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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Colômbia: Aumentam ameaças a jornalistas

Ao todo, 1.261 atentados contra os direitos de profissionais de mídia colombianos foram registrados de 2002 a 2011, segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP).

Por Carlos Andrés Barahona para Infosurhoy.com — 13/03/2012


							Parentes do jornalista colombiano Yesid Marulanda choram ao lado do caixão em seu funeral em Cali, em 4 de maio de 2001. Marulanda, repórter esportivo de uma TV local, levou seis tiros. Ninguém foi acusado pelo crime. (Juan B./Reuters)

Parentes do jornalista colombiano Yesid Marulanda choram ao lado do caixão em seu funeral em Cali, em 4 de maio de 2001. Marulanda, repórter esportivo de uma TV local, levou seis tiros. Ninguém foi acusado pelo crime. (Juan B./Reuters)

BOGOTÁ, Colômbia – Foram registrados 1.261 ataques contra jornalistas colombianos em todo o país de 2002 até o ano passado, de acordo com o “Estado da Liberdade de Imprensa na Colômbia 2011”, da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP).

O relatório, divulgado em 9 de fevereiro, documenta o tamanho da violência contra jornalistas em uma país onde os profissionais de mídia são comumente atacados por cobrir temas como narcotráfico, crime organizado e corrupção.

Dos 131 crimes contra jornalistas registrados pela FLIP em 2011, 28% foram atribuídos a agressores não identificados, 18% a políticos ou pessoas ligadas a autoridades públicas ou partidos políticos, 15% a grupos criminosos – conhecidos como “bacrim” – e 5% às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a maior organização terrorista do país.

No ano anterior, a FLIP registrou 120 ataques contra jornalistas, dos quais 47% foram atribuídos a agressores não identificados, 5% às FARC, 3% a narcotraficantes e 2% a pessoas ligadas a autoridades públicas ou partidos políticos.

Em 2011, os departamentos mais perigosos para jornalistas na Colômbia eram:

  • Antioquia, onde os “bacrim” assassinaram um repórter e forçaram dois outros a deixar o departamento;
  • Cauca, onde terroristas das FARC explodiram escritórios da Radio Nasa em 9 de julho. Outras organizações criminosas distribuíram panfletos contendo ameaças a qualquer um que fornecesse informações sobre crimes às autoridades;
  • Arauca, onde 10 jornalistas foram ameaçados, incluindo um repórter criminal que foi assediado pelas FARC.

O relatório também destaca que os assassinatos de jornalistas diminuíram no país: dos 139 profissionais mortos em serviço desde 1977, apenas um perdeu a vida em 2011 e dois em 2010.

Mas o documento também afirma que as ameaças forçaram os jornalistas a mudar a forma como desempenham suas funções. Está se tornando mais comum que não escrevam algo que possa pôr em risco suas vidas, especialmente quando narcoterroristas ou membros de gangues os ameaçam.

“À exceção de alguns poucos, os jornalistas não tocam em nada que tenha a ver com corrupção, parapolítica, microtráfico e todas as execuções extrajudiciais em andamento”, afirma Diro César González, diretor do jornal La Tarde, no município de Barrancabermeja, no departamento de Norte de Santander. “Não se toca nesses assuntos porque o risco é latente para os jornalistas que não contam com nenhuma proteção eficiente do Estado.”

O relatório também chama a atenção para o fato de que, dos 139 crimes contra jornalistas, mortos por exercer sua profissão, desde 1977, apenas 17 réus foram declarados culpados, com nove destas sentenças (53%) promulgadas no ano passado.

O assassinato mais recente ocorreu em 30 de junho de 2011, no município de Arboletes, no departamento de Antioquia. Luis Eduardo Gómez, 70 anos, colaborador dos jornais El Heraldo, de Urabá, e Urabá al Día, foi morto a tiros na frente da mulher em sua casa no bairro El Deportivo por dois pistoleiros desconhecidos em motocicletas. As autoridades ainda procuram pelos atiradores.

“O mais preocupante é que a impunidade que há na Colômbia e a lentidão da ação do Estado é um sinal de que, em nosso país, pode-se matar um jornalista e não acontece nada”, escreveu Álvaro Sierra, editor em chefe da Revista Semana, em editorial publicado no início de fevereiro.

Germán Ortiz, comunicador social e analista do conflito interno colombiano da Universidad del Rosario, diz que “o governo colombiano carece de uma boa estratégia na hora de proteger a liberdade de imprensa e que o modelo de proteção jornalística do estado é obsoleto”.

“Não há um plano conveniente para cuidar do jornalista colombiano e muitos têm que se exilar por um tempo para deixar as coisas esfriarem – por exemplo, Herbin Hoyos, diretor do programa [de rádio] 'Voces del Secuestro', que foi ameaçado mais de seis vezes”, acrescenta Ortiz.

A FLIP reitera que é imperativo que o Ministério do Interior e Justiça reforme seu Programa de Proteção a Jornalistas, criado em 2000 para oferecer segurança aos profissionais de mídia que vivem em risco por causa de suas reportagens.

No ano passado, o governo ofereceu proteção a 97 jornalistas, até promovendo a mudança de suas famílias para outros departamentos quando atentados contra suas vidas eram considerados iminentes.


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