Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
BOGOTÁ, Colômbia – Narcotraficantes estão ampliando seus mercados na Colômbia, recorrendo a integrantes de gangues para vender drogas nas proximidades de escolas e ameaçando professores que tentam impedir a atividade.
“As autoridades colombianas conhecem o mecanismo que os narcotraficantes usam para se infiltrar em nossas instituições educacionais, intimidar os professores e tirar os jovens colombianos do bom caminho”, afirmou o presidente Juan Manuel Santos em discurso no mês passado.
Gangues e traficantes de drogas ameaçaram 200 professores no país em 2011, depois de intimidarem 114 no ano anterior, segundo a Associação Distrital de Educadores (ADE).
De janeiro a novembro de 2011, cerca de 180 professores pediram transferência após serem ameaçados por gangues que querem controlar a venda de drogas nas escolas, revela a ADE.
As ameaças vêm de integrantes de gangue ligados a grupos terroristas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que estão por trás de muitas organizações criminosas na Colômbia.
As FARC se infiltraram nas faculdades do país para recrutar integrantes e vender narcóticos a estudantes para financiar suas operações, denuncia a ADE.
Gilma Caro, professora de história de uma escola no bairro de Bosa – um dos mais perigosos de Bogotá –, soube que um de seus alunos do segundo colegial estava vendendo maconha.
Assim que o processo disciplinar foi concluído e o estudante foi expulso, o pesadelo de Gilma começou.
Por duas semanas, ela recebeu telefonemas intimidadores, cartas e e-mails com ameaças de que “não chegaria viva ao ano seguinte”. A professora, que se transferiu para uma cidade no litoral norte da Colômbia, acabou abandonando a profissão.
“Fiz meu trabalho e tentei ajudar o garoto”, diz. “Mas sua expulsão foi inevitável e parece que ele era ligado a uma gangue na área que não gostou nem um pouco de perder uma de suas fontes de renda naquele colégio. Assim, depois da primeira semana, eu já havia apresentado a minha carta de demissão. Minha segurança vem em primeiro lugar.”

Ministra da Educação María Fernanda Campo: “O Ministério da Educação e o governo estão tentando garantir a qualidade da educação para todos os colombianos, mas, para chegar lá, precisamos superar uma série de desafios, sendo que desistência e dependência de drogas são as maiores ameaças à educação na Colômbia”. (Cortesia da Presidência da Colômbia)
As localidades de Bogotá onde os docentes são mais ameaçados são Ciudad Bolívar, San Cristóbal, Rafael Uribe Uribe, Usme e Bosa, diz Ismael Bernate, do Comitê de Ameaçados para o Distrito da Capital, uma organização da ADE encarregada da proteção e transferência de professores em perigo.
“O aspecto mais delicado dessa situação é [como lidar] com os autores das ameaças”, ressalta Bernate. “São estudantes da própria escola, gangues ou ameaças anônimas.” O mais preocupante é o aumento das intimidações por parte de grupos de narcotraficantes à margem da lei, acrescenta.
María Teresa Urrea, docente da rede pública de ensino de Bogotá há mais de 30 anos, concorda com Bernate.
“A situação é ainda mais dramática em escolas públicas”, ressalta. “Os colégios particulares têm um pouco mais de controle e não se nota tanto a venda de drogas e a influência de gangues devido à sua exclusividade. As instituições públicas, porém, são outra história. Na escola em que dou aula, há vários casos de crianças que são usadas como vendedores internos de drogas. Quando são descobertos, claro que informam a seus 'chefes', que se encarregam de ameaçar o docente ou pessoa que entregou o estudante à direção da escola.”
Cerca de 60% dos 11 milhões de estudantes do país afirmam que é fácil comprar maconha, enquanto 30% dizem o mesmo sobre a cocaína, segundo uma pesquisa de 2009 da Comunidade Andina de Nações.
Cerca de 1/3 de todos os estudantes admitiram que experimentaram maconha (26,7%), cocaína (6,4%) e ecstasy (4,6%), segundo o estudo. Entre os que consomem cocaína regularmente, 37% mostraram sinais de dependência.
Segundo a Ouvidoria de Bogotá e o Ministério da Educação, 51% das escolas públicas da Colômbia enfrentaram problemas de narcotráfico e gangues.
Mas o governo está tentando livrar as escolas de traficantes de drogas e integrantes de gangue. Uma das medidas foi a contratação de 1.000 policiais que protegerão as áreas de alto risco de Bogotá.
“O que buscamos com esse tipo de ação é melhorar a segurança e a convivência em nossas localidades”, enfatiza Clara López Obregón, ex-prefeita de Bogotá. “Com isso, vigiaremos os focos de insegurança da cidade e teremos mais capacidade para proteger colégios, parques e a população em geral. Este mesmo plano será implementado por outras cidades no fim do ano. Em outras palavras, as cidades estarão mais seguras.”
Os desafios enfrentados pelos jovens colombianos para obter educação não são segredo, enfatiza a ministra da Educação, María Fernanda Campo.
“O Ministério da Educação e o governo estão tentando garantir a qualidade da educação para todos os colombianos”, acrescenta. “Mas, para chegar lá, precisamos seguir um processo e superar uma série de desafios, sendo que desistência e dependência a drogas são as maiores ameaças à educação na Colômbia.”
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