Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
CALGARY, Canadá – A América Latina, assim como o resto do mundo, está se tornando mais urbanizada a cada dia.
Foi o que disse Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em uma apresentação na Plataforma de Cidades Emergentes e Sustentáveis durante a 52ª Reunião Anual da organização em Calgary, Canadá.
Moreno disse que, apesar de cidades como Cairo, no Egito; Mumbai, na Índia; São Paulo, no Brasil; e a Cidade do México receberem mais atenção da mídia, a maioria dos centros urbanos mundiais é composta de cidades de pequeno ou médio porte.
Moreno também destacou que existem mais de 3.500 cidades de médio porte no mundo, cada uma com uma população entre 100.000 a 2 milhões de habitantes. Mais de 80% dessas cidades estão localizadas em países em desenvolvimento e cerca de 500 estão na América Latina e no Caribe, segundo o BID.
“Apenas 143 destas cidades crescem a taxas elevadas – as chamadas ‘cidades emergentes’”, completou Moreno, acrescentando que mais da metade da população mundial reside em centros urbanos.
Moreno disse ainda que estas cidades estão crescendo porque oferecem empregos e oportunidades econômicas, graças à sua localização próxima a centros agrícolas, mineradores ou industriais, ou são destinos turísticos altamente atraentes. Estas cidades estão também conectadas ao resto do mundo, mesmo que geograficamente isoladas, acrescentou Moreno.
“Na América Latina e no Caribe, quase todas as cidades emergentes possuem 100% de cobertura de telefonia móvel em seus territórios, e mais de 40% de seus habitantes possuem acesso à Internet”, concluiu ele.
A população das cidades emergentes da região cresce a taxas duas ou três vezes mais rápidas que as maiores metrópoles latino-americanas, como o Rio de Janeiro, no Brasil, e Buenos Aires, na Argentina, segundo BID.
“Uma grande proporção do crescimento urbano nos próximos 20 anos vai ocorrer nas cidades emergentes”, disse Moreno. “De modo a acompanhar esse crescimento, os governos municipais terão que gastar trilhões de dólares em novos projetos de infraestrutura, habitação e obras públicas. Adicionalmente, terão que encontrar recursos hídricos, eletricidade e combustível abundantes.”
O que acontecerá nessas áreas nos próximos 20 anos terá um impacto significativo no planeta, já que as cidades são responsáveis por cerca de 75% de toda a emissão mundial de dióxido de carbono, explicou Moreno.
“Na América Latina, as cidades emergentes têm um papel importante a exercer quanto às mudanças climáticas, ou podem se tornar vítimas dessa mudança”, disse Moreno.
Moreno afirmou que as cidades emergentes podem atingir o desenvolvimento sustentável se conseguirem maximizar seus recursos limitados.
O BID lançou a Plataforma de Cidades Emergentes e Sustentáveis para ajudar essas comunidades a prosperar.
A primeira fase da plataforma irá focar na sustentabilidade dos centros urbanos.
O BID vai auxiliar as cidades a identificarem os aspectos fundamentais do desenvolvimento sustentável, como uso do solo, qualidade de moradia, eficiência em energia, transporte público, congestionamento do tráfego e segurança.
A próxima fase irá focar na sustentabilidade ambiental, e a fase final do projeto vai se concentrar na sustentabilidade fiscal e governança.
“Vamos buscar novos meios para aumentar as receitas e obter um maior impacto com os investimentos que estão sendo feitos”, disse ele. “Vamos ajudar os governos a assegurar que decisões de planejamento e orçamentárias sejam transparentes e que o retorno dos investimentos públicos possa ser medido.”
Moreno acrescentou que o BID vai ajudar as cidades participantes da iniciativa a preparar um plano de ação que inclua medidas concretas, assim como prioridades de curto, médio e longo prazo.
Os projetos – cuja maioria será financiada pelo BID – irão incluir soluções que foram bem-sucedidas em outras cidades.
Exemplos dessas soluções são os sistemas de transporte público não poluentes que o BID ajudou a desenvolver em diversos países latino-americanos e o sistema de coleta de lixo do Brasil, que usa o lixo para gerar eletricidade e gás metano.
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