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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Venezuela: Ambiente hostil para jornalistas

Multas, censura e coação física dificultam trabalho de profissionais da mídia no país andino.

Por Milagros Rodríguez para Infosurhoy.com – 09/05/2012


							Johnny Figarella, jornalista da Globovisión, foi atacado com uma bomba de gás lacrimogêneo durante um protesto estudantil em Caurimare, um subúrbio a leste de Caracas, em 2004. Ele sobreviveu porque usava um colete à prova de balas. (Cortesia da Globovisión)

Johnny Figarella, jornalista da Globovisión, foi atacado com uma bomba de gás lacrimogêneo durante um protesto estudantil em Caurimare, um subúrbio a leste de Caracas, em 2004. Ele sobreviveu porque usava um colete à prova de balas. (Cortesia da Globovisión)

CARACAS, Venezuela – Johnny Figarella conhece bem os riscos de ser jornalista nesse complicado país sul-americano.

“Antes, os jornalistas eram bem-vindos em todo lugar”, conta Figarella, jornalista da Globovisión, um canal de notícias 24 horas com sede em Caracas. “Agora, para fazer uma cobertura, é preciso tirar o logotipo do microfone e os distintivos dos carros, e cumprir a pauta de forma clandestina.”

A Globovisión foi multada em 9,3 milhões de bolívares (R$ 4 milhões) no ano passado por mostrar imagens de uma fuga da superlotada penitenciária La Planta, nos arredores de Caracas.

Figarella, de 51 anos, denuncia que foi atacado numerosas vezes nos últimos anos, incluindo em 2004, quando a Guarda Nacional lançou uma bomba de gás lacrimogêneo contra ele enquanto cobria um protesto estudantil em Caurimare, um subúrbio a leste de Caracas. O jornalista sobreviveu porque usava um colete à prova de balas, mas afirma que é constantemente intimidado por simpatizantes do governo enquanto faz seu trabalho.

“Tenho medo que me mandem cobrir um evento público porque minha vida corre perigo”, diz Figarella, que possui mais de 20 anos de experiência em coberturas de TV ao vivo.

Há uma tendência crescente no país sul-americano de censurar e atacar integrantes da mídia e jornalistas que questionam as políticas do governo, segundo a ONG de direitos humanos venezuelana “Espacio Público”.

“Essa ideia de ver o jornalista como inimigo gerou uma dinâmica que produz muitos atos de violência”, disse Carlos Correa, diretor do Espacio Público, em uma entrevista coletiva em 30 de abril.

Foram 203 ataques contra membros da mídia e jornalistas no país em 2011, comparado a 194 no ano anterior, segundo a ONG.

Organizações internacionais de mídia concordam que há intimidação constante contra pessoas que tentam exercitar a liberdade de expressão no país andino.

“Na Venezuela, além da perseguição permanente a jornalistas independentes, o governo continua a usar a provisão constitucional da informação verídica para censurar a mídia, seja com multas imensas contra a Globovisión por cobrir um motim penitenciário ou restringindo a publicação de reportagens investigativas”, denunciou em nota a Sociedade Interamericana de Imprensa (IAPA) em 23 de abril.

O ministro da Informação, Andrés Izarra, afirma que a liberdade de expressão não está ameaçada na Venezuela, observando que o seu país é líder na América Latina no uso do Twitter e outros canais de mídia social.

“Esses números refutam a campanha da oposição que mostra a Venezuela como um país onde a liberdade de expressão é cerceada”, argumenta.

Mas os jornalistas venezuelanos discordam.

“Para praticar o jornalismo na Venezuela é preciso estar ciente do fato de que não há liberdade de informação aqui”, alerta David Pérez Hansen, ex-repórter da Radio Caracas Television, uma cadeia de TV venezuelana cujos direitos de transmissão não foram renovados em 2007 pelo governo.

Um canal a cabo da RCTV foi banido pelo governo em 2010.

“O jornalismo venezuelano tem cada vez menos espaço para a pluralidade de opiniões”, acrescenta. “Há mais empresários da mídia que preferem a autocensura e linhas editoriais complacentes para garantir sua quota de 'publicidade oficial' e evitar ataques das altas esferas do governo.”

Os tribunais venezuelanos estão acostumados a restringir o acesso da mídia a questões controversas. Em 19 de março, uma corte de Caracas proibiu todas as mídias impressas, de transmissão e on-line de cobrir as alegações de que as fontes de água que abastecem a capital venezuelana estariam contaminadas.

“A mídia tem a obrigação de informar com veracidade e não pode gerar esse tipo de temor na população”, argumenta a procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega Díaz.

As organizações internacionais de mídia discordam.

“Isso é efetivamente uma ordem de silêncio em uma questão de saúde pública”, protesta Carlos Lauría, coordenador sênior de programas para a América Latina da ONG de jornalismo global Comitê de Proteção a Jornalistas. “Proibir a mídia venezuelana de cobrir a qualidade do abastecimento de água é um absurdo.”

“Isto é simplesmente censura de motivação política”, protestou em nota a ONG Repórteres Sem Fronteiras. “Quando as autoridades se amedrontam com uma história dessas, tentam rotulá-la como uma tentativa de ‘desestabilização’ da ordem pública. O público é assim tão incapaz de formar sua própria opinião? Será que um assunto de interesse geral precisa ser suprimido porque poderia causar ‘pânico’?”

Ainda assim, jornalistas venezuelanos devem usar este momento para avançar, encoraja a analista de mídia local María Goretti.

“É em regimes autoritários que o trabalho jornalístico se torna mais interessante e criativo”, ressalta. “Há maneiras de cumprir sua função sem a necessidade de afetar ou modificar a linha editorial do veículo para o qual trabalha.”


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