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SALCAJÁ, Guatemala – Familiares de Héctor Bocel, um dos oito policiais mortos por homens armados em uma delegacia de Salcajá, no departamento de Quetzaltenango, choram do lado de fora do necrotério, em 14 de junho. Os homens armados também sequestraram um chefe de polícia. (AFP)

SALCAJÁ, Guatemala – Familiares de Héctor Bocel, um dos oito policiais mortos por homens armados em uma delegacia de Salcajá, no departamento de Quetzaltenango, choram do lado de fora do necrotério, em 14 de junho. Os homens armados também sequestraram um chefe de polícia. (AFP)

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Rocinha: pacificada e de braços abertos

Favela mais populosa do Brasil deixa para trás imagem violenta, sedia eventos esportivos e atrai visitantes.

Por Daniela Oliveira para Infosurhoy.com — 18/01/2012


				A Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tem recebido visitantes desde que a polícia expulsou os traficantes do local, em novembro do ano passado. (Ricardo Moraes/Reuters)

A Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tem recebido visitantes desde que a polícia expulsou os traficantes do local, em novembro do ano passado. (Ricardo Moraes/Reuters)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Já foi o tempo em que a Favela da Rocinha só aparecia nos jornais por causa da violência. Hoje, o morro virou point.

Depois que a polícia expulsou os traficantes e iniciou a pacificação da favela, em novembro de 2011, a Rocinha deixou de ser um reduto dominado pelo tráfico de drogas e virou palco de eventos que reúnem moradores da comunidade e de outros bairros da cidade.

Um dos principais eventos é a corrida “Rocinha de Braços Abertos”, que será realizada no domingo, 22 de janeiro, e tem 2.000 inscritos, sendo mais de 500 da comunidade.

“Não conheço bem a Rocinha por dentro. Vai ser uma aventura correr pelos becos e vielas da favela”, diz o corredor Alexandre Moura, de 32 anos, que mora no bairro do Flamengo, a 15km da Rocinha. “A integração social promete ser a melhor parte. A favela vai parar para ver a corrida.”

O Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) ajudou os organizadores do evento a definir os percursos de 5km e 10km, que passam por ladeiras, becos e escadarias da favela e pela trilha do parque ecológico que cerca o local.

A categoria Comunidade foi criada para moradores da Rocinha e da favela vizinha, Vidigal, que ficaram isentos da taxa de inscrição de R$ 40. Os dois vencedores – um homem e uma mulher – da prova de 10km nesta categoria vão ganhar material esportivo, acompanhamento técnico de corrida, fisioterapeuta e nutricionista durante um ano.


				No ensaio técnico da Acadêmicos da Rocinha, no Sambódromo, a passista Jacqueline Bezerra conta que menos da metade dos membros da escola de samba mora na favela: “Esse mix de pessoas é muito bacana e dá o tom da festa”.  (Daniela Oliveira para Infosurhoy.com)

No ensaio técnico da Acadêmicos da Rocinha, no Sambódromo, a passista Jacqueline Bezerra conta que menos da metade dos membros da escola de samba mora na favela: “Esse mix de pessoas é muito bacana e dá o tom da festa”. (Daniela Oliveira para Infosurhoy.com)

No fim do evento, uma Mini Corrida vai reunir crianças de 1 a 12 anos, com distâncias variando de acordo com a idade.

A Rocinha está localizada entre dois dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro, São Conrado e Gávea. Segundo o Censo Demográfico 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a favela é a mais populosa do país, com cerca de 70.000 pessoas – mas os próprios moradores discordam, alegando que este número é três vezes maior.

Por causa de seu tamanho e localização, a Rocinha era um dos principais focos da Secretaria de Segurança Pública desde o início das pacificações das favelas cariocas, em 2008.

Jungle Fight na Rocinha

No próximo sábado, 21, outro grande evento vai atrair atenção para a favela: o Jungle Fight 36, que será realizado às 20h, na quadra da escola de samba Acadêmicos da Rocinha.

O Jungle Fight é um dos maiores eventos da América Latina de MMA (Artes Marciais Mistas), o esporte da moda no Brasil.


				O corredor Alexandre Moura mora no bairro do Flamengo, mas vai correr na Rocinha: “Vai ser uma aventura correr pelos becos e vielas da favela”. (Cortesia de Asics/Equipe Start)

O corredor Alexandre Moura mora no bairro do Flamengo, mas vai correr na Rocinha: “Vai ser uma aventura correr pelos becos e vielas da favela”. (Cortesia de Asics/Equipe Start)

“Os ingressos serão todos gratuitos e distribuídos na própria Rocinha para que os moradores possam prestigiar as lutas”, diz Wallid Ismail, 43 anos, presidente do Jungle Fight.

