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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Costa Rica busca auxílio no combate ao narcotráfico

Governo pede a aliados no mundo que ajudem na segurança do país.

Por Adam Williams para Infosurhoy.com—29/08/2011


							A presidente costarriquenha, Laura Chinchilla, se reuniu com seu colega mexicano, Felipe Calderón, durante sua viagem à Cidade do México em 22 de agosto, para discutir uma parceria entre os dois países no combate às questões de insegurança regional. (Carlos Jasso/Reuters)

A presidente costarriquenha, Laura Chinchilla, se reuniu com seu colega mexicano, Felipe Calderón, durante sua viagem à Cidade do México em 22 de agosto, para discutir uma parceria entre os dois países no combate às questões de insegurança regional. (Carlos Jasso/Reuters)

SAN JOSÉ, Costa Rica – A prioridade número um da presidente Laura Chinchilla é melhorar a segurança nacional.

Essa, porém, é uma meta difícil de atingir, já que a Costa Rica não possui um exército e o orçamento da defesa é pequeno. Além disso, os poucos veículos e equipamentos usados por agentes da lei são velhos e obsoletos.

Entretanto, isso não deteve a presidente, que vem pedindo ajuda aos parceiros dos países centro-americanos em todo o mundo para impedir que seu país seja dominado pelos narcotraficantes e por grupos do crime organizado.

Laura se reuniu com o presidente do México, Felipe Calderón, durante sua viagem ao país vizinho em 22 de agosto, para discutir uma parceria entre as duas nações no combate às questões de insegurança regional, .

“A luta contra o comércio de drogas exige um esforço multilateral e a cooperação entre os países da região é fundamental”, disse a presidente em entrevista coletiva na Cidade do México. “Os dois países têm o compromisso de fazer o necessário para continuar a combater a delinquência que ameaça nossas nações.”

Como resultado do encontro, os países assinaram dois tratados de segurança com vistas a eliminar o tráfico de drogas na América Central.

O Tratado de Extradição estabelece diretrizes claras para a transferência de suspeitos entre os dois países. Já o outro tratado, conhecido como Acordo de Intercâmbio de Informações e Experiência para Combater o Crime Organizado Transnacional, Tráfico de Drogas e Crimes Relacionados, permite que as forças de segurança das nações compartilhem inteligência sobre o narcotráfico.

“A colaboração em assuntos de segurança é essencial para fortalecer a luta contra o crime organizado”, disse Laura. “Para países como a Costa Rica, a troca de informações é fundamental para combater a impunidade. Por isso, assinamos esses acordos como parte de uma estratégia global para continuar a envolver a comunidade internacional na luta que nos preocupa e nos afeta diretamente.”

Dois dias mais tarde, no sul da América Latina, o legislador costarriquenho Óscar Alfaro, membro do Partido da Libertação Nacional, da presidente, participou da cúpula do parlamento latino-americano no Rio de Janeiro para discutir o mesmo assunto.

O representante costarriquenho na cúpula disse que os países da região devem trabalhar juntos na luta contra as drogas.

“Existe o consenso de que todas as nações se unam nessa luta interminável (contra o comércio de drogas) para criar mais e melhores oportunidades que nos permitirão enfrentar esses e outros desafios de nossa sociedade”, exaltou Alfaro.

Laura também pediu o apoio de outros líderes.

No final de julho, ela se reuniu com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, que prometeu doar verbas para a luta contra as drogas e o crime na Costa Rica, e ainda garantiu o apoio dos presidentes guatemalteco, Álvaro Colom, hondurenho, Porfirio Lobo, e alemão, Christian Wulff.

A pressão da presidente costarriquenha por cooperação internacional vem em um momento em que o crime só faz aumentas em seu país. As apreensões de drogas em 2011 estão prestes a atingir um recorde.

Grandes apreensões de cocaína, maconha e crack são relatadas pela Polícia Nacional e pelo Organismo Investigativo Judicial (OIJ) quase que semanalmente.

Por exemplo, dois dias depois da reunião de Laura com Calderón, foi apreendido um caminhão na cidade de Liberia, no litoral leste do Pacífico, com 402 kg de cocaína avaliados em mais de US$ 2 milhões (R$ 3,2 milhões) destinados à Cidade da Guatemala.

O crime organizado já criou raízes no país. No início de junho, três colombianos e sete costarriquenhos foram presos sob suspeita de ligações com o cartel mexicano Los Zetas.

A OIJ realizou 15 operações em todo o país para desmantelar a quadrilha, confiscando centenas de quilos de cocaína e cerca de US$ 300.000 (R$ 480.000) em espécie.

Entre os presos estava Alexander Leudo Nieves, um colombiano procurado pela agência antidrogas americana (DEA) e pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

“Conseguimos determinar que um dos suspeitos importava e exportava quantidades enormes de bens e mobílias caríssimas”, disse o ministro da Segurança costarriquenho, Mario Zamora. “A organização não usava a Costa Rica somente como destino dos carregamentos das drogas, mas também como um local intermediário para reenvio para outros países.”

O Ministério de Segurança Pública estima que de 600 a 900 toneladas de narcóticos passem pela Costa Rica anualmente. Mas o país tem dificuldades em impedir o comércio de drogas porque não possui forças armadas e gasta apenas 2% de seu produto interno bruto, cerca de US$ 800 milhões (R$ 1,28 bilhão), em defesa.

Zamora disse ainda que menos de 300 viaturas patrulham o país de mais de 4,5 milhões de habitantes.

E a iniciativa de arrecadar fundos para melhorar a segurança tem encontrado resistências. Anteriormente este mês, a Assembleia Legislativa adiou a votação de uma lei que obrigava as empresas a pagarem uma taxa administrativa anual de US$ 300 (R$ 480), que teria gerado US$ 70 milhões (R$ 112 milhões) a serem aplicados na segurança.

A lei só voltará a ser debatida em outubro.

Mauricio Boraschi, vice-ministro da Segurança Nacional e diretor da Polícia de Controle de Drogas (PCD), disse que os costarriquenhos “têm que perceber que precisamos tomar medidas drásticas e novas abordagens para reduzir o tráfico de drogas, o que significa a contribuição de todos, mesmo se a verba tiver que sair de seus próprios bolsos. Essa luta vai precisar de investimentos e, historicamente, nosso país não investe muito em segurança. Sempre fomos um país muito pacífico sem grandes problemas de segurança, mas agora que estamos enfrentando a ameaça de organizações criminosas internacionais, temos que investir para proteger o que criamos.”


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