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BOGOTÁ, Colômbia – A mensagem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) interceptada recentemente pelo Ministério da Justiça é alarmante.
“Vamos intensificar os esforços para eliminar [o presidente Juan Manuel] Santos, custe o que custar”, diz o despacho interceptado, em 16 de agosto, do bloco noroeste das FARC. “Nesses esforços, não [devemos] deixar nenhum recurso, contato ou acordo inexplorado. A pátria e nosso [povo] – o próprio decoro de uma organização – exigem uma resposta contundente e radical.”
Santos tornou pública a ameaça em 16 de agosto, durante um encontro com representantes de comunidades indígenas no departamento de Valle del Cauca.
“A (…) oligarquia pretende decapitar a insurgência eliminando os comandantes. Nessas circunstâncias, a ética nos autoriza a forjar alianças com quem quer que seja e utilizar todos os meios [para eliminar Santos]”, diz a mensagem.
O ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, comunicou ao presidente a ameaça de morte.
Para os colombianos, a ameaça de morte contra Santos indica a percepção das FARC de que estão perdendo a batalha contra o estado.
“Já mataram [o candidato à presidência Luis Carlos] Galán [em 1989] porque tinham medo do que ele poderia fazer com os corruptos do país”, lembra Nancy Correa, 76 anos, professora aposentada que mora no bairro El Chicó, em Bogotá. “Santos está fazendo um trabalho fantástico contra o terrorismo, e a ameaça [de morte] mostra que as FARC precisam se livrar do mentor por trás desse sucesso”.
Francisco Tomasella, 32 anos, engenheiro de sistemas argentino que se mudou para a Colômbia em março de 2007, diz que o complô das FARC para assassinar Santos mostra que o maior grupo terrorista do país está com medo do presidente colombiano.
“Morando na Colômbia, me dei conta de que a ideologia das FARC é totalmente errônea”, afirma. “Entendo que entre seus símbolos têm personagens como Che Guevara ou Simón Bolívar, mas no fundo só querem ganhar dinheiro fácil e alterar o país. Mas eles têm o problema de um homem que os está atacando continuamente – por isso querem silenciá-lo.”
De acordo com a mensagem das FARC, seus líderes querem vingar as mortes de Alfonso Cano, durante uma operação militar realizada em 5 de novembro de 2011; e de Jorge Briceño, que foi morto em 23 de setembro de 2010.
Ángela Uribe, 38 anos, professora de filosofia da Universidad de los Andes, diz que as mensagens das FARC são contraditórias.
“O que buscam é simplesmente justificar a morte de alguém através de uma ideologia que as FARC perderam há muito tempo”, acrescenta. “O uso da palavra 'ética' no comunicado dos terroristas é na verdade uma maneira pomposa de querer justificar o assassinato. Suas ações beiram o contraditório e cada vez que cometem um crime contra a população colombiana contradizem seus princípios. No país, são poucos os que realmente creem em suas supostas intenções de diálogo e paz.”
A ameaça de morte das FARC mostra seus verdadeiros motivos, apesar dos apelos de paz do grupo terrorista, ressalta Manuel Rendón, cientista político da Universidad del Rosario.
“Esta mensagem é como jogar um balde de água fria na cara das FARC, pois prova que estão realmente se comportando de maneira hipócrita sobre suas intenções de paz”, avalia.
Mas o general Alejandro Navas, comandante das forças armadas do país, não está surpreso com a ameaça das FARC.
“Desde que [Santos] era ministro da Defesa durante o governo de Álvaro Uribe, já tínhamos conhecimento das ameaças”, afirma. “Ele tem sido o símbolo dos mais duros golpes no narcotráfico [e], depois dessas ameaças mais recentes, reforçamos o esquema de segurança do presidente.”
Há apenas uma maneira de responder ao desafio, diz Rendón.
“O governo deve reagir a essas ameaças de morte de uma forma enérgica, contundente, e entender que é preciso atacar os grupos terroristas com tudo o que temos”, enfatiza. “Precisamos continuar eliminando seus líderes mais importantes exatamente como estamos fazendo.”
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