Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
BOGOTÁ, Colômbia – Los Paisas, Los Urabeños, Los Rastrojos, Las Águilas Negras e o Exército Revolucionário Popular Antisubversivo (ERPAC) são algumas das gangues que extorquem comerciantes, traficam armas e drogas e realizam sequestros no país andino.
Há cerca de 3.700 gângsters no país, segundo a Corporação Novo Arco-Íris (CNAI), centro de pesquisa especializado no conflito colombiano.
Mas o número de envolvidos em gangues não preocupa tanto as autoridades quanto as alianças que esses grupos criminosos estão formando com organizações terroristas, especialmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ressalta Adriana Vega, analista de segurança da Universidad Central.
“Há duas razões pelas quais esses grupos estão se aliando: a primeira é reconquistar o domínio em departamentos como Cauca, Caquetá, Putumayo e, particularmente, a região de fronteira equatoriana”, explica. “Isso nos leva à segunda razão: interesse financeiro. As gangues criminosas e as FARC vivem do narcotráfico. Ao unir forças, garantem a continuidade de suas ações e, assim, podemos ver como as FARC estão tendendo a converter-se em uma gangue criminosa em vez de continuarem como uma força política rebelde.”
Em 2011, as gangues mataram 50 indígenas e cometeram 1.800 crimes em todo o país, como tráfico de drogas, mineração ilegal e contrabando de gasolina, de acordo com a CNAI.
A gangue Los Rastrojos tem a maior presença criminosa no país, operando em 247 municípios de 23 departamentos, seguida da Los Urabeños, que cometeu crimes em 211 municípios de 18 departamentos em 2011, segundo a CNAI.
Os departamentos mais afetados pelas gangues são Cauca, Arauca e Caquetá, além de Norte de Santander, que se tornou um foco de narcotráfico para gangues criminosas, pois fica na fronteira venezuelana, afirma Ariel Avila, pesquisador da CNAI.
O início
A maioria dos grupos criminosos foi formada depois que a gangue Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) se desmobilizou, em 2003, deixando 30.000 tropas paramilitares sem facção.
“Como resultado dessa desmobilização, várias células se tornaram gangues criminosas na Colômbia”, diz Juan Carlos Serrano, cientista político e especialista em segurança da Universidade de Antioquia. “Basicamente, esses grupos representam a privatização do crime no país, pois não mais lutam por ideais, mas por interesses financeiros.”
A presença de gangues no país aumentou de 256 para 406 municípios entre 2008 e 2011, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (INDEPAZ).
“[As gangues criminosas] são a ameaça mais importante que o povo colombiano enfrenta”, disse recentemente à mídia local o ministro do Interior e da Justiça, Germán Vargas Lleras. “O governo não irá dialogar com as gangues criminosas e o presidente [Juan Manuel] Santos tem uma política muito definida para combater esses grupos.”
No ano passado, Santos revelou sua estratégia de longo prazo, batizada de “D6”, para combater as gangues criminosas. O presidente se concentra em seis pontos principais:
“Vamos atingi-los com tudo o que temos”, enfatizou Santos após a apresentação da estratégia.
A D6 já está dando resultados, pois autoridades capturaram 269 integrantes do ERPAC em 2011, desmantelando efetivamente a gangue criminosa. Atualmente, há apenas células isoladas do ERPAC, principalmente no departamento de Meta, segundo o governo.
As autoridades prenderam ainda nove membros das gangues Los Rastrojos e Los Urabeños na cidade de Cúcuta, no departamento de Norte de Santander, em 15 de abril, além de confiscar um número não especificado de armamentos e carros.
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