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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Venezuela: Arte mostra face dos afetados pela violência

ONG expõe fotos de mães de vítimas da violência para conscientizar público

Por Beth Dalmau para Infosurhoy.com – 19/04/2012


				As 52 fotos gigantes em preto e branco estão espalhadas por Caracas – de bairros assolados pela violência, como Petare, a áreas de classe média, como Las Mercedes e Los Palos Grandes. (Cortesia do Projeto Esperança)

As 52 fotos gigantes em preto e branco estão espalhadas por Caracas – de bairros assolados pela violência, como Petare, a áreas de classe média, como Las Mercedes e Los Palos Grandes. (Cortesia do Projeto Esperança)

CARACAS, Venezuela – Os olhos de María Elena Delgado fitam os pedestres que circulam pelas ruas da capital venezuelana, uma metrópole de 6 milhões de habitantes.

A expressão triste e sofrida nos olhos de María Elena, capturada em um retrato gigante fixado em um muro no centro da cidade, não passa despercebida.

Ela perdeu três de seus filhos, Erasmo, Norka e Wilmer, entre 1999 e 2008, como resultado da onda implacável de violência que castiga a Venezuela.

“Lembro de meus filhos todos os dias”, diz María Elena, de 57 anos, moradora de Petare, um dos bairros mais perigosos da capital venezuelana. “Preparo a mesma quantidade de arepas (empadões de milho tradicionais) que fazia quando estavam vivos.”

As jornalistas venezuelanas María Fernanda Pérez, 27 anos, Mariana Cadenas, 28, e Carolina González, 28, lançaram o Projeto Esperança, que usa imagens das mães de vítimas da violência, como María Elena, para dar uma face à tragédia.

“Há tantas mortes por ano que parece que as pessoas quase se acostumaram, talvez por uma questão de sobrevivência”, reflete María Fernanda. “Mas não podemos encarar com tanta frivolidade. Não são apenas números que aparecem nos jornais, são pessoas com dramas reais.”

As 52 fotos gigantes em preto e branco que foram fixadas em novembro de 2011 estão espalhadas pela cidade – de bairros assolados pela violência, como Petare, a áreas de classe média, como Las Mercedes e Los Palos Grandes.

O público é direcionado ao site da ONG para saber mais sobre as mulheres nas fotografias.

O Projeto Esperança aborda a questão de uma perspectiva que é frequentemente ignorada. O foco não está no morto ou nos eventos incomuns que ocupam as páginas dos jornais.

Em vez disso, a entidade se concentra em como as pessoas devem continuar vivendo depois de perderem um ente querido.

“Todo mundo tem uma mãe, e acreditamos que elas representam muito bem o que queremos transmitir”, ressalta María Fernanda, acrescentando que, para cada morte, há entre três e quatro vítimas secundárias, especialmente membros da família, que frequentemente vivem sem nunca mais saber o que é paz, já que a maioria dos homicídios na Venezuela fica impune.


				As fotografias da campanha Projeto Esperança em Caracas, lançada originalmente em novembro de 2011, continuarão expostas pela cidade “indefinidamente”, informa a jornalista María Fernanda Pérez, 27 anos, uma das organizadoras. (Cortesia do Projeto Esperança)

As fotografias da campanha Projeto Esperança em Caracas, lançada originalmente em novembro de 2011, continuarão expostas pela cidade “indefinidamente”, informa a jornalista María Fernanda Pérez, 27 anos, uma das organizadoras. (Cortesia do Projeto Esperança)

O primeiro relatório anual da Comissão de Segurança Pública da Região Metropolitana de Caracas, baseado em números oficiais e extraoficiais, registrou 19.000 assassinatos na Venezuela em 2011, o que indica uma taxa de homicídio de 67 por 100.000 habitantes no país.

Em Caracas, a taxa de homicídio foi de 108 por 100.000 habitantes, segundo o mesmo relatório.

O relatório destaca ainda que 93% das vítimas de homicídio em Caracas eram homens entre 15 e 24 anos de idade e que 90% dos assassinatos envolveram armas de fogo.

No total, há 52 retratos de mães entre 30 e 70 anos, nenhuma delas identificada pelo nome.

O projeto foi inspirado no movimento “Inside Out”, do artista francês JR, que usou retratos gigantes para aumentar a conscientização sobre o conflito entre israelenses e palestinos e as favelas do Rio de Janeiro, no Brasil.

Exibições semelhantes ocorreram em Ecatepec, México, no mês de março, com cartazes expostos em toda a cidade como parte da campanha contra a violência, e em Medellín, Colômbia, que apresentou a mostra “Heróis sem Fronteiras”.

O projeto das jornalistas María Fernanda, Mariana e Carolina envolveu sete meses de pesquisas e várias sessões de fotografia pela Venezuela que contaram com o talento de 20 renomados fotógrafos locais, como Nelson Garrido, Luis Britto e Roberto Mata.

“Muitas pessoas nos contataram porque querem participar, como familiares que querem que incluamos seus casos e pessoas que nos ofereceram a parede de suas casas para afixarmos os retratos”, conta María Fernanda.

Roberto Briceño León, diretor de segurança cidadã da ONG Observatório Venezuelano da Violência (OVV), diz que tem havido “aumentos successivos” na falta de segurança desde 1998, quando 4.550 homicídios foram registrados. Mais de 90% dos assassinatos no país de 29 milhões de habitantes ficam impunes, lamenta.

“A impunidade, as mais de 10 milhões de armas ilegais em circulação pelo país e os corpos policiais corruptos são algumas das causas da insegurança na Venezuela”, acrescenta Briceño León.

Agora, os criadores do Esperança Venezuela estão apoiando a campanha de rua com oficinas e discussões em universidades e estudam expandir o escopo do projeto a outras partes do país.

“Não é um problema que afeta somente Caracas”, lembra María Fernanda.

O trio de jornalistas trabalha ainda em um livro que mostrará fotografias e histórias das 52 mães venezuelanas, cujas fotos serão expostas também em uma galeria de Caracas.

Enquanto isso, as fotografias continuarão expostas pela cidade “indefinidamente”, informa María Fernanda.

“Queremos mostrar que há esperança para a Venezuela”, diz.


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