Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
CARACAS, Venezuela – Milhares de pessoas se reuniram na capital venezuelana em 23 de janeiro para denunciar a administração do presidente Hugo Chávez, acusando-a de “ditadura”. A data coincide com o 53º aniversário da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, um dos homens fortes mais sanguinários da Venezuela.
Protestos similares aconteceram ao redor do mundo, incluindo Madrid, Cidade do México, Tegucigalpa, Miami, Nova York e Washington, D.C.
O presidente venezuelano refutou as acusações de ser um “ditador” em um comício contra as manifestações e pró-governo no mesmo dia.
“Eles me acusam de ser um ditador”, disse Chávez. “Devem ser loucos.”
“A última ditadura na Venezuela caiu em 6 de dezembro de 1998”, declarou ele, referindo-se ao dia em que foi eleito presidente pela primeira vez, acrescentando que “os venezuelanos me elegerão novamente em 2012.”
“A cada dia, haverá mais democracia na Venezuela – essa democracia que dá mais poder ao povo”, continuou ele. “A democracia é tão necessária ao socialismo quanto o oxigênio para os seres vivos.”
As inúmeras violações da Constituição venezuelana por parte do governo são a base para os protestos, justificou Félix Velásquez, porta-voz da ONG “Um mundo sem mordaças”, organizadora das manifestações.
“As expropriações e as recentes leis aprovadas sem consulta despertaram o povo venezuelano”, afirmou Velásquez.
“Estou aqui para defender os prisioneiros políticos e aqueles perseguidos pelo governo”, disse Marlene Bethancourt, que participou do protesto em Caracas. “Não podemos permanecer em silêncio enquanto pessoas estão presas ou exiladas porque [o governo] não gostou do que fizeram ou contra o que protestaram.”
“O judiciário foi confiscado”, disse Sobella Mejías, ex-integrante do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país, que também participou do protesto em Caracas. “Não há autonomia dos poderes, por isso precisamos sair e lutar.”
O prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e vários congressistas da oposição, incluindo Richard Blanco e María Corina Machado, também participaram das manifestações junto a milhares de pessoas na Avenida Francisco de Miranda.
“Os cidadãos precisam lutar pela liberdade, um direito que está vulnerável nesse país”, disse Blanco. “Eu exijo que o presidente Chávez pare de perseguir [adversários] políticos.”
Ao redor do mundo
Muitos venezuelanos que moram nos Estados Unidos juntaram-se aos protestos em várias cidades, incluindo Washington, D.C., onde se concentraram na estátua de Simón Bolívar e no S&T Triangle Park. Nas proximidades, cerca de doze integrantes da organização de esquerda salvadorenha Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN, um grupo guerrilheiro nos anos 80, hoje partido político) se reuniram em apoio ao governo venezuelano.
“Eu sou salvadorenha, vivi em tempos de guerra, vivi sob uma ditadura, fui perseguida, vi muitas pessoas morrendo ao meu lado por protestarem. De que ditadura a oposição venezuelana está falando?”, questionou Sonia Umanzor, uma ativista e simpatizante da FMLN que estava entre os salvadorenhos no protesto de Washington, D.C..
“Somos contra as mais recentes decisões de Chávez, incluindo a lei de decretos, restrições à propriedade privada e violações de direitos humanos", disse Juan Pío Hernández, 25 anos, chefe da filial de D.C. da “Um mundo sem mordaças". “Estamos aqui para comemorar essa data e também para pedir o fim da… ditadura na Venezuela.”
A multidão, composta principalmente de jovens venezuelanos, estava entusiasmada e barulhenta, sem medo das baixas temperaturas.
“Tive que deixar a Venezuela muito jovem”, disse Daniela Bustillos, uma estudante de ensino médio de 17 anos em Alexandria, Virgínia. “Deixei a Venezuela por causa de tudo que estava acontecendo. Não há liberdade de expressão, e estou aqui lutando para que o meu país volte a ser como era.”
No parque El Retiro, em Madrid, cerca de 200 manifestantes se concentraram na estátua que homenageia o poeta venezuelano Andrés Eloy Blanco, exigindo que Chávez seja retirado do poder para que a “liberdade” possa ser restaurada na Venezuela.
Os manifestantes exigiram “o [retorno] dos direitos fundamentais e da liberdade… na Venezuela”, disse Luis Barreiro, presidente da ONG Plataforma Democrática Venezuelana em Madrid.
“Nós não queremos um confronto nacional. Queremos apenas que esse sequestro [das liberdades] pare. Pois é isso que somos: reféns do governo”, denunciou Williams Cárdenas, vice-presidente da Plataforma Democrática.
Em Nova York, venezuelanos e cubanos se reuniram em frente à estátua equestre de Simón Bolívar no Central Park para protestar contra as novas medidas dando poderes absolutos ao presidente. A consulesa da Venezuela em Nova York, Carol Delgado, conversou com os manifestantes e com um pequeno grupo de venezuelanos que apoia Chávez.
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