossada em 1° de janeiro com 58% dos brasileiros dizendo que seu governo será tão bom quanto o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo pesquisa recente. (Cortesia de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Dilma Rousseff, a primeira presidente eleita na história do Brasil, será empossada em 1° de janeiro com 58% dos brasileiros dizendo que seu governo será tão bom quanto o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo pesquisa recente. (Cortesia de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

BRASÍLIA, Brasil – Depois de dois ensaios gerais – até com a participação de dublês dos eleitos – está tudo pronto para a cerimônia de posse da primeira presidente da história do Brasil, Dilma Rousseff (PT), e de seu vice, Michel Temer (PMDB).

O evento, que terá início às 14h de 1º de janeiro, deverá reunir cerca de 20.000 pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, conforme cálculos da equipe encarregada do cerimonial.

Às 14h, Dilma Rousseff parte em carro aberto – em caso de chuva, será carro fechado – da Catedral Metropolitana até o Congresso Nacional. Após a chegada na sede do Legislativo, às 14h30, Dilma e Temer serão empossados diante de 1.700 convidados – deputados federais, senadores, membros do Judiciário, ministros, representantes estrangeiros e parentes.

Após a solenidade de posse no Congresso, Dilma fará o primeiro discurso no novo cargo, marcando o início de nova jornada no governo federal: de ministra-chefe da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente da maior nação da América do Sul.

Por volta das 16h30, Dilma segue no carro presidencial, um Rolls Royce modelo Silver Wraith Formal Cabriolet conversível, de 1953, para o Palácio do Planalto, sede do Executivo.

A pedido de Dilma, o protocolo do cerimonial será alterado. A presidente eleita solicitou que o veículo oficial não tivesse na frente e ao lado as tradicionais escoltas de cavalos e motos, para ter a visão mais livre e ficar mais perto da população.

Os 37 cavaleiros dos Dragões da Independência, como é conhecido o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG) do Exército, seguirá atrás do carro reserva, que será usado em caso de emergência e que irá atrás do Cadillac com o vice-presidente eleito e sua esposa, Marcela Tedeschi Temer.


							A cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, e de seu vice-presidente, Michel Temer, deve reunir 20.000 pessoas em Brasília em 1° de janeiro. (Cortesia de Valter Campanato/ABr)

A cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, e de seu vice-presidente, Michel Temer, deve reunir 20.000 pessoas em Brasília em 1° de janeiro. (Cortesia de Valter Campanato/ABr)

Outra diferença é que Dilma não terá a companhia de familiares no cortejo. Como não é casada, optou por percorrer o trajeto sozinha. Também por solicitação da primeira mulher eleita presidente do Brasil, sua segurança terá um toque mais feminino. Entre os 36 agentes da Polícia Federal que irão acompanhar o deslocamento de Dilma, 6 policiais mulheres estarão na linha de frente.

E esse não será o único percurso em que Dilma será acompanhada por mulheres: 9 dos 37 nomeados para o primeiro escalão do governo são mulheres.

“Ela quer mostrar que o tempo das mulheres chegou”, disse Ricardo Ismael, professor de sociologia e política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). “O ministério da Dilma é o que apresenta o maior número de mulheres na história da República Brasileira.”

Um dos momentos mais emocionantes da história política do Brasil deve ocorrer pouco antes das 17h, quando Dilma subirá a famosa rampa da sede do Palácio do Planalto e receberá a faixa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro de Dilma e Lula terá como trilha sonora a música “Tema da Vitória”, que marcou a celebração das vitórias do piloto Ayrton Senna na Fórmula 1.

Do alto de seu novo local de trabalho, de frente para a Praça dos Três Poderes, Dilma fará o segundo discurso do dia. Em seguida, dará posse a seus 37 ministros.

Convidados especiais serão recepcionados das 18h30 às 21h em coquetel no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.

Até 27 de dezembro, 47 autoridades governamentais, a maioria da América Latina e da África, já haviam confirmado presença, incluindo os presidentes José Mujica (Uruguai), Laura Chinchilla (Costa Rica), Fernando Lugo (Paraguai), Álvaro Colom (Guatemala), Mauricio Funes (El Salvador), Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela).


							O ensaio com dublês dos eleitos, em 26 de dezembro, apresentou as mudanças solicitadas pela presidente eleita, Dilma Rousseff, ao tradicional cerimonial de posse. (Cortesia de José Cruz/ABr)

O ensaio com dublês dos eleitos, em 26 de dezembro, apresentou as mudanças solicitadas pela presidente eleita, Dilma Rousseff, ao tradicional cerimonial de posse. (Cortesia de José Cruz/ABr)

Os Estados Unidos serão representados pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e a Argentina, pelo chanceler Héctor Timerman. O Príncipe Felipe de Borbón, da Espanha, também confirmou presença.

Cerca de 3.000 pessoas deverão trabalhar na cerimônia – 1.000 exclusivamente para garantir a segurança do evento, conforme o chefe da Comunicação Social do Comando Militar do Planalto, Carlos José Penteado. Atiradores de elite também estarão devidamente posicionados para agir se necessário, completou Penteado.

Brasileiros estão otimistas

Após a vitória nas urnas, Dilma tem a seu favor a expectativa positiva dos brasileiros.