A principal luta terá o argentino Emiliano Sordy e o baiano Kleber Orgulho disputando o cinturão da categoria até 93kg. Lutadores da Rocinha e outras favelas também terão sua vez no ringue com o Jungle Comunidade, uma novidade desta edição do Jungle Fight. Das 9 lutas, 5 serão protagonizadas por moradores de favelas cariocas.

“A maioria dos grandes lutadores é de origem humilde. Mesmo que o atleta não se torne um campeão, ele pode virar um professor de luta e ensinar outros jovens a lutar, os afastando da marginalidade”, diz Ismail. “O ciclo do esporte traz oportunidades e combate o ciclo da criminalidade e das drogas.”

Moradora da Rocinha, a estudante Jacqueline Bezerra, de 26 anos, quer assistir às lutas.

“É uma excelente oportunidade para ver este esporte que está badalado aqui no Brasil”, comemora ela, lembrando que ingressos para grandes eventos de MMA no Rio costumam custar entre R$ 275 e R$ 1.600.

Jacqueline é passista da Acadêmicos da Rocinha há 11 anos e aprova a abertura da comunidade para gente de fora.


				O consultor agrícola Marcelo Vianna vai desfilar com a mulher (a seu lado) e duas amigas pela escola de samba Acadêmicos da Rocinha no carnaval. Ele viajou cerca de 150km para participar do ensaio técnico no Sambódromo, em 14 de janeiro. (Daniela Oliveira para Infosurhoy.com)

O consultor agrícola Marcelo Vianna vai desfilar com a mulher (a seu lado) e duas amigas pela escola de samba Acadêmicos da Rocinha no carnaval. Ele viajou cerca de 150km para participar do ensaio técnico no Sambódromo, em 14 de janeiro. (Daniela Oliveira para Infosurhoy.com)

“A Rocinha sempre recebeu visita de estrangeiros querendo conhecer o lado exótico da favela, a nossa pobreza”, lembra a passista, que já deu aulas de samba para estrangeiros e moradores de bairros da Zona Sul. “Mas, agora, essas pessoas perderam o receio de andar livremente por aqui e estão interessadas em ver o que temos de bom também.”

Escola de samba une locais e visitantes

Para Jacqueline, a própria escola de samba reflete essa nova mistura: dos 2.000 componentes que desfilarão no Carnaval deste ano, cerca de 900 são da comunidade e outros 1.100 de outros bairros, cidades e até países.

“Esse mix de pessoas é muito bacana e dá o tom da festa”, diz ela, lembrando que os ensaios na quadra da Acadêmicos da Rocinha também atraem muitos visitantes.

O consultor agrícola Marcelo Vianna, 44, que foi ao ensaio técnico da escola no Sambódromo, em 14 de janeiro, diz que o Rio está mudando.

“A pacificação nos dá mais tranquilidade para circular pela cidade. Hoje estamos aqui, despreocupados”, diz ele, que estava acompanhado da mulher e duas amigas.

Há 17 anos, Vianna trocou o Rio pela Região dos Lagos, a cerca de 150km da Rocinha, em busca de sossego.


				O argentino Emiliano Sordy (de camiseta branca) e o baiano Kleber Orgulho (de luvas) vão protagonizar a luta principal do Jungle Fight, evento de MMA que será realizado no dia 21, na Rocinha. (Cortesia do Jungle Fight).

O argentino Emiliano Sordy (de camiseta branca) e o baiano Kleber Orgulho (de luvas) vão protagonizar a luta principal do Jungle Fight, evento de MMA que será realizado no dia 21, na Rocinha. (Cortesia do Jungle Fight).

“A cidade estava muito violenta”, diz ele. “Optei por uma cidade menor, em que todo mundo se conhece.”

‘Desafio da Paz’

No dia 29, a Rocinha vai sediar outra corrida, o “Desafio da Paz”. O percurso de 5km será feito no mesmo local do “Circuito da Gávea”, prova de automobilismo dos anos 30.

Criado pela ONG AfroReggae, o“Desafio da Paz” foi realizado em outras duas comunidades no ano passado, Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro, e passou a fazer parte do calendário de eventos esportivos da cidade.

Na Rocinha, o número de participantes será o dobro das edições anteriores, 2.000 pessoas, sendo 500 da comunidade.

“O Rio de Janeiro está mudando, aquela ‘cidade partida’ de antes está acabando e o ‘Desafio da Paz’ foi criado para ajudar nesse processo”, afirma José Junior, coordenador executivo do AfroReggae. “Nosso desafio é unir atletas de ponta, artistas, policiais, empresários e moradores.”

Um outro evento promete atrair público de fora e flashes para a favela em março: o Miss Rocinha 2012. Uma passarela será montada na Via Ápia, principal rua da favela, para o evento.

As candidatas, que devem ter entre 16 e 20 anos e morar na Rocinha, serão julgadas na finalíssima por um júri de famosos, como a ex-modelo Luiza Brunet, a atriz Carolina Dieckmann e a cantora Preta Gil.


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