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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Honduras: Polícia Escolar protege estudantes

Oficiais mantêm gangues longe das escolas.

Por René Novoa para Infosurhoy.com – 16/04/2012


							A Polícia Escolar protege estudantes, evita ameaças a professores, incentiva crianças a permanecer na escola e impede que gangues destruam propriedades. (René Novoa para Infosurhoy.com)

A Polícia Escolar protege estudantes, evita ameaças a professores, incentiva crianças a permanecer na escola e impede que gangues destruam propriedades. (René Novoa para Infosurhoy.com)

TEGUCIGALPA, Honduras – A única solução era fechar a escola.

A escola Michel J. Hasbun, que atende a 500 alunos do ensino fundamental, no bairro de San José de la Vega, na zona sul da capital hondurenha, Tegucigalpa, começou a ser alvo de gangues, que ameaçavam crianças e professores por não pagarem o “imposto de guerra”, a extorsão mensal cobrada pelos criminosos.

Mas, em vez de fechar as portas da escola em fevereiro último, autoridades criaram a unidade Polícia Escolar. O Comissário da Polícia Nacional Rolando Piura, chefe da unidade, diz que a iniciativa trouxe paz à escola e aos moradores locais, que não são mais intimidados pelas gangues.

“Nosso principal objetivo [é proteger] os meninos e meninas de Honduras, que são os potenciais líderes de nosso país, são a população do futuro", acrescenta. “São os futuros trabalhadores, empresários, políticos, governantes, professores e policiais.”

A Polícia Escolar protege estudantes, evita ameaças a professores e impede que gangues destruam propriedades, explica Piura. Mas os policiais atuam também como mentores, incentivando as crianças a permanecer na escola em um país onde 7.703 dos 1.283.827 de estudantes abandonaram as salas de aula em 2011, a maioria por pressão de gangues, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“Como mãe, me sinto mais segura porque antes havia problemas com gangues nesta escola e não queríamos enviar nossos filhos", conta Ruth González, que é mãe de três alunos do colégio Michel J. Hasbun e teve o nome alterado por razões de segurança. “Mas, agora, os enviamos sabendo que a Polícia Escolar está lá.”


							Oficial da Polícia Escolar Yaneth Romero: “Com nossa presença, os pais de família deixam seus filhos e têm certeza de que estão em boas mãos, o que nos dá uma enorme satisfação.” (René Novoa para Infosurhoy.com)

Oficial da Polícia Escolar Yaneth Romero: “Com nossa presença, os pais de família deixam seus filhos e têm certeza de que estão em boas mãos, o que nos dá uma enorme satisfação.” (René Novoa para Infosurhoy.com)

A unidade da Polícia Escolar conta com 50 integrantes, a maioria mulheres, mobilizadas em 12 centros educacionais em Tegucigalpa e Comayagüela, mas as autoridades dizem que planejam expandir a iniciativa para outras cidades em um futuro próximo.

“Em breve, estaremos em San Pedro Sula [no norte do país], Choluteca [ao sul] e Comayagua [na região central], para levar o projeto a toda Honduras”, informa Piura, acrescentando que a unidade tem duas viaturas e 10 motocicletas para usar em patrulhamentos.

“Temos total apoio do diretor geral da Polícia Nacional, o comissário José Ricardo Ramírez del Cid, que não hesitou em nos proporcionar o que solicitamos", conta. “Também estamos trabalhando com organizações nacionais e internacionais para obter recursos a fim de capacitar pessoal e adquirir equipamentos, mas estamos indo passo a passo”, ressalta Piura.

A Polícia Escolar é parte de um programa de governo mais amplo, que envolve três fases:

  • Implementação de um plano para todo o sistema de socialização e organização, que inclui a criação de Comitês de Desenvolvimento Educacional, uma iniciativa do Ministério da Educação envolvendo estudantes, pais, professores, ONGs, patronatos e igrejas;
  • Estabelecimento de um plano de segurança para cada escola;
  • Elaboração de um manual de emergência que estabeleça como combater a extorsão, punir estudantes flagrados com armas ou narcóticos e manter a segurança durante um desastre natural.

“Procuramos o desenvolvimento integral dos meninos e meninas”, destaca Piura. “Também apoiamos todo tipo de campanha que a instituição ou a comunidade exigirem e oferecemos oficinas sobre organização de centros educacionais, educação no trânsito, prevenção às drogas, exploração sexual de crianças e métodos alternativos para solução de problemas.”

Ataque frontal às gangues


							A Polícia Escolar oferece segurança nos centros educacionais, além de participar de atividades divertidas e eventos culturais voltados ao desenvolvimento infantil. Na foto, músicos tocam na escola de ensino fundamental Miguel J. Hasbun, em Tegucigalpa, Honduras. (René Novoa para Infosurhoy.com)

A Polícia Escolar oferece segurança nos centros educacionais, além de participar de atividades divertidas e eventos culturais voltados ao desenvolvimento infantil. Na foto, músicos tocam na escola de ensino fundamental Miguel J. Hasbun, em Tegucigalpa, Honduras. (René Novoa para Infosurhoy.com)

Recentemente, policiais foram acusados de corrupção, mas as autoridades estão confiantes que o trabalho da Polícia Escolar terá um efeito positivo em todo o departamento, afirma Piura.

“Temos tantos policiais e muitos deles foram destacados só para cuidar das escolas. Espero que fiquem permanentemente, para a segurança de nossos filhos”, diz Ruth.

Os professores também se sentem mais seguros com a presença da Polícia Escolar.

“Há uma grande diferença em comparação com os últimos anos”, ressalta a professora Grecia María Cerrato, que leciona há 12 anos na Michel J. Hasbun e teve o nome alterado por razões de segurança. “Apesar de a insegurança afetar todo o país, agora estamos mais tranquilos com a presença das policiais destacadas para nós. Elas são anjos que o Senhor nos enviou.”

Grecia descreve o trabalho da Polícia Escolar como “excelente”. “Vizinhos comentaram que se sentem mais seguros ao ver a polícia na escola, por isso ensinamos os alunos a colaborar com a Polícia Escolar. Em qualquer caso, a relação que [a polícia] tem [com as crianças) é muito boa. Às vezes, elas até brincam [com os estudantes]”, acrescenta.

Yaneth Romero, uma das policiais destacadas para a Michel J. Hasbun, diz que o trabalho é uma questão pessoal.

“Sou mãe de duas meninas e estou feliz com a decisão do governo, da Secretaria de Segurança e de nossos altos chefes de criarem a Polícia Escolar”, avalia. “[Além de proporcionar segurança], estamos aqui para participar de atividades na escola, como a decoração de salas de aula. Também estamos atentos à saúde e ao bem-estar de cada criança. Quando não comparecem às aulas, nos certificamos de que os pais sabem.”


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