Enquanto participam de negociações de paz com o governo colombiano, as Forças Armadas Revolucionári...
SÃO PAULO, Brasil – Em lotada estação de metrô no centro de São Paulo, policiais militares reconhecem e capturam em meio à multidão os dois torcedores de futebol que haviam iniciado um ataque à torcida do time rival em uma semifinal da Copa do Mundo.
A captura dos agressores foi possível graças ao uso de óculos especiais, equipados com uma câmera com leitor biométrico. O equipamento ajuda os policiais a reconhecer suspeitos de 50 metros a até 20 km de distância.
Essa cena ainda não passa de exercício de treinamento, mas é um tipo de ocorrência possível durante a Copa do Mundo de 2014, segundo a Polícia Militar (PM) de São Paulo.
Preparando-se para lidar com situações que exigem o rápido reconhecimento de delinquentes em meio a grandes públicos, a corporação está testando os chamados “óculos do futuro”.
Quando o policial olha para determinada direção, o equipamento registra a face de cada indivíduo no entorno no banco de dados da PM. Os dados são transmitidos por Bluetooth a um disco rígido (HD) externo que fica no bolso da farda do policial. A comunicação entre os aparelhos também pode ser por Internet sem fio ou redes de comunicação móvel 3G. O software instalado no HD ainda cruza as imagens recebidas com as 700.000 armazenadas na base de dados da PM. Todo esse processo demora apenas três segundos.
No sistema atual, o policial militar em operação confere informações de suspeitos pelo sistema de rádio. Novos dados são acrescentados à base somente durante o registro da ocorrência, feito pelos policiais quando voltam das ruas.
O uso dos óculos e a consulta rápida ao banco de dados da PM também permite que os policiais tomem a decisão de agir ou solicitar reforços sem precisar se aproximar do suspeito.
“Se um suspeito for detectado dentro do estádio, o policial vai determinar o momento de agir, conforme o grau de risco ao público do evento”, explica o major Leandro Pavani Agostini, integrante do Segundo Batalhão de Choque da PM e responsável pela implementação dos óculos.
Segurança à distância
A empresa israelense Ex-Sight, que desenvolvou a tecnologia, atua no Brasil há um ano.
Em Israel, os óculos biométricos são usados para o controle das fronteiras.
Na Inglaterra, o sistema é utilizado para monitorar os hooligans das principais torcidas de futebol. A polícia tem um cadastro de torcedores violentos.

Equipados com leitores biométricos, os óculos especiais testados pela Polícia Militar de São Paulo permitem que os agentes de segurança tomem a decisão de agir ou solicitar reforços sem precisar se aproximar de suspeitos. Isso porque o alcance das lentes vai de 50 metros a 20 km de distância. (Cortesia da Central de Comunicação Social da PMSP)
“Hoje o policial brasileiro vê um suspeito na rua, mas amanhã ele entra em férias ou se aposenta e essa informação se perde”, explica Arnaldo Maciel, diretor da Ex-Sight na América Latina. “Com a biometria, esse suspeito é incluído no sistema.”
As secretarias de segurança do Acre, Mato Grosso e Rondônia também estudam a adoção dos óculos.
Países vizinhos, como Peru e Argentina, também estão interessados, adianta Maciel.
“O software valoriza o que já existe, que são as informações”, completa Maciel.
Em São Paulo, os óculos estão sendo testados há pouco mais de um mês em jogos de futebol, shows musicais e simulações.
“Se os testes forem bem sucedidos, sugerimos a aquisição imediata [dos leitores] para instalação nas mais de 270 câmeras que a Polícia Militar possui em São Paulo, nas nossas viaturas e também para o uso por policias que estiverem a pé”, adianta Agostini.
A tecnologia desenvolvida pela Ex-Sight também auxilia na localização de desaparecidos. Apenas no estado de São Paulo, são mais de 40.000, segundo a Secretaria de Segurança Pública. (SSP).
A expectativa do major Agostini é de que os equipamentos sejam adotados pela PM de São Paulo ainda antes da Copa de 2014.
Tecnologia tem várias aplicações
Fonte: Arnaldo Maciel, diretor da Ex-Sight na América Latina
Comentários Sobre o Artigo