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TEGUCIGALPA, Honduras – A única solução era fechar a escola.
A escola Michel J. Hasbun, que atende a 500 alunos do ensino fundamental, no bairro de San José de la Vega, na zona sul da capital hondurenha, Tegucigalpa, começou a ser alvo de gangues, que ameaçavam crianças e professores por não pagarem o “imposto de guerra”, a extorsão mensal cobrada pelos criminosos.
Mas, em vez de fechar as portas da escola em fevereiro último, autoridades criaram a unidade Polícia Escolar. O Comissário da Polícia Nacional Rolando Piura, chefe da unidade, diz que a iniciativa trouxe paz à escola e aos moradores locais, que não são mais intimidados pelas gangues.
“Nosso principal objetivo [é proteger] os meninos e meninas de Honduras, que são os potenciais líderes de nosso país, são a população do futuro", acrescenta. “São os futuros trabalhadores, empresários, políticos, governantes, professores e policiais.”
A Polícia Escolar protege estudantes, evita ameaças a professores e impede que gangues destruam propriedades, explica Piura. Mas os policiais atuam também como mentores, incentivando as crianças a permanecer na escola em um país onde 7.703 dos 1.283.827 de estudantes abandonaram as salas de aula em 2011, a maioria por pressão de gangues, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
“Como mãe, me sinto mais segura porque antes havia problemas com gangues nesta escola e não queríamos enviar nossos filhos", conta Ruth González, que é mãe de três alunos do colégio Michel J. Hasbun e teve o nome alterado por razões de segurança. “Mas, agora, os enviamos sabendo que a Polícia Escolar está lá.”
A unidade da Polícia Escolar conta com 50 integrantes, a maioria mulheres, mobilizadas em 12 centros educacionais em Tegucigalpa e Comayagüela, mas as autoridades dizem que planejam expandir a iniciativa para outras cidades em um futuro próximo.
“Em breve, estaremos em San Pedro Sula [no norte do país], Choluteca [ao sul] e Comayagua [na região central], para levar o projeto a toda Honduras”, informa Piura, acrescentando que a unidade tem duas viaturas e 10 motocicletas para usar em patrulhamentos.
“Temos total apoio do diretor geral da Polícia Nacional, o comissário José Ricardo Ramírez del Cid, que não hesitou em nos proporcionar o que solicitamos", conta. “Também estamos trabalhando com organizações nacionais e internacionais para obter recursos a fim de capacitar pessoal e adquirir equipamentos, mas estamos indo passo a passo”, ressalta Piura.
A Polícia Escolar é parte de um programa de governo mais amplo, que envolve três fases:
“Procuramos o desenvolvimento integral dos meninos e meninas”, destaca Piura. “Também apoiamos todo tipo de campanha que a instituição ou a comunidade exigirem e oferecemos oficinas sobre organização de centros educacionais, educação no trânsito, prevenção às drogas, exploração sexual de crianças e métodos alternativos para solução de problemas.”
Ataque frontal às gangues
Recentemente, policiais foram acusados de corrupção, mas as autoridades estão confiantes que o trabalho da Polícia Escolar terá um efeito positivo em todo o departamento, afirma Piura.
“Temos tantos policiais e muitos deles foram destacados só para cuidar das escolas. Espero que fiquem permanentemente, para a segurança de nossos filhos”, diz Ruth.
Os professores também se sentem mais seguros com a presença da Polícia Escolar.
“Há uma grande diferença em comparação com os últimos anos”, ressalta a professora Grecia María Cerrato, que leciona há 12 anos na Michel J. Hasbun e teve o nome alterado por razões de segurança. “Apesar de a insegurança afetar todo o país, agora estamos mais tranquilos com a presença das policiais destacadas para nós. Elas são anjos que o Senhor nos enviou.”
Grecia descreve o trabalho da Polícia Escolar como “excelente”. “Vizinhos comentaram que se sentem mais seguros ao ver a polícia na escola, por isso ensinamos os alunos a colaborar com a Polícia Escolar. Em qualquer caso, a relação que [a polícia] tem [com as crianças) é muito boa. Às vezes, elas até brincam [com os estudantes]”, acrescenta.
Yaneth Romero, uma das policiais destacadas para a Michel J. Hasbun, diz que o trabalho é uma questão pessoal.
“Sou mãe de duas meninas e estou feliz com a decisão do governo, da Secretaria de Segurança e de nossos altos chefes de criarem a Polícia Escolar”, avalia. “[Além de proporcionar segurança], estamos aqui para participar de atividades na escola, como a decoração de salas de aula. Também estamos atentos à saúde e ao bem-estar de cada criança. Quando não comparecem às aulas, nos certificamos de que os pais sabem.”
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