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TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

TEGUCIGALPA, Honduras — O corpo do jornalista hondurenho Ángel Alfredo Villatoro Rivera, da rádio HRN, foi encontrado na periferia da capital em 15 de maio, uma semana depois de ser sequestrado a caminho do trabalho. Acima, um perito procura impressões digitais no veículo usado no sequestro de Rivera. (Jorge Cabrera/Reuters)

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Liberdade de imprensa ameaçada em Honduras

Em 2010, o país centro-americano foi o 3º no ranking mundial em número de jornalistas mortos.

Por Jackie B. Diaz para Infosurhoy.com—22/03/11


							Amigos e familiares dão o último adeus a Henry Suazo, correspondente da Radio HRN, de Tegucigalpa, morto em 28 de dezembro de 2010. (Jornalista/Reuters)

Amigos e familiares dão o último adeus a Henry Suazo, correspondente da Radio HRN, de Tegucigalpa, morto em 28 de dezembro de 2010. (Jornalista/Reuters)

WASHINGTON, D.C., EUA – Medo.

É o sentimento com que o jornalista hondurenho Luis Galdámez e sua família convivem todos os dias.

“As ameaças são constantes, a perseguição é constante”, contou Galdámez em tom de pânico, enquanto caminhava pelas ruas de Tegucigalpa para cobrir uma história para seu programa "Tras la Verdad" (Em Busca da Verdade).

O programa de rádio e televisão é conhecido por criticar o governo e por denunciar abusos dos direitos humanos e corrupção.

Os seis tiros disparados contra ele e seu filho enquanto estavam na porta de casa na capital do país em 14 de setembro de 2010 permanecem frescos na memória.

“Estamos todos armados em casa agora. Estamos tentando nos proteger da melhor forma possível, mas vivemos em um estado de ansiedade”, lamentou ele.

Ninguém foi preso em conexão com o ataque.

“Há muito pouca garantia de segurança para esses jornalistas”

Galdámez, 43 anos, disse que as autoridades informaram que há pistas, mas muito pouco além disso.

“Pedi mais detalhes dos agressores, mas eles se recusam a comentar”, afirmou. “Não acredito que saibam muito do caso.”


							Henry Suazo foi o 10º jornalista morto em Honduras em 2010. O país é o 3º no ranking mundial, com 10 jornalistas mortos, à frente apenas do Paquistão (15) e do México (12), segundo o Instituto Internacional de Imprensa. (Foto de Família/Reuters)

Henry Suazo foi o 10º jornalista morto em Honduras em 2010. O país é o 3º no ranking mundial, com 10 jornalistas mortos, à frente apenas do Paquistão (15) e do México (12), segundo o Instituto Internacional de Imprensa. (Foto de Família/Reuters)

Em 20 de fevereiro, autoridades do Ministério da Segurança, instituição encarregada de manter a ordem pública, encontraram-se com Galdámez, oferecendo-lhe proteção em sua casa e na estação de TV.

“Eu lhes expliquei que isso não era o bastante”, disse ele. “Todos os dia eu saio e faço o meu trabalho como jornalista, mas eles me disseram que não poderiam me oferecer mais proteção além da que já me foi oferecida.”

Outra vítima

Galdámez não teme apenas pela sua vida, mas também está de luto pela morte de um colega e amigo.

Henry Suazo, um correspondente da Radio HRN, de Tegucigalpa, e apresentador de notícias da Cablevisión del Atlántico, foi baleado duas vezes na cabeça em 28 de dezembro de 2010.

Segundo boletins de ocorrência, Suazo, 32 anos, fazia seu caminho de sempre para o trabalho em sua motocicleta por volta das 8h da manhã. Quando ele desacelerou para desviar dos buracos na rua, um homem de bicicleta deu um tiro à queima-roupa.

“Henry era um amigo, um homem que buscava a verdade”, lembrou Galdámez. “Ele constantemente expunha empresários ou políticos que faziam coisas erradas.”

Os vizinhos imediatamente levaram Suazo a uma clínica nas proximidades, no complexo residencial Mario Ayala, em San Juan Pueblo, no departamento de Atlántida, no norte do país.

Mas ele não chegou com vida.

Ele deixou esposa e 4 filhos.


