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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Venezuela: Aumenta número de sequestros

País andino teve um aumento de 6.007% nos casos de pessoas sequestradas num período de 6 anos.

Por José Bolívar para Infosurhoy.com — 19/12/2011


				Wilson Ramos, jogador da Liga Nacional de Beisebol dos Estados Unidos, abraça a namorada depois de ser libertado por uma operação policial de um esconderijo remoto nas montanhas, dois dias depois de ter sido sequestrado na porta de casa, na cidade venezuelana de Santa Inés. (Luis Hernández /Reuters)

Wilson Ramos, jogador da Liga Nacional de Beisebol dos Estados Unidos, abraça a namorada depois de ser libertado por uma operação policial de um esconderijo remoto nas montanhas, dois dias depois de ter sido sequestrado na porta de casa, na cidade venezuelana de Santa Inés. (Luis Hernández /Reuters)

MARACAIBO, Venezuela – Os recentes sequestros do cônsul chileno em Caracas, Juan Carlos Fernández, e do jogador da Liga Nacional de Beisebol dos Estados Unidos Wilson Ramos chamaram a atenção para o submundo dos sequestros na Venezuela. Os números são alarmantes.

Em 2003, ocorreram 277 sequestros no país andino, segundo o Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), enquanto que, de julho de 2008 a julho de 2009, foram executados 16.917 crimes do gênero, segundo os dados mais recentes fornecidos em maio de 2010 pelo Instituto Nacional de Estatística da Venezuela.

Isso representa um aumento de 6.007% em seis anos – um número que preocupa agentes da lei e funcionários de ONGs de direitos humanos quanto à segurança dos 28 milhões de habitantes do país.

A falta de segurança pessoal “é o principal problema da Venezuela”, afirma Marcos Tarre, analista e membro fundador da polícia estadual de Carabobo, que presta consultoria à coalizão oposicionista Mesa da Unidade sobre assuntos de segurança. “[Na Venezuela], não temos os narcotraficantes perigosos do México, ou o fenômeno das ‘maras’ (gangues de rua) da América Central, ou o crime organizado do Brasil, mas temos uma das mais altas taxas de criminalidade da América do Sul.”

Em 9 de novembro, dois homens em uma caminhonete levaram Ramos, de 24 anos, que conversava com amigos na porta de casa, em Santa Inés, estado de Carabobo, a 95 km de Caracas.

O jogador de beisebol foi resgatado dois dias depois, graças a uma operação policial coordenada pelo governo em um esconderijo nas montanhas.

A polícia prendeu pelo menos oito suspeitos em conexão com o sequestro do atleta ou por fornecer alimentação aos sequestradores.

Já Fernández foi levado, em 11 de novembro, ao sair de um hotel em Caracas. Ele levou um tiro na perna antes de ser libertado duas horas mais tarde, recebendo tratamento para os ferimentos. A polícia não prendeu nenhum suspeito.

Os sequestros audaciosos de duas vítimas proeminentes podem indicar que os sequestradores estão se tornando cada vez mais agressivos, já que normalmente não são presos, muito menos punidos.

“O drama dos sequestros é que os culpados não são capturados e levados à justiça por causa do alto nível de impunidade que existe”, relatou à mídia local Esperanza Hermida, coordenadora da ONG de direitos humanos venezuelana “Provea”.

Os motivos por trás dos sequestros de Ramos e Fernández não estão claros, mas podem ser apenas financeiros: o jogador deve faturar cerca de US$ 415.000 (R$ 770.000) nesta temporada pelo time do Washington Nationals e o cônsul é um diplomata de um dos países mais ricos do hemisfério ocidental.

Tarre diz, no entanto, que tais sequestros podem indicar um problema ainda maior.

“Recentemente, assistimos à penetração do crime organizado [internacional] como um elemento relacionado ao aumento dos homicídios e sequestros”, afirma Tarre. “O crime organizado está se desenvolvendo na Venezuela e acabamos de perceber isso.”

Mas o que frustra os venezuelanos é como o governo reagiu aos sequestros de Ramos e Fernández – basta perguntar a Porfirio Dávila, que não vê o pai desde 2003.

Dávila jamais esquecerá o dia 2 de junho de 2003, quando seu pai, Porfirio Dávila Arellano, foi levado da fazenda da família no estado de Táchira, no sudoeste do país.

Logo depois, o telefone tocou.

“Esta manhã, seu pai se ajoelhou e nos implorou para libertá-lo”, disse o sequestrador, segundo Dávila. “Ele chorou e nos disse que nos daria 190 milhões de bolívares.”

Dávila sabia que o homem ao telefone estava mentindo.

“Meu pai nunca agiria assim – se ajoelhar e chorar”, garante Dávila. “Ele calçou sapatos pela primeira vez e aprendeu a ler aos 12 anos de idade. Ele é resistente, um guerreiro.”

O sequestrador exigiu um resgate de US$ 300.000 (R$ 558.000), uma quantia que a família não tinha, segundo Dávila.

Seis semanas após o sequestro, a família de Dávila recebeu uma ligação dizendo que Arellano tinha sido “transferido” para outro grupo de sequestradores.

“A ligação foi há oito anos”, afirma Dávila. “Não soubemos de mais nada desde então.”

Os familiares de Dávila estão em uma sinuca, pois temem – como muitos outros venezuelanos cujos familiares ou amigos foram sequestrados – pedir ajuda às agências da lei, já que isso poderia levar ao assassinato de seus entes queridos.

“As vítimas não denunciam [os sequestros] porque pode vir a ser antiprodutivo: você precisa proteger a vida do sequestrado e da família”, explica Esperanza.

Dávila se agarra à esperança de que um dia receberá um sinal de que seu pai está vivo. Os dias passam, mas ele revive constantemente aquele trágico dia ocorrido há mais de oito anos.

“Para nós, 2 de junho de 2003 ainda é ‘hoje’. O tempo parou para nós desde que levaram meu pai”, conta. “Esse é um luto sem fim, uma esperança que dói. Em que condições meu pai retornará, se ele algum dia retornar? E onde devo buscar seu corpo para enterrá-lo se ele estiver morto?”

Dávila tem outra pergunta: por que o sequestro de meu pai não foi levado tão a sério quanto os de Ramos e Fernández?

“No caso de meu pai, o único apoio que tive do governo foram três guardas nacionais que me ajudaram a procurar por ele no dia do sequestro. Só isso”, lamenta. “Observando o contraste do que aconteceu com [Ramos] e com outros casos semelhantes, não dá para não se questionar: por que não eu?”


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