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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Miguel Ángel Bastenier preocupado com a liberdade de expressão na América Latina

Jornalista espanhol do El País concede entrevista exclusiva ao Infosurhoy.com.

Hugo Machín para Infosurhoy.com – 17/08/2010


				O jornalista veterano Miguel Ángel Bastenier disse que sua profissão pode não ter um futuro brilhante na América Latina. (Osman Herrera para Infosurhoy.com)

O jornalista veterano Miguel Ángel Bastenier disse que sua profissão pode não ter um futuro brilhante na América Latina. (Osman Herrera para Infosurhoy.com)

MEDELÍN, Colômbia – As mudanças promovidas por alguns governos da América Latina debilitam a liberdade de expressão dos cidadãos, declara o jornalista espanhol Miguel Ángel Bastenier.

O colunista, que escreve sobre a América Latina no jornal espanhol El País, e que também foi subdiretor de informações gerais (1982-1993) e subdiretor de relações internacionais (1993-2006), informou que o jornalismo em alguns países da região está sendo neutralizado pelo governo e pelo crime organizado.

Bastenier, 69 anos, apresentou seu mais recente livro Cómo se escribe un periódico (Como se escreve um jornal) a cerca de 30 jornalistas colombianos no Hotel Park 10, em Medelín, na comemoração do Dia do Jornalista num país que, até 2006, era o mais perigoso para os profissionais da mídia na América Latina.

Infosurhoy.com: Existe uma crise nos jornais ou uma crise dos usuários da comunicação de massa (TV, vídeo, rádio) que não leem mais jornais?

Miguel Ángel Bastenier: A crise da comunicação de massa está claríssima. Parte do público [leitor de jornais] está migrando para outros modelos de comunicação. Quando pensamos em como eram as coisas quando [as pessoas da minha idade] tinham 25 anos, os jornais eram os reis no tocante à criação. O que não era publicado não tinha existido. Evidentemente esse mundo não existe mais. Quando estudei na Inglaterra, muitos anos atrás, havia dois jornais que vendiam, cada um, mais de cinco milhões de exemplares por dia. A população da Grã Bretanha era de 54 milhões, e eram vendidos 23 milhões de jornais por dia. Hoje em dia, os jornais de maior circulação vendem 3,2 milhões, o que ainda é uma quantia enorme, naturalmente, porém a queda foi imensa. Isso já acontece há algum tempo; está se acelerando em razão das mudanças no modo de divulgação das notícia, com a mudança — que cresce diariamente — dos leitores de jornais para o meio digital.

Infosurhoy.com: As mudanças no jornalismo coincidem com as mudanças políticas?

Miguel Ángel Bastenier: Essas mudanças políticas alteram as coisas, de fato, e de maneira negativa. Este é um tema complexo e amplo para o qual não me atrevo a dar uma resposta concisa. Falar da política da América Latina é muito difícil porque os estilos são muito diferentes. Os governos da América Latina falam, deliberadamente ou não, a um segmento muito pequeno da população. Isso dificulta a vida dos jornais e os impede de jogar numa grande arena. Pelo contrário, têm de jogar em arena pequena.

Infosurhoy.com: O que acha do modo como os governos criaram um tipo de jornalismo que apóia o partido da situação?

Miguel Ángel Bastenier: A América Latina está passando por uma considerável mudança evolutiva. A Bolívia é um exemplo absoluto, e quando falo disso na Argentina, todos olham para o outro lado e não querem reconhecer que Evo Morales [presidente da Bolívia] existe. O processo de indigenização — nos países onde existe matéria-prima para isso — é um fato que vai transformar a imagem da América Latina. [O presidente da Venezuela Hugo] Chávez pretende algo semelhante nesse sentido; diferente, mas de modo paralelo. [O presidente do Equador Rafael] Correa não é exatamente igual, pois ele é ocidental e quer que o Equador pertença ao mundo ocidental, com mudanças na propriedade social e na distribuição mais justa das riquezas, o que é excelente. Contudo, essas mudanças estão ocorrendo à custa da liberdade de expressão, à custa da liberdade do ser humano e das instituições de expressão por meio das quais podemos nos sentir livres para agir, para ter opinião e criticar — tudo dentro do ordenamento constitucional. E isso é catastrófico para o jornalismo. Isso está acontecendo com a mídia da América Latina e [digo] aos que ainda não foram atingidos que não devem sentir-se confiantes, pois vai acontecer.

Infosurhoy.com: Segundo um estudo realizado pelo Programa de Desenvolvimento da ONU (PNUD), entre os fatores que condicionam os poderes constitucionais e determinam a baixa qualidade da democracia latino-americana figuram a economia, o tráfico de drogas e a mídia. O que o senhor acha disso?

Miguel Ángel Bastenier: De um lado, há governos que, para combater a influência da mídia, tentam ignorar a importância da relação da mídia com o povo e recaem num neopopulismo. Por outro lado, existe, de fato, um enfraquecimento da capacidade do jornalismo de agir, de se movimentar, de estar onde quer estar e atingir essa socialização de temas que realmente interessam ao povo. Existe um retrocesso em que os poderes públicos têm participação, disso não há dúvida. O tráfico de drogas, especificamente, induz à inibição, em vez de levar à intervenção. Isso é uma coisa terrível que está acontecendo em grande parte da América Latina.


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