Pesquisa divulgada em 16 de dezembro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 58% dos brasileiros acreditam que a presidente eleita fará um governo tão bom quanto o de Lula, que deve deixar o cargo com 87% de aprovação – o índice mais alto da história do país.

O universitário Sandoval Matheus Poletto, 23 anos, de Curitiba, capital do Paraná, está entre os otimistas. O histórico de vida e de luta de Dilma como guerrilheira política transparece uma pessoa com foco e determinação, disse Poletto.

“Votei na Dilma porque acredito na continuidade do governo Lula e nas suas políticas sociais, mas a nova presidente com certeza estará um pouco mais à esquerda”, disse. “Serão quatro bons anos daqui pra frente.”

A afinidade de Dilma com Lula facilitará a execução de projetos em andamento, principalmente nas áreas de habitação, saúde e educação, opinou o taxista de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, Rogério Maurício Vieira de Lima, 34 anos.

Eleitor de Marina Silva, candidata do Partido Verde (PV) no primeiro turno das eleições presidenciais, Lima aposta que as mulheres têm virtudes importantes a carreira pública. “A mulher é mais madura e responsável”, afirmou. “Faz o que precisa ser feito e não é tão maliciosa. O homem já entra lá [no governo] com maldade.”


							“Serão quatro bons anos daqui pra frente”, disse o estudante Sandoval Matheus Poletto, 23 anos, sobre o governo de Dilma Rousseff. (Débora Mühlbeier para Infosurhoy.com)

“Serão quatro bons anos daqui pra frente”, disse o estudante Sandoval Matheus Poletto, 23 anos, sobre o governo de Dilma Rousseff. (Débora Mühlbeier para Infosurhoy.com)

A anunciada continuação de programas sociais criados ao longo dos dois mandatos consecutivos de Lula – como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni – alimenta a esperança dos brasileiros de mais baixa renda.

A auxiliar de serviços gerais Guaraciara Rosa Santana de Barros, 44, moradora da favela de Inhoaíba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, não votou em Dilma. Mas ela torce pela continuidade dos programas de distribuição de renda

“No período do Lula, consegui comprar algumas coisas como geladeira, fogão e móveis”, disse. “Espero poder adquirir mais coisas no novo governo, quem sabe um imóvel.”

Continuidade é a chave

A continuidade das políticas do governo Lula não é só um desejo do povo brasileiro: é a principal plataforma de governo da nova presidente.

Dilma se elegeu anunciando no palanque e na mídia que seguiria os passos do atual presidente.

A promessa vem se comprovando na prática das primeiras decisões da futura governante – basta conferir suas nomeações para os ministérios.

Dez dos ministros de Lula foram mantidos – Guido Mantega (Fazenda), Alfredo Nascimento (Transportes), Carlos Lupi (Trabalho), Edison Lobão (Minas e Energia), Fernando Haddad (Educação), Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência da República), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Nelson Jobim (Defesa), Orlando Silva (Esporte) e Jorge Hage (Controladoria-Geral da União).

Outros integrantes do primeiro escalão do governo Lula terão novas funções.


							A afinidade de Dilma com Lula facilitará a execução de projetos em andamento, opinou o taxista de Porto Alegre Rogério Maurício Vieira de Lima, 34 anos. (Marcos Giesteira para Infosurhoy.com)

A afinidade de Dilma com Lula facilitará a execução de projetos em andamento, opinou o taxista de Porto Alegre Rogério Maurício Vieira de Lima, 34 anos. (Marcos Giesteira para Infosurhoy.com)

Alexandre Tombini, que era diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, será o novo presidente da instituição. Alexandre Padilha deixa o Ministério de Relações Institucionais para assumir o da Saúde. Paulo Bernardo se despede do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para assumir as Comunicações. Miriam Belchior, atual coordenadora-geral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ficará à frente do Ministério do Planejamento. Atual secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota estará à frente do Itamaraty.

Essa tendência à continuidade é natural, disse Ismael. Mas o cientista político está confiante que o governo de Dilma irá além, resolvendo questões não solucionadas na gestão Lula.

“Os programas de distribuição de renda vão continuar”, afirmou. “Mas ela já disse que seu governo vai erradicar a miséria até 2014.”

A presidente eleita tem um perfil mais técnico que político e deverá dar prosseguimento ao modelo de gestão implementado nos oito anos do governo Lula, avaliou o cientista político e sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa em entrevista à Agência Brasil.

“Ela é muito menos negociadora que o Lula”, disse. “Ela deve dar continuidade a esse perfil de gestão, mas vai precisar melhorar sua capacidade de articulação, com uma equipe flexível para se relacionar com o Congresso Nacional.”

Dilma deverá contar com uma base aliada composta por 70% dos 513 deputados federais e 62% dos 81 senadores.

Mas essa vantagem deve ser analisada com cautela, opinou Ismael.

“O PMDB, que tem o maior número de congressistas, pode usar essa margem para negociar com a presidente”, disse. “Se o PMDB se sentir prejudicado, pode tentar impor algumas derrotas à Dilma. Essa maioria vai depender muito da habilidade política do novo governo.”

* Débora Mühlbeier contribuiu de Curitiba.


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