Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
CIDADE DA GUATEMALA – Em seu último discurso como presidente, em 14 de janeiro, Álvaro Colom fez questão de deixar algo bem claro.
“Prendemos 14 [traficantes de drogas] da lista de 19 que recebi no início do meu governo”, disse, antes de ser substituído por Otto Pérez. “Isso foi possível graças a uma altíssima coordenação entre o Ministério Público e a Polícia Nacional Civil.”
Os 14 supostos narcotraficantes presos de janeiro de 2008 a novembro de 2011 também eram procurados pelos Estados Unidos.
O maior número de detenções ocorreu em abril do ano passado, quando Waldemar Lorenzana Lima e seu filho Elio, procurados pelos EUA sob acusação de tráfico internacional de drogas, foram detidos.
O Departamento do Tesouro dos EUA acusa Waldemar Lorenzana e seus três filhos (Haroldo, Elio e Waldemar) de conspiração para o tráfico internacional de drogas para os Estados Unidos, usando a Guatemala como conexão para o recebimento de narcóticos da Colômbia, antes de enviá-los para o México.
A rede de Lorenzana é suspeita de alinhamento com o cartel de Sinaloa, liderado pelo fugitivo mais procurado do México, Joaquín Guzmán Loera, vulgo “El Chapo”, de acordo com o Ministério Público da Guatemala.
Waldemar Lorenzana, de 72 anos, terá, no fim do mês, uma audiência para decidir sobre sua extradição para os EUA, pois seus advogados alegam que o réu está doente e precisa ser hospitalizado, não preso.
“Os processos não são tão longos, mas os advogados de defesa desses personagens consideram que devem fazer uso de todos os recursos legais a favor de seu cliente e isso faz com que o processo demore mais que o normal”, diz o conselheiro especial do Ministério Público, Arturo Aguilar.
Entre os detidos com ordens de extradição pendente estão Juan Alberto Ortiz, Daniel Pérez Rojas, Sergio Armando Ruano Osorio, o ex-presidente Alfonso Portillo, Luciano Soto Chávez, Mauro Salomón Ramírez, Édgar Estrada, Víctor Estrada, Víctor Arévalo, Byron Linares Cordón e Alma Lucrecia Hernández.
A agência antidrogas dos EUA (DEA) e a Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG) ligam Ortiz à organização criminosa “Los Sarceños”, uma rede mexicana de narcotráfico associada ao Cartel do Golfo. Ortiz se apresentará a uma corte distrital da Flórida, onde é acusado de conspirar para o tráfico de drogas, especialmente a entrada nos EUA de 3.175 kg de cocaína em barcos pesqueiros com origem na costa do Pacífico guatemalteco, em 2009.
A DEA e a Seção de Assuntos Relacionados a Narcóticos (NAS) da Embaixada dos EUA na Guatemala contribuíram para a prisão dos 14 suspeitos.
A DEA ajudou com informações e o empréstimo de helicópteros para a transferência de prisioneiros, mas não participou de nenhuma das operações que resultaram na captura dos suspeitos, afirma o ex-ministro do Interior, Carlos Menocal.
“Há um acordo entre os dois países que envolve a DEA e a NAS”, lembra Aguilar. “O governo dos EUA forneceu helicópteros, que foram pilotados pela Força Aérea da Guatemala.”
A colaboração entre os países também possibilitou o treinamento de novos agentes antinarcóticos da Guatemala, que reforçarão o combate às redes de tráfico, disse Menocal no mês passado.
“Jovens policiais de futuro participam regularmente dessas operações. Antes delas, [os agentes] passam por treinamento oferecido por autoridades da DEA”, afirmou o ex-ministro.
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