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![O congressista Luis Ibérico, membro da Comissão de Defesa Nacional, sobre o Serviço Policial Voluntário: “Não sei como os civis vão lidar com o trabalho policial. Ainda mais quando os jovens lidarem com [materiais] sensíveis... Informações secretas podem vazar. Se querem mais policiais, deveriam contratar mais ou trazer de volta os experientes aposentados”. (Carmen Alvarado para Infosurhoy.com)](/cocoon/saii/images/2012/03/06/photo1AAP.jpg)
O congressista Luis Ibérico, membro da Comissão de Defesa Nacional, sobre o Serviço Policial Voluntário: “Não sei como os civis vão lidar com o trabalho policial. Ainda mais quando os jovens lidarem com [materiais] sensíveis... Informações secretas podem vazar. Se querem mais policiais, deveriam contratar mais ou trazer de volta os experientes aposentados”. (Carmen Alvarado para Infosurhoy.com)
LIMA, Peru – O governo peruano emitiu um decreto em 1º de março criando um programa voluntário que permite que cidadãos de 18 a 21 anos auxiliem a polícia em todo o país.
A Lei do Serviço Policial Voluntário, aprovada em reunião ministerial, chega em um momento em que o Peru está mergulhado em uma onda de crimes e violência.
Segundo a primeira Pesquisa Nacional sobre Vitimização Urbana do Peru, realizada pela ONG “Ciudad Nuestra” (Cidade Nossa) de segurança cidadã e publicada em maio de 2011, 72% dos peruanos se sentem inseguros no país, enquanto 41% das famílias tinham ao menos um membro vítima de um crime.
A Comissão de Defesa do Congresso do país aprovou uma lei em dezembro que cria um programa semelhante, mas o estatuto aguardava aprovação parlamentar.
Abrindo portas
O decreto, que se tornará lei um dia após sua publicação no Diário Oficial El Peruano, abre as portas para que os jovens auxiliem a Polícia Nacional e oferece a eles uma chance de seguir carreira na área.
“Basicamente, estes [voluntários] apoiarão as atividades da Polícia Nacional e outras instalações para que os policiais se dediquem mais a servir aos cidadãos”, explica o ministro do Interior, Daniel Lozada Casapía. “Eles somente desempenharão atividades administrativas e não se envolverão na manutenção da ordem pública.”
Depois de três meses de treinamento policial básico, os voluntários passam nove meses em delegacias de polícia do país. Eles têm a opção de entrar para a Academia da Polícia Nacional após a conclusão do programa ou podem servir mais um ano antes de entrar para a academia, detalha Lozada Casapía.
O ministro da Defesa, Luis Alberto Otálora, exaltou o programa, classificando-o como “um passo transcendental rumo à participação dos jovens [na segurança cidadã]”.
O programa voluntário trará novas ideias e abordagens à Polícia Nacional, afirma o procurador-geral do Peru, José Peláez.
“É uma iniciativa importante, já que impede que os jovens entrem na vida do crime e traz um capital humano bastante necessário para a polícia”, diz.
Aprovação questionada
Membros do Congresso criticaram a decisão do governo de aprovar a iniciativa por decreto.
“Não se pode passar por cima de decisões e debates do Congresso Nacional”, ressalta o congressista Luis Ibérico, membro da Comissão de Defesa do Congresso.
Há inúmeras perguntas sobre a implantação do programa, acrescenta o parlamentar.
“Não sei como os civis vão lidar com o trabalho policial”, diz. “Ainda mais quando os jovens lidarem com [materiais] sensíveis... Informações secretas podem vazar. Se querem mais policiais, deveriam contratar mais ou trazer de volta os experientes aposentados.”
O criminologista Gustavo Dávila Angulo concorda.
“Não entendo como o Serviço Policial Voluntário pode atender às necessidades logísticas das delegacias de polícia em todo o país”, questiona. “O que precisamos é de uma melhor administração de recursos e mais vagas na academia de polícia.”
Experiência valiosa
O reverendo José Ignacio Mantecón Sancho, pastor da Igreja Católica Virgem de Nazareth, no populoso bairro de El Augustino, em Lima, diz que o Serviço Policial Voluntário “é uma iniciativa interessante que permitirá que os jovens se envolvam em novas funções”.
Mas ele ressalta que “uma iniciativa não é suficiente para consertar a situação”, indicando a necessidade de uma “revolução no bairros”.
Cultura, diversão e emprego devem fazer parte de um sistema abrangente de prevenção ao crime, acrescenta o religioso de 62 anos.
Através dos programas sociais, que incluem shows de rock de bandas jovens, programas de arte e oficinas de emprego coordenadas por sua igreja, Mantecón Sancho atende a centenas de jovens. Entre eles, estão alguns dos cerca de 24.000 que pertencem às 410 gangues que atuam em Lima, de acordo com a Secretaria Técnica da Comissão Nacional de Segurança do Peru (CONASEC).
“Temos que manter o foco em programas completos nos quais as famílias, as escolas e as ruas formem um triângulo vinculante”, afirma. “Para que isso funcione, tem que haver vontade de trabalhar, investimentos e pessoas idôneas que possam tratar do problema de frente.”
César Ortiz Anderson, fundador da ONG Associação Pró Segurança Cidadã (APROSEC), assegura que o Serviço Policial Voluntário é um bom conceito, mas o problema é que os voluntários precisam de mais de três meses de treinamento antes de ir para as ruas.
“Com mais policiais nas ruas não se soluciona o problema. Não precisamos de quantidade, mas de qualidade”, garante. “É necessário que haja uma depuração interna da Polícia Nacional do Peru. Se não limparmos a casa primeiro, nada mudará.”
- Pedro Hurtado Canepa contribuiu para esta reportagem.
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