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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Paraguai usa tecnologia para solucionar crimes

Moderno laboratório forense garante mais eficiência e precisão nas investigações.

Por Hugo Barrios para Infosurhoy.com — 13/12/2011


							O Laboratório Forense da Procuradoria Geral, inaugurado em abril de 2009, oferece equipamentos de ponta a policiais em suas investigações criminais. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

O Laboratório Forense da Procuradoria Geral, inaugurado em abril de 2009, oferece equipamentos de ponta a policiais em suas investigações criminais. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

ASSUNÇÃO, Paraguai – Os católicos paraguaios ficaram chocados. Afinal, quem poderia querer fazer mal ao monsenhor Julio César Álvarez?

Monsenhor Álvarez, um diplomata de carreira da Santa Sé de 47 anos, foi encontrado, em 14 de abril, estrangulado em seu quarto, localizado nos fundos da igreja do Sagrado Coração de Cristo, em Villarica, capital do departamento de Guairá, na região central do Paraguai.

Um dia após seu corpo ser encontrado, a polícia paraguaia prendeu Nelson Darío Villalba, de 25 anos, que confessou ter matado o padre, além de revelar os nomes de dois supostos cúmplices.

A detenção foi possível graças a uma nova ferramenta das agências de segurança do país para agilizar o processo de levar criminosos à justiça: o Laboratório Forense da Procuradoria Geral.

Especialistas do laboratório rastrearam o sinal do telefone celular do religioso depois de descobrir que o aparelho havia sido roubado junto com seu laptop, além de encontrar e processar impressões digitais na cena do crime.

Monitorando o uso do celular por Villalba, a polícia pôde capturar seus supostos cúmplices.

As modernas instalações, inauguradas em abril de 2009, mudaram a maneira de lidar com as investigações criminais.

“O Paraguai agora é capaz de conduzir investigações que trazem resultados rápidos”, disse o presidente paraguaio, Fernando Lugo, na inauguração das instalações. “Este laboratório nos dá uma oportunidade real de conduzir investigações e proporcionar aos cidadãos o que eles tanto precisam: justiça para todos.”

Élida Favole, diretora do Departamento de Comunicações do Ministério Público, concorda com o presidente.

“O Laboratório Forense permite acelerar e sustentar cientificamente as investigações penais que anteriormente só se baseavam em depoimentos e documentos”, diz Élida. “Hoje em dia, se utiliza a ciência e todo tipo de tecnologia para que a investigação da promotoria seja mais precisa, reduzindo, assim, o nível de impunidade que existe. Com investigações mais sólidas, é possível chegar a um resultado mais eficaz e comprovado cientificamente.”

O laboratório está instalado em um prédio de 1.750 m², financiado pelo Programa Umbral-Paraguai, uma iniciativa que tem como objetivo o combate à corrupção e o fortalecimento do estado de direito no país, explica Élida.

O projeto custou 2,5 bilhões de guaranis (R$ 1,04 milhão) e os equipamentos para o laboratório representaram um investimento adicional do governo de cerca de US$ 1 milhão (R$ 1,85 milhão), informou o procurador Édgar Sánchez, diretor-geral do Laboratório Forense.

O laboratório ajudou em 875 investigações, incluindo homicídios, acidentes de trânsito e agressões, até dezembro de 2010 (as estatísticas deste ano ainda não foram divulgadas).

Sánchez diz que a equipe do laboratório é composta por 72 funcionários – e todos receberam treinamento especializado no próprio Paraguai, Colômbia, Chile e outros países.


							Édgar Sánchez, diretor-geral do Laboratório Forense: “O Departamento de Operações trabalha na cena do crime, colhendo evidências, com dois laboratórios móveis que podem ser levados ao local do incidente.” (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Édgar Sánchez, diretor-geral do Laboratório Forense: “O Departamento de Operações trabalha na cena do crime, colhendo evidências, com dois laboratórios móveis que podem ser levados ao local do incidente.” (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

“Além disso, participaram de cursos de atualização oferecidos por especialistas em criminalística dos Estados Unidos”, acrescenta Sánchez.

Quatro unidades

O laboratório consiste de 4 unidades: Operacional, Científica, Ciminalística e Técnica.

“O Departamento de Operações trabalha na cena do crime, levantando as evidências”, explica Sánchez, diretor do laboratório desde junho de 2011.

“Temos dois laboratórios móveis que podem ser levados ao local do incidente”, conta. “São equipados com computadores, refrigeradores para conservação de substâncias recolhidas, um gerador elétrico, um calibrador digital para medição precisa de calibres de balas, lanternas forenses para detecção de fluídos do organismo e outros elementos científicos.”

O Departamento Científico analisa amostras biológicas de origem humana, como traços genéticos, bem como evidências físicas e químicas colhidas na cena dos crimes.

O Departamento de Criminalística lida com documentação, impressões digitais e rastreamento, análise de acidente e balística, tendo conduzido 1.316 perícias desde 2009.

O Departamento Técnico, que lida com acústica e imagens, informática forense, auditoria contábil, topografia e engenharia, fornece informações valiosas aos promotores. “As perícias agora são feitas com um suporte técnico eficiente, o que as torna praticamente irrefutáveis”, destaca Sánchez. “Devemos ter em mente que algumas dessas perícias eram feitas externamente.”

Depósito de Evidências

Élida informa que o laboratório também trabalha com o Depósito Modelo de Evidências, localizado no bairro de Trinidad, em Assunção, construído na mesma época em que o laboratório para proteger as provas.

“Outra das deficiências que se tinha nas investigações penais, além da falta de suporte científico apropriado, era o roubo de evidências”, conta a diretora.

“Hoje, contamos com um depósito de 13.000 m² que cumpre todas as normas internacionais de certificação de segurança”, afirma.

Cem câmeras de vigilância e pessoal de segurança permitem o monitoramento constante, com um sistema computadorizado que rastreia a chegada, retirada e manipulação de evidências em conexão com os casos judiciais específicos, explica Élida.

A diretora não tem dúvida de que o Laboratório Forense tem exercido um papel importante no auxílio aos promotores na condução de investigações criminais científicas precisas, agilizando o processo legal.

“Obviamente, com computadores e equipamentos científicos, o trabalho (dos promotores) fica consideravelmente mais fácil”, ressalta. “O trabalho deles agora é mais eficiente e preciso.”


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