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O segundo-tenente Henry Atilano Acosta, do Corpo Geral de Bombeiros Voluntários do Peru (CGBVP) em Carabayllo, um dos bairros mais pobres de Lima: “Nossos veículos são de 1965. Recebemos chamadas de emergência e não conseguimos chegar a tempo porque os carros quebram no caminho.” (Edgar Dávila Chota para Infosurhoy.com)
LIMA, Peru – O governo peruano anunciou, em 2 de janeiro, um aumento no orçamento do Corpo Geral de Bombeiros Voluntários do Peru (CGBVP), que, de 53 milhões de sóis novos (R$ 35,35 milhões), saltará para 103 milhões de sóis novos (R$ 69,85 milhões).
O dinheiro será usado na compra de novos carros de combate a incêndio e ambulâncias, um investimento extremamente necessário, já que alguns postos de bombeiros do país usam equipamentos que têm quase meio século de idade.
Trata-se do primeiro investimento do Ministério das Finanças para atualizar a tecnologia do CGBVP em 32 anos, segundo dados do próprio órgão.
E, para pessoas como Juana Quispe, o aumento de orçamento está chegando tarde demais.
Em novembro passado, a residência vizinha à de Juana, em Ventanilla, área arenosa da cidade de Callao, pegou fogo, e o incêndio rapidamente se alastrou para sua casa. Tudo que Juana pôde fazer foi correr.
A casa era feita de folhas de palmeira e madeira.
“Não deu para fazer nada”, lamenta Juana, que perdeu 80% da casa. “Não havia como 'puxar' água, e os bombeiros não tinham tanque d'água.”
O drama de Juana ilustra a crise financeira do CGBVP.
Mangueiras com vazamentos, vestimentas à prova de fogo surradas e problemas generalizados nos poucos veículos de combate a incêndio estão colocando em risco a vida e os bens dos peruanos.
“Nossos veículos são de 1965”, diz o segundo-tenente Henry Atilano Acosta, do Corpo Geral de Bombeiros Voluntários do Peru (CGBVP) em Carabayllo, um dos bairros mais pobres de Lima. “Recebemos chamadas de emergência e não conseguimos chegar a tempo porque os carros quebram no caminho.”
Poucos dias antes do incêndio na casa vizinha à de Juana, o CGBVP avisou que precisava de 191 tanques d'água para lidar com a falta de água nas regiões mais pobres do país, pois somente 82% das residências das áreas urbanas e 39% das rurais são abastecidas pela rede pública.
Bombeiros voluntários muitas vezes gastam seu próprio dinheiro para suprir as necessidades do departamento, conta Atilano.
Mas, ainda assim, não desistem e continuam atendendo à comunidade.
Em Lima, o departamento atendeu a 86.858 emergências de janeiro a novembro de 2011, segundo dados do CBGVP. Apenas no feriado de ano novo, foram 224 emergências, entre incêndios, vazamentos de gás e acidentes de trânsito.
Meta para cinco anos
O CGBVP é supervisionado pelo presidente do Conselho de Ministros e regulado pela Lei 27.140, que entrou em vigor em março de 1999.
O artigo 15 da lei especifica que o financiamento ao departamento é composto por verbas do Ministério das Finanças, doações nacionais e internacionais e outras fontes.
De acordo com o brigadeiro general Antonio Zavala Abeo, comandante do CGBVP, a situação dos equipamentos, que estão ultrapassados e quebrados, impediu o órgão de atender a mais de 25.000 chamados no ano passado.
“Do total de equipamentos que temos, 80% está em mau estado”, afirmou Zavala Abeo em entrevista coletiva.
O comandante espera que o aumento do orçamento deste ano não seja uma medida temporária.
“Nossa meta é manter o orçamento nesse nível nos próximos cinco anos, no mínimo. Isso asseguraria equipamentos adequados para todos os níveis do CGBVP”, acrescentou
Soluções orçamentárias
Diante da crise orçamentária, o setor privado entrou em ação.
A operadora de telefonia celular Claro lançou uma campanha de solidariedade chamada “Claro e Você”, que estimula os clientes a solicitar faturas eletrônicas, para que o dinheiro economizado em impressão ajude a comprar equipamentos para os bombeiros.
“Alguns dias atrás, entregamos 500 pares de botas de segurança”, diz Italy Valdivia Salinas, especialista em serviços da Claro. “A próxima meta é doar vestimentas e assim por diante.”
O CGBVP também lançou a campanha "Use uma pulseira e ajude o bombeiro voluntário”, em conjunto com 11 lojas de departamento e shopping centers. A receita obtida com a venda das pulseiras será doada para o órgão.
As peças esgotaram-se rapidamente.
“Já fui a seis lojas e não consigo encontrar”, conta a dona de casa Arlet Hidalgo Flores, de 29 anos, que mora em Lima.
Até 12 de novembro, o CGBVP havia comprado 1.000 unidades de equipamentos com o dinheiro arrecadado por meio dessas iniciativas.
O departamento também afirmou que o governo se comprometeu a doar 45 cisternas, 50 carros de combate a incêndio e 50 ambulâncias, que serão distribuídos nacionalmente, entre os diversos postos de bombeiros.
“Precisamos de uma mudança e precisamos da ajuda de todos”, diz Atilano. “É a única forma de continuar ajudando os outros.”
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