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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Brasil na luta contra o crack

Campanha nacional alerta para riscos da dependência

Por Danielle Melo para Infosurhoy.com — 28/01/2010


							O aumento no consumo de crack pelos brasileiros tornou-se um problema de saúde pública no país. (Antonio Scorza/AFP/Getty Images)

O aumento no consumo de crack pelos brasileiros tornou-se um problema de saúde pública no país. (Antonio Scorza/AFP/Getty Images)

RIO DE JANEIRO, Brasil – O número crescente de dependentes em crack tornou-se mais do que uma ameaça à segurança: já é um caso saúde pública.

Em uma reportagem em série, publicada hoje e amanhã, o Infosurhoy.com descreve a epidemia de crack que assola o país e mostra o que o Brasil está fazendo para vencer a guerra contra a droga, mesmo sem saber sequer o número exato de dependentes que andam pelas ruas.

O governo está tentando agir de forma proativa contra o crack, um derivado sólido de cocaína que pode ser fumado.

Há mais de um mês, o Ministério da Saúde lançou uma campanha histórica de prevenção contra as drogas, que está sendo veiculada na TV, Internet e mídia impressa.

O slogan é simples: “Nunca experimente o crack, ele causa dependência e mata”.

O medo é real. Segundo uma pesquisa coordenada pelo Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mais de 50% dos dependentes químicos que recebem tratamento no país são dependentes de crack.

Para dar conta do aumento no número dos que buscam tratamento, o Ministério da Saúde também está ampliando a rede dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), que oferecem acompanhamento gratuito para portadores de deficiência mental e dependentes químicos.

Para tanto, um total de R$ 215 milhões serão investidos até o final de 2010, incluindo investimentos em treinamento de pessoal.

Atualmente existem 1.467 CAPs no Brasil, mas somente 223 tratam especificamente dependentes químicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um centro do gênero para cada 100 mil habitantes. Seguindo esse critério, os CAPs atualmente existentes no Brasil dão conta de apenas 60% da população. Para que o país cumpra as exigências da OMS, é necessária uma rede de cerca de 2 mil CAPs.

Os centros oferecem consultas com psicólogos, psiquiatras e atividades de terapia ocupacional, além de fornecer assistência aos familiares.

“Depois do álcool, o crack é a droga que mais leva pessoas aos CAPs. No início, a droga era restrita a São Paulo,” declarou o coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, ao Correio Braziliense. “Ao longo dos últimos cinco anos, a droga espalhou-se pelos centros urbanos de todas as regiões.”

Se houver necessidade de hospitalização, os dependentes de crack que procuram os CAPs são encaminhados aos hospitais públicos. No Brasil, existem 35 mil leitos destinados a portadores de desordem mental, sendo que 30% dessas vagas são ocupadas por usuários de crack, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A hospitalização ocorre quando existe a necessidade de desintoxicação e geralmente não dura mais que 15 dias.

O tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o atendimento para os dependentes químicos desde 2003, primeiro ano da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde então, o dinheiro destinado para programas de saúde mental mais que dobrou, de R$ 619 milhões no final de 2002 passou para R$ 1,4 bilhões em 2009.

Além do Ministério da Saúde e da Polícia Federal, outras instituições, como a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil e o Departamento de Serviços Sociais, apoiaram a guerra contra o crack. A articulação das polícias está sob o comando da Secretaria Nacional Antidrogas, que é vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Mas as estatísticas referentes a dependência química no Brasil são imprecisas. As mais recentes datam de 2005, quando o governo estimou 380 mil dependentes no país.

Os dados relativos à apreensão de drogas tampouco revelam o quadro real, devido a irregularidades ocorridas nas apreensões. Segundo a Polícia Federal, (PF) 319 quilos de crack foram apreendidos no país em 2005. No ano seguinte, o número caiu para 145 quilos. Em 2007, houve um salto para 578 quilos, caindo novamente para 373 quilos em 2008. No ano passado, estima-se que foram apreendidos cerca de 513 quilos.

Mas mesmo esses números não são precisos. A cocaína transforma-se em crack quando adicionados produtos químicos para solidificar o pó, transformando-a na pedra que pode ser fumada. Se não apreendidos, parte dos 18.851 quilos de cocaína recolhidos pela polícia em 2009 poderiam ter sido destinados à fabricação de crack.

Segundo a polícia federal, o volume apreendido também varia muito, porque a PF concentra-se nos traficantes e não nos usuários. O objetivo é interceptar carregamentos que chegam de outros países – Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai. No ano passado, a PF assinou acordos com Bolívia, Paraguai e Peru para atuarem juntos na guerra contra as drogas.


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