							A polícia espalhou cartazes com fotos dos suspeitos procurados em conexão com as mortes dos profissionais da mídia hondurenha. (Edgard Garrido/Reuters)

A polícia espalhou cartazes com fotos dos suspeitos procurados em conexão com as mortes dos profissionais da mídia hondurenha. (Edgard Garrido/Reuters)

Suazo denunciou várias vezes no seu programa de notícias que estava recebendo telefonemas com ameaças de morte e mensagens de texto dizendo “Esse é o seu último dia, cachorro” e “Nós vamos matá-lo”, segundo o jornal hondurenho La Tribuna.

“Há muito pouca garantia de segurança para esses jornalistas”, afirmou Carlos Lauría, Coordenador Sênior do Programa Américas do Comitê para Proteção dos Jornalistas. “Aqueles que tratam desses tópicos sofrem as consequências e o estado falha em fazer justiça, deixando a mídia vulnerável.”

O governo hondurenho descartou qualquer possibilidade de conexão política com as mortes.

Mas as autoridades estão preocupadas.

Honduras é considerado o 3º país mais perigoso para jornalistas, segundo o Instituto Internacional de Imprensa (IPI), uma organização global de editores, executivos de mídia e jornalistas dedicados a proteger os profissionais de mídia e garantir a liberdade de imprensa.

O “Observatório da Morte” do IPI, uma lista de jornalistas e integrantes da mídia que se tornaram alvos por causa de sua profissão, documentou 92 assassinatos no mundo em 2010. O Paquistão, com 15, lidera a lista, seguido pelo México (12) e Honduras (10). Nenhum outro país teve mais do que 6 mortos.

Em Honduras, dois suspeitos foram detidos em conexão com ao menos um dos 10 homicídios, mas apenas um deles enfrenta processo judicial. O outro suspeito foi libertado por falta de provas.

Outros dois suspeitos, no entanto, foram identificados como pessoas de interesse pelas autoridades.


							Familiares do jornalista hondurenho assassinado Joseph Hernández Ochoa – o irmão, Paulo Hernández (esquerda), o pai, Pedro Hernández (centro) e a mãe, Bertha Ochoa – posam com a sua foto depois que ele foi morto em 1º de março de 2010. Hernández cobria entretenimento para o Canal 51 TV. (Edgard Garrido/Reuters)

Familiares do jornalista hondurenho assassinado Joseph Hernández Ochoa – o irmão, Paulo Hernández (esquerda), o pai, Pedro Hernández (centro) e a mãe, Bertha Ochoa – posam com a sua foto depois que ele foi morto em 1º de março de 2010. Hernández cobria entretenimento para o Canal 51 TV. (Edgard Garrido/Reuters)

No caso de Suazo, foi emitido um mandado de prisão para pessoa de interesse depois que várias testemunhas depuseram, informou por email ao Infosurhoy.com a Diretora da Promotoria Pública, Danelia Ferrera Turcios.

“No momento, estamos trabalhando com a secretária de Segurança na investigação dos assassinatos dos jornalistas Nicolás Jesús Asfura e Nahum Palacios”, explicou Danelia. “Estamos trabalhando nesses casos de forma eficiente e acreditamos que vamos obter resultados positivos em um curto período de tempo.”

Conexão com gangues

O presidente Porfirio Lobo pediu às autoridades que conduzam investigações detalhadas sobre os assassinatos dos jornalistas, disse a ministra do Interior, María Guillén, em entrevista ao jornal hondurenho El Heraldo.

“Esse é um assunto de grande preocupação e o presidente está em contato [com a polícia] acompanhando essas situações”, garantiu María. “Na maioria dos casos investigados, não há ligação política, mas o importante é o que o presidente disse, que [os casos] serão investigados até o fim porque o governo não permitirá impunidade."

Em 2005, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) estimou que Honduras abriga 36.000 integrantes de gangues.

As duas maiores gangues de Honduras são o Mara Salvatrucha (MS-13) e Mara 18.

Muitas organizações de direitos humanos nacionais e internacionais condenaram os ataques e estão apelando ao governo hondurenho, exigindo o fim dos assassinatos.

“Estamos vivendo em um clima cheio de terror e medo em Honduras, mas o que podemos fazer? Para onde irei?”, perguntou Galdámez. “Não tenho nenhuma alternativa.”


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