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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Fontes de financiamento da Al-Qaeda estão se esgotando

Apoio financeiro regular ao grupo terrorista estaria desaparecendo após morte de Bin Laden e Primavera Árabe.

Por Rajeh Said para Infosurhoy.com – 24/01/2012


							A morte de Osama Bin Laden e o impacto das revoluções da Primavera Árabe causaram problemas financeiros para o líder da Al-Qaeda, Dr. Ayman al-Zawahiri. [Ho New/Reuters]

A morte de Osama Bin Laden e o impacto das revoluções da Primavera Árabe causaram problemas financeiros para o líder da Al-Qaeda, Dr. Ayman al-Zawahiri. [Ho New/Reuters]

LONDRES – Quando Ayman al-Zawahiri sucedeu o líder morto da al-Qaeda, Osama bin Laden, em junho de 2011, estava claro que se encontrava diante de uma missão intimidadora: a reconstrução de uma organização que sofrera baixas severas em suas fileiras como resultado dos golpes recebidos, especialmente nas áreas de fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Ficou claro também que o novo líder precisaria encontrar uma solução para o desafio representado pelas revoluções da Primavera Árabe. A força das demonstrações ilustrava que a maioria nas ruas árabes não apoiava as políticas da al-Qaeda de defender mudanças através da violência, nem estava convencida de suas justificativas de atacar o Ocidente, que ficou ao lado do povo árabe em sua busca por maior liberdade política.

E agora, parece que al-Zawahiri precisa encontrar uma solução para outro problema que, muito provavelmente, começou há anos, mas foi agravado pela morte de Bin Laden em Abbottabad, Paquistão, em maio de 2011: a falta de financiamento, mais especificamente.

Nove meses após a morte de Bin Laden, não aconteceu sequer um ataque retaliativo, o que pode ser resultado da inabilidade ou do despreparo da organização para conduzir operações no momento. Outra razão pode ser a segurança massiva no Ocidente e o alerta máximo dos países árabes para evitar possíveis ataques.

Outro fator que atrasa ou dificulta a realização de ataques pode ser uma insuficiência de fundos. Essa falta de dinheiro parece estar afetando a capacidade da al-Qaeda de executar os preparativos necessários para grandes operações que requerem financiamento considerável, além do custo de recrutar e treinar combatentes.

Financiamento insuficiente não é novidade

A falta de financiamento à al-Qaeda no Waziristão não é, de fato, novidade. Boatos frequentes de escassez de fundos vêm circulando há anos. Al-Zawahiri destacou a questão explicitamente em uma carta de junho de 2005 a Abu Musab al-Zarqawi, ex-líder do braço da al-Qaeda no Iraque.

Al-Zawahiri pediu a al-Zarqawi a transferência de uma grande soma em dinheiro (R$ 176.000) à liderança da al-Qaeda. Em sua carta, Al-Zawahiri se refere a uma interrupção nos financiamentos após a prisão de Abu Faraj al-Libi, um líder do grupo, apesar de al-Zawahiri haver descrito a situação financeira geral da organização como “boa”, o que significa que algumas verbas ainda chegavam à al-Qaeda no Waziristão à época.

Não está claro se as doações à al-Qaeda, que vêm principalmente de simpatizantes em países do Golfo, diminuíram mais ou aumentaram nos anos seguintes à tal carta, mas novas informações do Waziristão não indicam que a organização esteja em melhor posição militar ou financeira.

Um combatente afegão que lutou ao lado da al-Qaeda revela que a presença da organização no Waziristão diminuiu significativamente e sua fileiras se reduziram a poucas dezenas de integrantes. O jovem afegão Hafez Hanif contou à revista americana Newsweek, em entrevista publicada em 2 de janeiro, que buscou informações sobre um grupo de combatentes da al-Qaeda do qual não tinha notícias desde a morte de Bin Laden e descobriu que todos viviam em condições precárias, com grandes baixas em suas fileiras.

Enquanto Hanif disse que “dinheiro é um problema mais importante [para a al-Qaeda] que a redução de suas fileiras”, o tio do jovem afegão declarou à revista que suas fontes confirmam que os financiamentos à organização, que costumavam ser da ordem de milhões de dólares, se esgotaram.

Financiamentos vão para outras causas

Parece que o dinheiro agora vai para outras causas que não as da liderança da al-Qaeda, que, aparentemente, se tornou marginalizada e isolada em seu esconderijo no Waziristão. O tio de Hanif disse achar que “agora, o povo árabe acredita que a luta deve ser política, em casa, e não o terrorismo com o Ocidente como alvo”, e que “a luta pacífica nas ruas árabes conseguiu mais do que Bin Laden e al-Zawahiri jamais conseguiriam.”

Se as informações fornecidas por esses afegãos forem verdadeiras, fortaleceriam a crença generalizada de que a organização corre o risco de deixar de ser uma força efetiva, como era no Afeganistão nos anos anteriores aos ataques de 11 de setembro de 2001.

Essa impressão foi reforçada durante as manifestações da Primavera Árabe e, mais uma vez, após a morte de Bin Laden. Reportagens da mídia confirmaram as mortes de muitos dos líderes e integrantes da al-Qaeda em ataques aéreos e confrontos com forças paquistanesas.

A reportagem da Newsweek indica que a al-Qaeda, que já teve centenas de combatentes nas áreas de fronteira entre Afeganistão e Paquistão, agora tem poucas dezenas na região, provavelmente incluindo al-Zawahiri e Abu Yahya al-Libi. Esses reles números confirmam que a organização foi reduzida a um papel secundário. A ausência de combatentes da al-Qaeda nas batalhas sendo travadas por braços paquistaneses e afegãos do Taliban contra os governos do Paquistão, Afeganistão e forças ocidentais é outro sinal de sua posição enfraquecida.

O fato de a al-Qaeda estar enfrentando esses problemas no Waziristão não significa que a organização morreu e pode ainda executar um ataque suicida para vingar a morte de Bin Laden. Mas, mesmo que a organização consiga realizar tal atentado, provavelmente não significaria uma mudança fundamental em sua condição se a falta de combatentes e financiamento persistir, e se permanecer marginalizada em meio às revoluções, em sua maioria pacíficas, da Primavera Árabe.


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