Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
LIMA, Peru – Os recentes esforços das forças policiais e civis peruanas resultaram na redução da violência nas regiões mais perigosas do país, além da queda do número de armas de fogo ilegais.
Em uma das regiões mais perigosas de Lima, El Callao, 17,1% dos moradores alegam ter sofrido agressão por arma de fogo, enquanto 76,1% deles afirmam sentirem-se “muito inseguros” e temem se tornar vítimas de um crime, segundo dados da Primeira Pesquisa Nacional Urbana de Vitimização de 2011, elaborada pelo Instituto de Opinião Pública da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
A resposta da polícia veio em forma de um prêmio de 295 sóis novos (R$ 187) por arma de fogo apreendida e 825 sóis novos (R$ 525) para cada carro roubado recuperado.
E a estratégia está funcionando.
No total, 418 armas de fogo foram confiscadas e 414 veículos roubados foram recuperados até o momento este ano, segundo a Direção Territorial de Polícia – Callao
“[Esta] é uma forma de desarmar El Callao e evitar que estas armas se convertam em um perigo irreversível para a região”, afirma Félix Moreno Caballero, presidente regional de El Callao.
Mesmo assim, mais de 1.500 armas ainda estão em circulação no mercado negro, segundo o governo regional.
Callao é o porto mais movimentado e terceira maior cidade do país, com 876.877 habitantes, segundo o censo 2007 do Instituto Nacional de Estatística e Informação.
O governo regional adquiriu recentemente dois helicópteros modelo Robinson 44 para patrulha aérea, tornando-se a única cidade peruana a contar com esse tipo de vigilância.
“Esperamos que essas máquinas nos permitam ter bons resultados nas tarefas de vigilância aérea, como ocorre em importantes cidades como Nova York, Los Angeles, Miami, San Francisco ou São Paulo”, assinala Moreno.
Essas ações, junto com o envio de 350 agentes para patrulhar as ruas, resultaram em uma queda de 12% na criminalidade entre janeiro e setembro de 2011, segundo Moreno.
A polícia designou 2.750 policiais para El Callao, onde as comunidades de Puerto Nuevo, Atahualpa, Los Barracones e Castilla lideram as taxas de crimes violentos.
Miguel Ángel Huamán Castillo, diretor do escritório de Participação Cidadã da polícia, explica que o bairro de Barracones, a 16 km de Lima e com 12.000 moradores, é o mais perigoso de todos.
“[Estamos] preparando os policiais para que entrem nessas comunidades para obter o apoio dos dirigentes para reunir a população na luta contra o crime organizado, além de realizar palestras preventivas com os adolescentes e estimulá-los na prática do esporte e do teatro”, detalha Huamán.
A nova estratégia também enfraqueceu bastante uma das atividades mais lucrativas dos criminosos: o tráfico de drogas.
O coronel Roy Ugaz Suárez, coordenador das ações policiais de El Callao, informou que as autoridades confiscaram cerca de 29,5 kg de maconha, 100 kg de pasta-base de cocaína e 120 kg de cloridrato de cocaína até o momento este ano. Em 2010, foram apreendidos 159 kg de maconha, 94 kg de pasta-base de cocaína e 121 kg cloridrato de cocaína.
Este ano, a polícia também desmantelou 44 gangues criminosas, com a prisão de 3.716 homens, 303 mulheres e 693 menores na região.
Ugaz Suárez disse ainda que os crimes contra a segurança pública, a venda de drogas ilegais e roubos são comuns em El Callao.
Há cerca de 40 grupos de jovens delinquentes armados, com idades entre 12 e 15 anos, em El Callao, acrescenta Huamán.
“Essas pessoas assumiram o crime, sequestros e atos de violência como modo de vida”, lamenta. “Nessas cidades, as crianças não cultivam valores e preferem usar armas e seguir o modelo de um familiar assaltante ou sequestrador.”
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