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CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

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Venezuelanos em todo mundo protestam contra governo

De Caracas a Madrid, manifestações anti-Chávez condenam ‘ditadura’ no país.

Por Titina González, Miguel A. Rodríguez e Marta Escurra para Infosurhoy.com—31/01/2011


							Venezuelanos se reuniram na estátua de Simón Bolívar em Washington, D.C. para protestar contra o governo do presidente Hugo Chávez em 23 de janeiro. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Venezuelanos se reuniram na estátua de Simón Bolívar em Washington, D.C. para protestar contra o governo do presidente Hugo Chávez em 23 de janeiro. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

CARACAS, Venezuela – Milhares de pessoas se reuniram na capital venezuelana em 23 de janeiro para denunciar a administração do presidente Hugo Chávez, acusando-a de “ditadura”. A data coincide com o 53º aniversário da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, um dos homens fortes mais sanguinários da Venezuela.

Protestos similares aconteceram ao redor do mundo, incluindo Madrid, Cidade do México, Tegucigalpa, Miami, Nova York e Washington, D.C.

O presidente venezuelano refutou as acusações de ser um “ditador” em um comício contra as manifestações e pró-governo no mesmo dia.

“Eles me acusam de ser um ditador”, disse Chávez. “Devem ser loucos.”

“As expropriações e as recentes leis aprovadas sem consulta despertaram o povo venezuelano”,

“A última ditadura na Venezuela caiu em 6 de dezembro de 1998”, declarou ele, referindo-se ao dia em que foi eleito presidente pela primeira vez, acrescentando que “os venezuelanos me elegerão novamente em 2012.”

“A cada dia, haverá mais democracia na Venezuela – essa democracia que dá mais poder ao povo”, continuou ele. “A democracia é tão necessária ao socialismo quanto o oxigênio para os seres vivos.”


							Um opositor do presidente venezuelano, Hugo Chávez, segura uma placa com dizeres anti-Chávez em comício em Tegucigalpa, Honduras. (Eduardo Garrido/Reuters)

Um opositor do presidente venezuelano, Hugo Chávez, segura uma placa com dizeres anti-Chávez em comício em Tegucigalpa, Honduras. (Eduardo Garrido/Reuters)

As inúmeras violações da Constituição venezuelana por parte do governo são a base para os protestos, justificou Félix Velásquez, porta-voz da ONG “Um mundo sem mordaças”, organizadora das manifestações.

“As expropriações e as recentes leis aprovadas sem consulta despertaram o povo venezuelano”, afirmou Velásquez.

“Estou aqui para defender os prisioneiros políticos e aqueles perseguidos pelo governo”, disse Marlene Bethancourt, que participou do protesto em Caracas. “Não podemos permanecer em silêncio enquanto pessoas estão presas ou exiladas porque [o governo] não gostou do que fizeram ou contra o que protestaram.”

“O judiciário foi confiscado”, disse Sobella Mejías, ex-integrante do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país, que também participou do protesto em Caracas. “Não há autonomia dos poderes, por isso precisamos sair e lutar.”


							Um opositor do presidente venezuelano, Hugo Chávez, protesta sobre o desenho de um rosto amordaçado durante marcha de 23 de janeiro, em comemoração ao 53º aniversário de retorno da democracia após a queda da ditadura em 1958 em Caracas. (Jorge Silva/Reuters)

Um opositor do presidente venezuelano, Hugo Chávez, protesta sobre o desenho de um rosto amordaçado durante marcha de 23 de janeiro, em comemoração ao 53º aniversário de retorno da democracia após a queda da ditadura em 1958 em Caracas. (Jorge Silva/Reuters)

O prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e vários congressistas da oposição, incluindo Richard Blanco e María Corina Machado, também participaram das manifestações junto a milhares de pessoas na Avenida Francisco de Miranda.

“Os cidadãos precisam lutar pela liberdade, um direito que está vulnerável nesse país”, disse Blanco. “Eu exijo que o presidente Chávez pare de perseguir [adversários] políticos.”

Ao redor do mundo

Muitos venezuelanos que moram nos Estados Unidos juntaram-se aos protestos em várias cidades, incluindo Washington, D.C., onde se concentraram na estátua de Simón Bolívar e no S&T Triangle Park. Nas proximidades, cerca de doze integrantes da organização de esquerda salvadorenha Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN, um grupo guerrilheiro nos anos 80, hoje partido político) se reuniram em apoio ao governo venezuelano.


							Opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, marcham em Caracas em 23 de janeiro. (Jorge Silva/Reuters)

Opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, marcham em Caracas em 23 de janeiro. (Jorge Silva/Reuters)

“Eu sou salvadorenha, vivi em tempos de guerra, vivi sob uma ditadura, fui perseguida, vi muitas pessoas morrendo ao meu lado por protestarem. De que ditadura a oposição venezuelana está falando?”, questionou Sonia Umanzor, uma ativista e simpatizante da FMLN que estava entre os salvadorenhos no protesto de Washington, D.C..

“Somos contra as mais recentes decisões de Chávez, incluindo a lei de decretos, restrições à propriedade privada e violações de direitos humanos", disse Juan Pío Hernández, 25 anos, chefe da filial de D.C. da “Um mundo sem mordaças". “Estamos aqui para comemorar essa data e também para pedir o fim da… ditadura na Venezuela.”


							Opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, usam mordaças em sinal de desaprovação ao seu governo. (Jorge Silva/Reuters)

Opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, usam mordaças em sinal de desaprovação ao seu governo. (Jorge Silva/Reuters)

A multidão, composta principalmente de jovens venezuelanos, estava entusiasmada e barulhenta, sem medo das baixas temperaturas.

“Tive que deixar a Venezuela muito jovem”, disse Daniela Bustillos, uma estudante de ensino médio de 17 anos em Alexandria, Virgínia. “Deixei a Venezuela por causa de tudo que estava acontecendo. Não há liberdade de expressão, e estou aqui lutando para que o meu país volte a ser como era.”


							Manifestantes mostraram seu descontentamento com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em uma manifestação em Madrid, Espanha, no início dessa semana. (Miguel Ángel Rodríguez para Infosurhoy.com)

Manifestantes mostraram seu descontentamento com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em uma manifestação em Madrid, Espanha, no início dessa semana. (Miguel Ángel Rodríguez para Infosurhoy.com)

No parque El Retiro, em Madrid, cerca de 200 manifestantes se concentraram na estátua que homenageia o poeta venezuelano Andrés Eloy Blanco, exigindo que Chávez seja retirado do poder para que a “liberdade” possa ser restaurada na Venezuela.

Os manifestantes exigiram “o [retorno] dos direitos fundamentais e da liberdade… na Venezuela”, disse Luis Barreiro, presidente da ONG Plataforma Democrática Venezuelana em Madrid.

“Nós não queremos um confronto nacional. Queremos apenas que esse sequestro [das liberdades] pare. Pois é isso que somos: reféns do governo”, denunciou Williams Cárdenas, vice-presidente da Plataforma Democrática.


							Sonia Umanzor (com o megafone), uma ativista salvadorenha e simpatizante da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador, disse que a Venezuela não é uma ditadura. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Sonia Umanzor (com o megafone), uma ativista salvadorenha e simpatizante da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador, disse que a Venezuela não é uma ditadura. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Em Nova York, venezuelanos e cubanos se reuniram em frente à estátua equestre de Simón Bolívar no Central Park para protestar contra as novas medidas dando poderes absolutos ao presidente. A consulesa da Venezuela em Nova York, Carol Delgado, conversou com os manifestantes e com um pequeno grupo de venezuelanos que apoia Chávez.


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