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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Colômbia: ONGs ajudam mulheres vítimas de conflito armado

Crimes mais comuns incluem estupro, prostituição, gravidez e abortos forçados, de acordo com estudo recente.

Por Hugo Machín para Infosurhoy.com – 06/04/2012


				Manifestantes seguram bandeira colombiana gigante durante protesto nacional contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na praça central de Bogotá, em 6 de dezembro de 2011 (José Gómez/Reuters)

Manifestantes seguram bandeira colombiana gigante durante protesto nacional contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na praça central de Bogotá, em 6 de dezembro de 2011 (José Gómez/Reuters)

MEDELLÍN, Colômbia – Quase duas décadas depois, a tragédia continua a assombrar Yoli Bermúdez (nome fictício).

Era por volta da meia-noite, em 1995, quando guerrilheiros entraram em sua casa na região de Urabá, em Antioquia, enquanto Yoli cuidava dos quatro irmãos menores.

“Ele apontou uma arma para a minha cabeça, me obrigou a tirar a roupa e me estuprou”, conta Yoli, que fala sob condição de anonimato por temer por sua vida caso usasse seu nome real.

Na época, Yoli tinha 11 anos.

A mãe de Yoli denunciou o estupro, mas isso apenas piorou a situação: três meses depois, guerrilheiros invadiram a casa no meio da noite, matando a mãe e o tio de Yoli. A adolescente sobreviveu porque conseguiu fugir pela porta dos fundos e se esconder em arbustos. Ninguém ligado ao estupro ou aos assassinatos foi preso.

Yoli e sua família foram forçadas a abandonar a casa e continuaram desalojadas até 2002, quando conseguiram abrigo na Ruta Pacífica, uma das ONGs que oferecem assistência a mulheres vítimas do conflito armado na Colômbia.

Dezessete anos depois, a tragédia de Yoli vem à tona. Sua história é uma das muitas reunidas na “Primeira pesquisa sobre predomínio da violência sexual contra mulheres no contexto do conflito armado”, que documenta os casos de 486.687 mulheres vítimas de violência entre 2001 e 2009.

Conduzido por um grupo de pesquisa liderado por Olga Amparo Sánchez, assessora da Comissão das Mulheres do Congresso da Colômbia e ex-secretária de Saúde de Bogotá, o estudo classifica oito tipos de abuso: estupro, prostituição forçada, gravidez forçada, aborto forçado, esterilização forçada, assédio sexual, serviços domésticos forçados e regulação da vida social.

A pesquisa aponta que, das 94.565 mulheres vítimas de estupros entre 2001 e 2009, 13,54% foram violentadas por guerrilheiros e paramilitares, enquanto 1.970 sofreram abusos por parte de membros das forças públicas e 6.944, por grupos criminosos e delinquentes.

A razão por trás dos estupros, segundo Argelia Londoño, especialista em segurança pública da Prefeitura de Medellín, é que os participantes de conflitos armados veem as mulheres como objetos.

“Em quase 86% dos casos, as vítimas são meninas entre 5 e 14 anos”, diz Argelia.

O estudo também mostra que 1.575 mulheres foram obrigadas a se prostituir e 4.415 foram forçadas a engravidar.

Muito frequentemente, as meninas são recrutadas à força para servirem como escravas sexuais, afirma Estela Diaz (nome fictício), ativista da Ruta Pacífica, entidade que oferece proteção e apoio sociopsicológico a mulheres vítimas do conflito armado.

“As meninas são forçadas a prestar favores sexuais e, caso fiquem grávidas, são punidas e obrigadas a fazer aborto”, ressalta Estela, que não revela seu verdadeiro nome por razões de segurança. “As gangues também forçam as meninas a transportar armas e, mediante intimidação, levam estudantes a vender drogas psicoativas.”

A resposta

O prefeito de Medellín, Aníbal Gaviria, anunciou em 8 de março a criação do Conselho Consultivo para a Secretaria das Mulheres, que busca integrar a sociedade civil ao trabalho realizado pelo governo municipal em questões relacionadas a gênero.

A Secretaria Municipal das Mulheres está usando um novo modelo em sua assistência a mulheres vítimas do conflito armado, baseado em um plano desenvolvido pela Secretaria de Governo de Medellín, informa Argelia.

“Está sendo criado um modelo de atenção integral que inclui segurança, abrigos, assistência jurídica, apoio psicológico e orientação sobre autossuficiência financeira, embora ainda não se saiba ao certo como avançar nesse último aspecto”, destaca. “Esse modelo prevê a obrigação de oferecer cobertura de saúde subsidiada [para as vítimas].”

Argelia acrescenta que representantes do Conselho Consultivo para a Secretaria das Mulheres permanecerão em contato com as vítimas para proporcionar ajuda em longo prazo.

“Em 2012, começamos a acompanhar os diferentes planos de assistência às vítimas e a avaliar internamente a qualidade da atenção proporcionada pelas 16 instituições que oferecem serviços sob o Conselho de Segurança Pública”, diz.

O modelo inclui ainda um protocolo para assistência às vítimas de crimes sexuais, que foi aprovado pelo Ministério da Saúde, aliando a Secretaria das Mulheres ao Centro de Assistência Integral a Vítimas de Violência Sexual do Ministério Público.

Além disso, permitirá um melhor monitoramento das vítimas por parte da equipe técnica da Secretaria das Mulheres, afirma Argelia.

O projeto também aumenta de quatro para 16 o número de promotores públicos que trabalham com casos de crimes sexuais resultantes do conflito armado e garante jurisdições apropriadas para fiscais e oficiais de justiça conduzirem entrevistas e interrogatórios. Prevê ainda salas seguras com espelhos duplos, para que as vítimas possam identificar os supostos criminosos sem serem vistas.

Yoli, hoje com 28 anos, passou de vítima a militante e trabalha para a Ruta Pacífica, ajudando mulheres vítimas no longo caminho para a recuperação.

“Percebi que não era a única que havia passado por isso”, diz Yoli, mãe de uma menina de oito anos e de um menino de 11. “Agora, meu foco é ajudar outras mulheres para que conheçam seus direitos, reconheçam seu próprio valor e não permitam mais abusos. Quando veem como superei o que aconteceu comigo, se tornam fortes, denunciam os crimes e seguem em frente. Elas não podem deixar que o que aconteceu estrague suas vidas.”


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