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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Paraguai amplia combate às drogas na fronteira com Brasil

Narcotráfico brasileiro levou o Paraguai a reforçar segurança.

Por Hugo Barrios para Infosurhoy.com—12/04/2011


							Forças paraguaias, com o auxílio de agentes da lei brasileiros, destroem uma plantação de maconha no departamento de Canindeyú. “80% da maconha cultivada no Paraguai termina no Brasil, segundo estatísticas”, disse Miguel Chaparro, chefe da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai. (Cortesia do Ministério do Interior do Paraguai/Divulgação/Reuters)

Forças paraguaias, com o auxílio de agentes da lei brasileiros, destroem uma plantação de maconha no departamento de Canindeyú. “80% da maconha cultivada no Paraguai termina no Brasil, segundo estatísticas”, disse Miguel Chaparro, chefe da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai. (Cortesia do Ministério do Interior do Paraguai/Divulgação/Reuters)

ASSUNÇÃO, Paraguai – O Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), duas das maiores organizações criminosas em operação no Brasil, tornaram-se o principal alvo das forças antidrogas paraguaias.

“Os homens dessas duas organizações vêm ao Paraguai para organizar os carregamentos de maconha, as vendas [da droga] e outras atividades ilícitas”, disse Miguel Chaparro, chefe da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai.

Chaparro disse que o Paraguai está de olho nestes sindicatos do crime porque “80% da maconha cultivada no Paraguai termina no Brasil, segundo estatísticas.”

Chaparro disse ainda que integrantes do Comando Vermelho, com sede no Rio de Janeiro, e do PCC, de São Paulo, estabeleceram presença nas cidades paraguais de Pedro Juan Caballero (departamento de Amambay), Saltos del Guairá (departamento de Canindeyú) e Ciudad del Este (departamento de Alto Parná).

O que estas cidades paraguaias têm em comum? Estão todas localizadas na fronteira com o Brasil.

“Os homens vêm aqui para montar carregamentos de várias toneladas de maconha, que enviam para o Brasil”, disse Chaparro. “Esses caras negociam com todos os pequenos produtores e comerciantes de drogas no Paraguai, utilizando métodos de máfia.”

A SENAD obteve uma vitória em 7 de abril, quando agentes prenderam cinco cidadãos brasileiros que teriam ligações com o Comando Vermelho, durante uma operação no município de Puente Kyhá, no departamento de Canindeyú.

Duas escopetas, um fuzil, uma metralhadora, quatro coletes à prova de bala e diversos tijolos de maconha de cerca de 1,5 kg cada foram confiscados dos brasileiros, que estão sob custódia do promotor distrital paraguaio por seu suposto envolvimento no tráfico de drogas.

“Ao capturar esses integrantes do Comando Vermelho, nós provamos que há uma guerra contra outros grupos criminosos que tentam assumir o controle [do tráfico de drogas] da área”, disse Chaparro.

Chaparro acrescentou que os departamentos de Amambay e Canindeyú têm as maiores concentrações de fazendas de maconha.

Mas isso pode mudar.

A SENAD e a Polícia Federal do Brasil uniram-se na operação “Nova Aliança”, em que agentes trabalham juntos na erradicação de plantações ilegais. Em 23 de março, as forças destruíram 102 hectares de maconha plantadas em uma área conhecida como “Cerro Sarambí”.

“Isso equivale a retirar cerca de 312 toneladas de maconha do mercado de drogas”, segundo relatório da SENAD.

Forças de segurança destruíram 25 plantações contendo mais de 59.000 kg de maconha ao todo.

“Isso significa uma perda de mais de US$ 4 milhões (R$ 6,4 milhões)” para os narcotraficantes, segundo relatório da SENAD, que informa que a maconha paraguaia é vendida por US$ 1.000 (R$ 1.590) o quilo na Argentina, Brasil, Uruguai e Chile.

“A SENAD quer reduzir gradualmente as finanças dos traficantes de drogas, destruindo as plantações de maconha bem na hora da colheita, quando eles já investiram muito [dinheiro] no cultivo, e já pagaram os agricultores e compraram equipamentos para o trabalho”, disse a SENAD em nota.

Em 2010, a SENAD erradicou um total de 1.011 hectares de plantações de maconha, contendo cerca de 3.000 kg da droga.

Esse ano, o Ministério do Interior, através da Divisão Antidrogas da Polícia Nacional, implementou a operação “Ko’e Pyahu” (Novo Amanhecer, em guarani), cujo objetivo é destruir o cultivo e a produção de narcóticos nos departamentos ao longo da fronteira Brasil-Paraguai.

Até o momento, a iniciativa levou à erradicação de 800 toneladas de maconha, disse o ministro do Interior, Rafael Filizzola.

“O valor estimado no local de produção é de cerca de US$ 10 milhões (R$ 15,9 milhões), e nos mercados regionais é de US$ 200 milhões (R$ 318 milhões), o que significa que causamos um grande prejuízo ao crime organizado”, disse Filizzola durante entrevista coletiva em fevereiro. “A respeito dessa operação (Ko’e Pyahu), devemos informar que houve uma coleta de inteligência anterior, não apenas nos departamentos afetados, mas em todos os departamentos do país. Para essa ação, tomamos como ponto de referência os departamentos conhecidos por ter uma grande produção de maconha.”

Enquanto isso, Rubén Rosas Florentín, comissário-chefe do Departamento de Polícia de San Pedro, disse que os cultivadores de maconha muitas vezes são trabalhadores do campo que são explorados pelos narcotraficantes.

“Os cultivadores de maconha ficam com o menor benefício (econômico), porque são camponeses sendo usados por intermediários e financiadores”, disse Rosas à Radio Cardinal. “Com essas operações [sendo conduzidas agora], estamos procurando desencorajar a produção ilegal desses cultivos e esperamos convencer os produtores de que a melhor coisa a fazer é começar a plantar cultivos legais.”


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